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Guia estratégico para o uso de asneiras

“A asneira é sempre faladora.” Já o dizia Oliver Goldsmith e, na verdade, com apenas uma asneira conseguimos transmitir mais sentimentos e maior convicção do que quando usamos maiores conversas. Se dissermos: “Isto foi interessante!” E se dissermos: “Foda-se! Isto foi um espectáculo!” A expressão que vai convencer melhor é precisamente aquela que tem a asneira. A questão é que nem sempre podemos ou devemos usar asneiras para nos expressarmos melhor. Então, como usar devidamente as asneiras? Vamos tentar perceber através do guia estratégico para o uso de asneiras.

1º Avaliação do cenário e das pessoas com quem vamos comunicar:

Deve-se começar por uma breve avaliação do cenário e das pessoas que dele fazem parte, principalmente aquelas com quem vamos falar. Por exemplo: se o cenário for formal como uma entrevista para um emprego, em que a primeira imagem do entrevistado tem um grande peso na selecção do entrevistador, a linguagem deve ser cuidadosa e as asneiras devem ser evitadas, pois é esperado uma atitude profissional e íntegra. Se se tratar de um cenário menos formal, como por exemplo um convívio entre amigos, a empregabilidade de asneiras é uma atitude recebida com mais normalidade e até correspondida, uma vez que expressa o “à-vontade” e o bem que a pessoa pode sentir naquele ambiente. Num cenário de maior exaltação emocional, o uso de asneiras reflecte uma afirmação de descontentamento, o que pode levar a uma solução mais rápida do problema. Este é um cenário que se verifica em situações de reclamações. Pode não ser a maneira mais educada de ver a situação resolvida, mas é, na maior parte dos casos, a mais rápida a ser solucionada pelo simples motivo do uso de asneiras poder transmitir a outras pessoas descontentes com o mesmo serviço, uma desistência em massa.

2º Avaliação da relação com as pessoas envolvidas no cenário:

A relação que temos ou que vamos ter com as pessoas num determinado cenário, também deve ser avaliada antes de usarmos asneiras na conversa. Não vamos querer usar asneiras, quando falamos com a professora dos nossos filhos, pois a relação pais-professores baseia-se na confiança e no respeito. Se as pessoas que se encontram no cenário são amigos próximos ou família, o uso de asneiras é permitido, pois transmite uma situação de conforto e uma certa intimidade que não constrange ninguém. Com colegas de profissão o uso de asneiras deve ser limitado, pois nunca se sabe ao certo como pode ser interpretado. Ao dizer: “Foda-se esta merda!” A pessoa pode apenas estar a desanuviar o stress, mas o colega de trabalho pode entender como uma ofensa a si próprio e criar situações de conflito no emprego.

3º Avaliação da reacção das pessoas:

Se à partida conseguirmos perceber, que dizer asneiras não vai fazer com que a pessoa que nos ouve aja melhor, evite usar asneiras. Por exemplo, se um polícia o mandar parar numa operação “stop”, já sabe que se disser algo do género: “ Estás a mandar-me parar porquê, caralho?!” Não vai fazer com que o polícia lhe facilite a vida, muito pelo contrário. Por outro lado, se está a pagar um serviço e é mal servido, pode durante uma reclamação, sublinhar a sua frustração com o uso de asneiras desde que seja limitado: “Ando a pagar um serviço que é uma merda!” Isto já está a implicar no seu discurso uma intenção futura de desistência do serviço, o que fará com que a pessoa que o está a atender tenha todo o interesse em lhe resolver a situação pois não lhe interessa perder um cliente.

4º Avaliação do ambiente onde se encontram:

Para além dos pontos anteriores, uma das variáveis que há a ter em conta, no que diz respeito à usabilidade de asneiras, é o ambiente. É importante entender que a maneira de conversar com pessoas mais próximas de nós, em casa, pode não ser a maneira mais adequada para falar com essas mesmas pessoas se se tratar de um ambiente menos familiar, como por exemplo na festa da escola dos filhos. Nesse caso, embora o grupo de pessoas seja o mesmo, o ambiente em que se encontram é diferente e exige que seja evitado o uso do calão na linguagem.

Embora seja grande a lista de asneiras que pode ser usada no nosso dia-a-dia e maior ainda a vontade de nos podermos expressar através destas, devem ser definidos limites de consciência relativamente a quando ou como devem ou não ser usadas. Muitos são os factores a ter em conta, quando usamos asneiras e por muito que elas nos façam sentir melhor, devemos perceber que elas podem ser entendidas de maneira errada ou ofensiva por quem as ouve e o quanto isso pode influenciar uma situação.

Mafalda Parreira

Sou a Mafalda e tenho 37 anos. Trabalho como repositora logística. Tenho o 12º ano e estou a tirar o curso de auxiliar de reabilitação e fisioterapia em horário pós-laboral, para exercer futuramente, pois é um dos meus sonhos e ainda não estou velha para o deixar escapar! Tenho um filhote lindo de 8 anos que me apoia muito e é o meu orgulho. Adoro ler, escrever, cozinhar, caminhar e experimentar coisas novas! Tenho 2 gatos maravilhosos (e um pouco loucos também!!) e um aquário cheio de peixes.

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