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Helix

Quando uma série começa a sua segunda temporada, costumo questionar-me se, primeiro, é necessário ver a Temporada 1 para perceber a nova e, segundo, como é que ela é relativamente à temporada de estreia? Relativamente à primeira questão e no que toca a Helix, que estreou a sua segunda temporada no MOV a 13 de Fevereiro, é mais do que claro que não é necessário ter visto a primeira temporada para conseguir compreender o episódio de estreia da nova temporada. Apesar de, neste episódio, existirem algumas referências a alguns dos acontecimentos passados, também existem menções a ocorrências que tiveram lugar entre as duas temporadas e que ninguém que acompanhou a série tinha conhecimento. Ou seja, se estás a ter o teu primeiro contacto com a série no início da segunda temporada e sentes-te um pouco perdido, é algo normal, porque, em alguns momentos, é possível que também os que acompanharam a primeira temporada sintam o mesmo. O melhor a fazer é relaxar e esperar que a acção se desenvolva, para conseguirmos compreender tudo o que está a acontecer. Existe apenas uma revelação sobre uma personagem que pode ser difícil de entender sem terem o historial completo da mesma, mas isto também é fácil de compreender através das várias promoções da série.

Em nome da boa verdade, quem nunca viu a Temporada 1 estão com mais sorte do que aqueles que a viram, já que, como novatos que são, não podem fazer comparações entre as duas temporadas. O que me leva à minha segunda questão: Comparativamente à primeira, como se comporta a estreia da segunda temporada? A resposta: não muito bem. Confesso que me senti desapontado com o rumo escolhido para o episódio.

O ano de estreia de Helix foi arrojado e diferente, num bom sentido. Foi (minimamente) científico, inteligente, sinuoso, digno de se voltar a ver e com muitas camadas interpretativas. Até era composta por músicas que eram usadas de forma irónica. O que foi quase a minha característica favorita na série. No entanto, o melhor foi o enredo repleto de mistérios que iam, progressivamente, aumentando há medida que os episódios iam passando.

Claro que tenho a perfeita noção de que ver apenas o episódio de estreia da segunda temporada não me permite perceber o caminho que a série irá construir ao longo dos novos episódios, mas permite-me perceber claramente a sua premissa: existe um surto de um vírus totalmente desconhecido, num lugar remoto e distanciado do resto do mundo e que pode estar relacionado com as actividades de um grupo aparentemente suspeito. Hmm, porque é que esta descrição me parece familiar? Ah, sim, este é o mesmo enredo da primeira temporada.

Atenção à navegação: se não viste a primeira temporada, por favor, salta este e voltei apenas no parágrafo que começa com “Novatos em Helix”. Pode ser?

Companheiros de viagem da Temporada 1, lembram-se da série ter terminado com a empresa Ilaria a conseguir escapar impune aos seus crimes, juntamente com a filha de Hatake, a Dr.ª Julia Walker, e mais tarde o Dr. Alan Farragut pensa tê-la encontrado no edifício da Ilaria em Paris, onde também a vemos a presidir a uma reunião de administração com pessoas com um olhar sem escrúpulos? Foi uma cena tão interessante e cativante, ao lançar os dados para uma grande conspiração corporativa a nível global. Deixou-me a salivar para perceber o que viria a seguir… E os produtores decidem repetir o mesmo caminho, mais uma vez.

Novatos em Helix, já é seguro voltarem a esta crítica, isto, se já não o fizeram. Tenho apenas um pequeno aviso a fazer sobre esta série e que não revela nada sobre o enredo desenvolvido até agora. Não se deve estar a comer, enquanto se vê um episódio, seja ele qual for. Comida só no fim de qualquer episódio, já que existem aspectos um pouco “nojentos” em algumas das cenas apresentadas. É o elemento que, pelo menos no meu caso, mais se agarra à nossa memória, quando os episódios terminam. Pode ser que eu seja demasiado sensível a estas imagens, mas estou só a avisar: não comam, quando estão a ver esta série, principalmente no início de cada episódio.

Se fores novo no mundo de Helix, ou gostaste vários e diferentes aspectos da primeira temporada, ou se queres voltar a ver a mesma premissa, mas sem a excelência de Hiroyuki Sanada, o ártico, a gosma preta e os diálogos certeiros, então, deverás ficar intrigado com o primeiro episódio da segunda temporada. É uma premissa interessante e existem alguns twists muito interessantes. Kyra Zagorsky faz um trabalho interpretativo estupendo e os efeitos criados com maquilhagem estão soberbos. Apesar de não ter ficado encantado com este episódio, vou continuar a ver a série e tenho a esperança que esta frustração que sinto desapareça nos próximos episódios.

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Miguel Arranhado

licenciado em ciências da linguagem, pela faculdade de letras da universidade de lisboa. editor no repórter sombra. amante das artes e da cultura. politólogo de sofá. curioso por natureza. fascinado pelas pessoas e pelo mundo. crítico. perfeccionista. maníaco por informação. criativo. e assim assim...

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