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CinemaCultura

Insurgent

A série literária Divergente, da autoria de Veronica Roth, segue os passos das distopias expostas por Aldous Huxley, nomeadamente a sua obra-prima Brave New World (Admirável Mundo Novo). As fracções e as classes são aqui similaridades, mas as abordagens são, literalmente, divergentes, enquanto Huxley sempre havia convertido a sua distopia em prol da crítica social, evidente é que mesmo passados 80 anos, as suas visões continuam tão actuais como nunca. Roth, por sua vez, explora um território mais juvenil, requisitando os códigos regentes deste universo (difícil que é fugir do previsível romance), e que dificilmente se vingarão na posteridade.

Passando então à adaptação do segundo livro da trilogia, Insurgent recorre como um “mais do mesmo” do inicio morno que fora Divergent, em termos produtivos é óbvio. Este novo capítulo é o mais pomposo no sector visual, resposta a isto é a sua dependência ao frenesim tecnológico e o protagonismo oferecido ao CGI. Algo que seria a seu favor, se Insurgent conseguisse manobrar uma intriga e minimamente os seus personagens, todos eles unidimensionais e estabelecidos ao estatuto de “bonecos animados”, apenas encabeçados por actores de nome e jovens estrelas.

Porquê e para onde correm os personagens de Insurgent?
Porquê e para onde correm os personagens de Insurgent?

Depois é o ritmo narrativo, Robert Schwentke (que sucede Neil Burguer) nunca em momento algum tem a dignidade de equilibrar todo o fio narrativo e conduzi-lo de forma mais fluída e afectiva a uma ênfase dramática mais acentuada, mesmo que o filme assuma um tom de seriedade de contornos insuportáveis em relação à anorexia dos eventos. Sim, Insurgent é claramente um mau exemplo de como não adaptar um bestseller juvenil, uma sucessão instantânea de sequências de acção, que roçam a banalidade, que não oferecem espaço algum aos seus personagens. Peço desculpa… bonecos!

Depois é a crítica social, um factor de que outro franchising juvenil beneficiou, The Hunger Games, é aqui distorcido em prol de um romance sob grandiloquências exageradas e sem fins de abordagem para com as suas temáticas distópicas. Ou seja, temos aqui um dos prováveis candidatos ao prémio de pior filme do ano, se não for, é pelo menos o mais caro do catálogo, com 110 milhões de dólares empregues em “mimos visuais”. Todavia, para mal dos nossos pecados, o próximo capítulo já está a caminho e, infelizmente, sob o processo de divisão para dois filmes distintos. Meu rico Aldous Huxley!

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Hugo Gomes

Jornalista freelancer e crítico de cinema registado na Online Film Critics Society, dos EUA. Começou o seu percurso ao escrever no blog "Cinematograficamente Falando", acabando por colaborar nos sites C7nema, Kerodicas e Repórter Sombra, e ainda na Nisimazine, a publicação oficial da NISI MASA - European Network of Young Cinema. Nesse âmbito ainda frequentou o workshop de crítica de cinema em San Sebastian, também cedido pela NISI Masa, e completou o curso livre de "Ensaio Audiovisual e a Crítica de Cinema como Prática Criativa" da Faculdade de Ciências Sociais e Humana das Universidade Nova de Lisboa. Foi um dos programadores da edição de 2015 do FEST: Festival de Novos Realizadores de Espinho, e actualmente cobre uma vasta gama de festivais, quer nacionais, quer internacionais (Cannes, San Sebastian).

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