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Guerra de Gigantes: Marvel e DC Comics no cinema

Ao falarmos de adaptações de bandas desenhadas ao cinema é impossível fugirmos aos clássicos instantâneos das gigantes Marvel e DC Comics. Certamente com vários defeitos que lhes podem ser apontados (deixemo-los para o fim), estes grandes êxitos de bilheteira têm vindo a dominar o panorama cinematográfico dos últimos 15 anos, com filmes de qualidade técnica e, até certo ponto, artística, como até então tinha faltado ao género.

Responsável por alguns dos universos fictícios mais completos e complexos de qualquer género, o mundo das BDs é hoje em dia uma óbvia fonte de material para filmes de massas. No entanto, tendo a sua origem em franjas da população por norma ignoradas, o crescimento, aceitação e até usurpação do estilo “geek” permitiu que as já grandes empresas da área pudessem aproveitar o sucesso comercial dos recentes anos.

Tudo isto leva-nos aos dois principais lados da barricada: a luta entre a Marvel e a DC Comics. Anteriormente dependentes de várias produtoras cinematográficas para o desenvolvimento de longas-metragens com os seus personagens (o que levou à perda de direitos sobre algumas delas), a Marvel iniciou a explosão de super-heróis com a própria produção de filmes da saga The Avengers (onde incluo os filmes stand-alone e o tie-in referido). É certo que as trilogias de Spider-Man (2002, 2004 e 2007), de The Dark Night (2005, 2008 e 2012) e X-Men são importantes precursores do sucesso e estilo das duas empresas, é com Iron Man e companhia que tanto críticos, como espectadores aceitam os filmes de super-heróis como a norma para blockbusters.

Em termos de estilo, são observáveis algumas diferenças entre os filmes das duas famílias de super-heróis referidas. Por um lado, a DC Comics, com a herança do sucesso dos filmes de Christopher Nolan e Man of Steel, pretende seguir por um caminho mais negro e sombrio com os seus futuros filmes (Batman v Superman, Justice League, Suicide Squad), enquanto a Marvel tem construído as suas narrativas numa linha mais leve e cómica, retirando assim parte do peso de se ter de levar demasiado a sério, criando receitas perfeitas para filmes de Verão (muito provavelmente é aí que reside o seu sucesso).

Olhando para a qualidade dos filmes de cada uma das editoras, podemos encontrar bons e maus filmes. Pegando num dos personagens que até ao momento vinha sendo construído com base em caricaturas, o realizador de The Dark Knight adoptou criou, com grande sucesso qualitativo, um estilo com mais gravitas, fazendo lembrar a novela gráfica de Frank Miller. Contrariamente, apesar da Catwoman de Michelle Pfeiffer ter dado a indicação de que um filme com a personagem felina poderia ser um sucesso, a versão interpretada por Halle Berry acabou por provar ser um grande erro por parte de todos os envolvidos. Do lado da Marvel, somos capazes de encontrar muitos projectos de extrema competência e qualidade (Iron Man, The Avengers, Guardians of the Galaxy, entre outros), mas também uma longa lista de filmes que servem apenas como exemplo do que não se deve fazer (Elektra, Daredevil, Ghost Rider).

Com os próximos anos recheados de projectos de ambas as editoras para o grande ecrã, será de esperar que cada uma siga pelo caminho no qual encontrou sucesso: a DC Comics com filmes mais negros e sérios (chamemos-lhe assim), ficando Marvel responsável por um estilo de comédia/acção que lhe vem sendo característico. Entre os filmes mais antecipados, que determinarão a quantidade de sequelas e spin-offs produzidas, estão o já próximo Batman v Superman e Suicide Squad, por um lado, e Ant-Man e Doctor Strange, por outro.

Por último, fica a questão do perigo proveniente deste género de cinema. Será este um estilo que permite o crescimento de outros projectos à sua volta, que em nada estão relacionados com o estilo em questão, ou será uma espécie de eucalipto que se dissemina, esgotando os recursos disponíveis e levando à quase extinção da diversidade cinematográfica? Ainda que a última opção seja muito provável, apenas o tempo o dirá.

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André Ferreira

“Political junkie”, europeísta convicto e keynesiano por natureza. Ocupa todo o tempo que consegue com séries, filmes, música, livros, podcasts e qualquer outra fonte de entretenimento que consiga encontrar.

Licenciado em Línguas, Literaturas e Culturas pela FLUL-UL e pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela FCSH-UNL.

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