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Hoje tive medo

Começo por agradecer aos meus vizinhos, não a todos, só mesmo aos que saíram lá da rua. Acabei por descobrir que eram vocês que faziam da porta de minha casa um cinzeiro.

Fico sem saber se devo agradecer o facto de vocês já não serem meus vizinhos, se pelo facto da restante vizinhança, embora de fumadores, usem o cinzeiro ou a porta de outra pessoa, para arremessar a beata, prisca ou ponta, como se de um berlinde se tratasse. Contudo e ainda assim, obrigado!

Num pais (só conheço este, credo, sou tão pobre) onde gente que trabalhou uma vida inteira e ganham tostões, nesse mesmo pais onde supostamente roubam e ganham milhões, hoje tive medo.

Num pais onde todos são bombeiros, médicos, juízes, enfermeiros, advogados, policias e (imaginem só) treinadores de futebol, hoje tive medo.

Num pais onde todos querem ditar e recusam a ideia de escrever, hoje tive medo.

Lixo arremessado nas ruas, sinalização de trânsito desobedecida, terrenos por limpar, qual a solução? Autuar!

Vejo, na comunicação social, uma senhora a dizer que os terrenos não são limpos e pimba, vem a autoridade multar! Que grande resolução, mas calma. Não é quem fez a legislação, nem quem procedeu conforme determinado que está errado. Quem errou? Fácil, foi o educador de quem não limpou que errou na transmissão de valores, direitos e deveres. Ou serão deveres e direitos?

E na questão da sinalização de trânsito desobedecida, quem errou? O instrutor de condução? O polícia que, em vez de prender quem rouba, prefere passar multas? Não, claro que não. Foi de quem educou o condutor.

Arremessar lixo na via pública? Quem é o culpado? Of course, o educador novamente a ser chamado à baila.

Hoje tive medo, não por mim, mas sim pelo meu filho e, possivelmente, um dia pelo meu neto. Hoje tive medo da sociedade, na República das Bananas. Hoje, enquanto via o meu filho a brincar na rua, tinha mais receio da merda de lixo que há no chão do que propriamente se caia e se se esfolava no alcatrão.

O educador tem nome, é a Sociedade, sociedade esta que prefere apontar o dedo aos políticos, ao sistema judicial, ao sistema educacional, sistema de saúde… bolas, a palavra sistema aparece muito. Numa época de tachos e tachinhos, onde nem se pensa no Chef Chacal ou em Filipa Vacondeus, o cidadão parece que tem um vazio na cabeça e não pensa.

Será preciso assistir a um espetáculo do Zoomarine e pensar na natureza e dos seus habitantes? Será preciso varrer a nossa entrada todos os dias por causa da vizinhança? Será preciso haver uma tragédia todos os anos no que diz respeito a incêndios, para os terrenos aparecerem limpos?

Há quem diga que só se vive uma vez, tretas. Só se morre uma vez, pois temos boas hipóteses de viver 365 dias por ano, salvo aquela exceção de Fevereiro, e só começamos a refletir mais tarde, pois apontar o dedo é muito mais fácil.

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Bruno Marriço

Como alguém escreveu um dia, “ Não basta que todos sejam iguais perante a lei. É preciso que a lei seja igual perante todos. “.

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