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Há lá coisa mai linda que a Paixão?

Adoro um bom desafio, é a pura das verdades. Mais do que isso, se for um que me faça superar dificuldades que tenha, ainda fico mais satisfeita por me ter proposto ao mesmo… mas talvez seja melhor começar pelo início. Aqui a vossa amiga anda apaixonada e a verdade é que, quando estamos neste estado de graça, nada é difícil e não existem obstáculos, nem impossíveis, certo?

Além disso, queria fazer algo muito especial para esta minha pessoa. Durante este período de graça, é relativamente fácil fazer qualquer coisa sensaborona, tendo em conta que falamos em receitas com pouco açúcar, pouca gordura, cereais integrais. Ia torcendo o nariz a cada ideia que me ia surgindo, pois, à medida que ia escrevendo as receitas e as ia colocando na minha caixinha no separador “experiência”, mais me ia parecendo que a coisa ia descambar. Como já devem ter percebido pelos ingredientes que enunciei, disse a mim mesma que faria uma sobremesa (aquele tipo de coisas que corre sempre tão bem, quando sou eu a fazê-las – e isto é ser meiguinha), o mais saudável possível. A razão pela qual o queria fazer prendia-se com o facto de a pessoa com quem ia jantar ter o nível de glicémia ligeiramente acima da média e ter igual alguma dificuldade em conseguir consumir este tipo de iguarias. Sendo assim, andei uns dias a matutar o que poderia fazer para cumprir dois objectivos:

Precisava de confeccionar uma sobremesa light e cujo ingrediente principal fosse café.

Com o jantar marcado para sexta, lá resolvi na quinta, quando a casa já estava quieta e o relógio marcava quase a 1h da manhã (sim, eu sei, era tarde, mas a inspiração chegou-me naquela altura – como recusar?), meter mãos à obra. Não fazia ideia de como ia correr, mas querem saber? Se corresse mal, recomeçava novamente, que não sou de desistir. Estava sem sono mesmo. Para além disso, tinha um backup plan à prova de falhas, mas já lá vamos…

43c3301d81bd4ea4a9fec5beaf43a541Comecei por fazer uma base com: 200 grs. de várias farinhas (aveia, centeio e trigo integral) – bom, para ser completamente sincera, triturei os grãos, mas acho que vocês não querem saber isso, sendo que podem usar apenas farinha de trigo integral; 50 grs. de Becel amolecida; 2 colheres de sobremesa de café solúvel; 1 colher de sobremesa de cacau; e 1 colher de sopa de aspartame. Misturei tudo até formar uma pasta, liguei o forno a 200º, acamei a mistura numa forma de silicone e levei a cozer, por 15 minutos. Retirei do forno e deixei arrefecer.

Começou finalmente a desenhar-se na minha cabeça como ia fazer a sobremesa:

Coloquei em água fria 3 folhas de gelatina e reservei para que amolecesse. Misturei num recipiente, duas embalagens (400grs) de queijo-creme natural, aos quais juntei 400 grs de natas, tudo light e com o mínimo de gordura possível, pois o ingrediente que ia juntar a seguir ia estragar por completo tudo o que tinha estado a desenvolver. Contudo, não consegui encontrar algo que o substituísse e, assim, a sobremesa também teria de ser consumida em doses homeopáticas.

Bati o queijo, as natas e de seguida juntei 200 grs de leite condensado light (eu sei, eu sei…). Voltei a misturar tudo e, por fim, retirei grande parte da água que tinha juntado à gelatina e coloquei no microondas, na temperatura mais alta, apenas pelo tempo suficiente para que a gelatina se dissolvesse. Retirei e coloquei na mistura, juntamente com uma colher de sobremesa de café solúvel. Neste momento do processo, é bom que se tenha uma batedeira por perto, para que a gelatina se misture uniformemente.

Estava pronto a colocar na forma, que iria para o frigorífico. No dia seguinte, seria apenas necessário, colocar por cima um pouco de cacau em pó, para contrabalançar o sabor do café e do leite condensado. Chamei-lhe Cheesecake de Capuccino.

Quanto ao jantar no dia seguinte e ao meu convidado…

Pelo sim, pelo não e para assegurar que não se queixava da refeição e muito menos da sobremesa (sabendo de antemão que não costuma beber), coloquei em prática o meu backup plan – fiz uma sangria de Champagne. Como devem calcular, a sobremesa estava divinal! Estava mesmo, aliás, como tudo o resto. Contudo, num jantar de índole romântica, quem é que quer saber da sobremesa mesmo, humm?!

As simple as that!

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Marisa Coelho

Eu, curiosa aprendiz de tachos e letras, inspiro-me nas referências do digníssimo trabalho de outros e dou-lhe o meu cunho pessoal. Conto estórias com personagens, tempos e espaços, condimentadas q.b. E sempre em busca do ingrediente perfeito que muitas vezes se encontra na Dita paixão do que se faz.

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