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Hot Pursuit

Uma polícia que tenta seguir as regras acaba metida em sarilhos com a viúva de um barão da droga mexicano: está criado o enredo para aquele que poderia ser mais um clichet do cinema de comédia, ao qual ninguém ia prestar atenção. No entanto, o caso muda logo de figura, quando vemos as duas protagonistas. Por um lado temos Reese Witherspoon, que depois de um papel mais sério e de uma nomeação ao Óscar de melhor atriz em Wild, volta às comédias no papel de uma polícia com um ar inofensivo que tenta ganhar credibilidade no meio onde trabalha para honrar a memória do pai, também ele polícia. Por outro lado temos Sofia Vergara, a esposa troféu de um traficante de droga mexicano que depois de ficar viúva acaba a fugir dos inimigos do seu marido. O caminho das duas acaba por se cruzar e as diferenças que as separam vão levá-las a viver um conjunto de peripécias que só ganham o impacto que têm pelas atrizes lhes dão vida. Apesar das interpretações fantásticas destas duas atrizes, há um ponto negativo a salientar: Sofia Vergara parece não conseguir adaptar-se a outro tipo de papéis que não sejam relacionados com a sua própria etnia. Basta pensarmos no seu papel de Gloria em Modern Family: se o Jay e o Manny aparecessem a meio do filme acho que ninguém iria ficar surpreendido.

Temos, então, um enredo típico com duas atrizes perfeitamente encaixadas nos papéis, mas que, infelizmente, não conseguem sozinhas dar vida e qualidade ao filme. Dentro das piadas típicas e das situações caricatas previsíveis para este tipo de filme, toda a acção acaba por cair em alguma monotonia, não no sentido de não acontecer nada de emocionante, mas no sentido em que se assemelha bastante a outros filmes já feitos. Se compararmos o Hot Pursuit com Vigarista à Vista são mais as semelhanças que encontramos nas histórias do que as diferenças.

Assim, o filme acaba por cair na rotina das comédias a que já estamos habituados, não havendo nada de novo que possa surpreender o espectador. Um daqueles filmes que dá para passar o tempo numa tarde de domingo, talvez rir um bocado com os amigos, mas não esperem gargalhadas muito fortes.

Um aviso para Hollywood: só porque um género de filme tem sucesso não quer dizer que o tenham de reproduzir centenas de vezes, mesmo que tenham as actrizes certas para tal! Mais inovação, por favor!

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Cristiana Sousa

Cris, uma aspirante a jornalista com pronúncia do Norte, habitação em Coimbra e com a mente no mundo. Aficionada do cinema e do mundo dos sonhos, ainda anseia conseguir ver todos os filmes do mundo e visitar todos os países que conseguir antes de sucumbir ao peso da idade.

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