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Hellcat: o bad boy americano

Os americanos são indivíduos relativamente simples de alegrar. Um bom churrasco, uma pistola com um calibre enorme ou um carro americano com imensa potência e qualquer americano se transforma numa criança feliz da vida. No que toca aos carros (também se pode aplicar aos churrascos e às armas) os americanos têm um lema: maior é sempre melhor. E nenhum carro exemplifica melhor esse lema que o Dodge Challenger SRT Hellcat.

Apresentado em 2014, para ser vendido como modelo de 2015, o Hellcat é só o carro americano de serie mais potente e um dos mais potentes do mundo. Tal deve-se a um V8 de 6.2 litros com um super-compressor, que debita nada mais, nada menos do que uns 707 capazes-de-provocar-tremores-de-terra-com-tanto-barulho-que-fazem (talvez esteja a exagerar um bocadinho) cavalos de potência. Porém, isto não foi simplesmente um caso de ligar ao Bob da garagem, manda-lo poisar o cheeseburger e tirar um motor e pôr outro maior. O motor do Hellcat foi pensado não só para ser potente, mas acima de tudo durável.

Tal como aconteceu com o motor, houve também um reforço quase total dos restantes componentes, como o chassis e a suspensão, para poderem lidar melhor com a potência e darem mais estabilidade ao carro. Os arcos das rodas foram aumentados para poderem admitir as jantes de 20 polegadas e os travões de 15 polegadas. O capot e o pára-choques frontal do Hellcat foram redesenhados para permitir a entrada e saída de ar do compartimento do motor. O capot passa a ter uma entrada de ar central e duas saídas de ar laterais. No para-choques, desaparece o farol de nevoeiro do lado do condutor, para dar lugar à entrada de ar para o compressor (o do lado do passageiro também desaparece, mas não tem função – Americanices…). É um dos poucos carros no mundo onde primeiro está a função e depois a forma.

Para agradar a gregos e troianos, o Hellcat tem não uma, mas duas caixas de velocidades à disposição – uma, manual de 6 relações e outra, automática de 8 de relações. Com qualquer delas, o Hellcat cumpre os 0-100 km/h, nuns curtos 3,9 segundos, os 0-200 km/h em 10,24 segundos e os 0-300 km/h em 38 segundos e, havendo estrada suficiente, irá atingir os 320 km/h. Isto num carro que pode ser perfeitamente usado todos os dias.

O interior do Hellcat é perfeitamente normal, sem grandes luxos. Pelo interior é um carro perfeitamente normal. No entanto, há uns detalhes engraçados. O Hellcat tem não uma, mas duas chaves: uma preta e uma vermelha. A preta limita o carro a 500 cavalos, enquanto a vermelha solta todos os 707 capazes-de-provocar-tremores-de-terra-com-tanto-barulho-que-fazem cavalos de potência. Com a chave vermelha, o interior é completamente diferente. O fundo dos conta-rotações e o velocímetro passam a ser vermelhos e passa também a ser possível, através do ecrã montado no tablier, controlar todos os aspectos do carro, desde a suspensão até à forca com que as relações da caixa são passadas (sim, inclui o barulho que sai dos escapes), no fundo, transformando o Hellcat em vários carros diferentes.

Contudo, tem dois defeitos. Um bocadinho de acelerador a mais e a zona onde está vai ficar coberta de fumo e a cheirar a pneu queimado (não é propriamente um defeito, mas achei que deviam ser informados), e infelizmente não é possível exportar um para Europa, sob a desculpa de que não respeita as emissões de dióxido de carbono.

Agora, pensam os leitores: “isto deve custar uma fortuna!” Os leitores estão enganados. Uma vez que quase tudo o que é considerado extra já vem de origem, há apenas 4 extras: o tecto de abrir, as jantes em cor bronze, os pneus de Verão e o capot em preto baço. Mesmo com todos os extras, fica perto, mas não ultrapassa os 75 mil dólares (ainda dá para ir comer um bife ou uns hambúrgueres no McDonald’s).

Compre o seu e faça a mítica Route 66, desde Chicago até Los Angeles (obviamente com a chave vermelha). E naquelas rectas intermináveis, estique o Hellcat e provoque tremores de terra. Quem o vir, agradece (mesmo que fique sem casa).

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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