Oops! It appears that you have disabled your Javascript. In order for you to see this page as it is meant to appear, we ask that you please re-enable your Javascript!
SociedadeSociedade

História de (Des) Amor

Se fosse uma história de amor, podia começar por “era uma vez” e acabar em “viveram felizes para sempre”. No entanto, como não é, vou começar por:

Certo dia, estava o João numa rede social e quando dá de caras com uma bela rapariga morena, de lindos olhos castanhos e penetrantes. Como pedir uma amizade é muito fácil, assim o fez. Não esperava que fosse aceite, mas num impulso fez o pedido. Ele não queria mais do que admirar a beleza dela, nem que fosse por foto. E o plano resultou, pois ela aceitou o pedido. E assim ficaram as coisas durante um largo tempo. Ele era limitado na sua autonomia, nem um simples café podia ir tomar sem ajuda de terceiros, logo os sonhos eram mesmo isso… sonhos!

No entanto, tudo mudou com a cadeira elétrica que recebeu. Ganhou a autonomia que desejava e podia sair sozinho de casa, sem ter que dar explicações de tudo o que fazia.

Contudo, João era um rapaz tímido, muito introvertido, vivia nas suas quatro paredes e o computador era uma janela para o mundo. A partir daquele momento, todo um mundo abriu-se. As pessoas de que ouvia falar ganharam um rosto, conheceu-as, riu e entristeceu, mas tinha liberdade de escolher onde queria estar. E a Maria? Bem, ela continuava quieta no seu canto, até que João lembrou-se de dizer um simples “olá” e sem se aperceber, abriu uma verdadeira caixinha de surpresas.

A rapariga foi muito simpática e alimentou o diálogo, mesmo sabendo que o João não seria a perfeição em termos físicos. Combinaram um café, que por uma razão ou por outra, foi sendo adiado. Parecia o destino a afastá-los. Porém, o dia chegou e com ele chegaram as primeiras conversas sem um ecrã a separá-los. E os encontros também começaram a ser frequentes, na “Sede”. Era uma paragem de autocarros onde raramente passava alguém. Estavam ali sossegados a conversar sobre tudo e sobre nada. Tornou-se um hábito aquelas conversas ao fim da tarde, mesmo que o João tivesse que percorrer mais de um quilómetro para lá chegar.

E fê-lo com calor, frio, fizesse chuva ou fizesse sol. Ele não se importava de fazer aquela estrada todos os dias, porque algo maior o movia, mesmo sabendo que aquilo era uma boa amizade e nada mais. Porém, como nada é perfeito, estes encontros também não o eram. Maria, muitas vezes, aproveitava-se dos encontros, apenas para matar o vício de fumar. Ele sabia-o perfeitamente que servia de alibi, mas nunca se importou. Deixava andar, porque a vontade de estar junto dela era maior. Era a mulher perfeita aos seus olhos… até que começaram a rarear os encontros naquela paragem, sem explicação aparente. João também tomou a decisão de não a procurar, por mais que lhe custasse. E assim fez, queria ver até onde ia esta “birra” por parte da Maria. A verdade é que foi bem longe, com a rapariga a afastar-se, deixando João numa tristeza indisfarçável, aos olhos de quem o rodeava. Aquela amizade (ou seria algo mais?), em que tinha investido e sacrificado o seu tempo, simplesmente esfumou-se no ar. Tornou-se aquilo que João sempre soube que, inconscientemente ia ser… uma utopia!

Show More

José Agrela

Colaboro com o Diário de Notícias da Madeira (www.dnoticias.pt) pontualmente. Faço uma crónica desportiva semanal para a Antena Web (noticias-antenaweb.blogspot.pt)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker
%d bloggers like this: