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CinemaCultura

Green Book

Um Guia Para a Vida

O que me chamou primeiro à atenção quando comecei a assistir ao filme, foi a banda sonora. Os ritmos vibrantes do jazz, ecoaram na cena é que apresentaram o primeiro protagonista deste filme. Tony Lip (Viggo Mortensen) é um americano com origens italianas, que vive no seio e uma grande família. Com origens humildes, tenta conseguir a melhor maneira de arranjar dinheiro fácil, sem ter um emprego fixo. Seja a conduzir camiões do lixo, pequenos trabalhos ilícitos ou até mesmo em apostas para descobrir quem come mais hambúrgueres. Como não se sente confortável a estar sempre na corda bamba, decide aceitar o emprego a que foi recomendado, ser motorista privado de um doutor. Em emprego descomplicado e com bom dinheiro. No dia da entrevista, Tony ficou admirado com a casa do seu empregador. Vivia sozinho, num gigante apartamento com uma decoração exuberante. Talha dourada, couro, veludo vermelho e marfim exposto. Tudo de um requinte e luxo. Lip (como era atenciosamente conhecido pelos amigos) ficou deslumbrado e rapidamente percebeu que não estava perto de um homem comum. Quem o entrevista é Don  Shirley (Mahershala Ali) um famoso pianista de raça negra que pretende começar a fazer uma digressão pelas cidades de sul dos Estados Unidos da América. O que acontece durante esses dois meses de viagem juntos, vai marca-los para sempre. Apesar das várias diferenças de culturas, tornam-se amigos para a vida.

No início dos ano 60, os Estados Unidos da América ainda não aceitavam completamente pessoas de cor diferente no mesmo espaço. Ainda existia o preconceito social bem vincado e racista. Como tal, em 1936, Victor Hugo Green, um afro-americano criou um livro que serviu de guia para viajar, seleccionando os locais próprios para pessoas de cor.  Foi esse mesmo livro que Don  Shirley utilizou durante o seu trajecto a Sul. Apesar da sua fama a norte e centro, mesmo depois de tocar ao vivo na Casa Branca, pretendia mudar opiniões e integrar-se da melhor maneira possível no país que também era seu.

Um argumento bem linear, mas com vários momentos que apelam ao coração. Duas diferentes educações confrontadas em vários momentos. Don Shirley ajudou Tony Lip a escrever cartas com mais sentimento à sua esposa que aguardava pela sua chegada na véspera de Natal, assim como a melhorar o seu vocabulário de gíria. Já o contrário aconteceu, quando Lip protegia o seu patrão de várias situações humilhantes. O seu diálogo persuasivo e muito carismático conseguia convencer qualquer um. Além disso a narrativa não cansa, e está sempre a acontecer algo de novo, não existe momentos parados, nem falsos dramatismos.

Além da nomeação para Melhor Filme, “Green Book“, tem no seu elenco dois atores nomeados. Viggo Mortensen na categoria de melhor ator e Mahershala Ali como melhor ator secundário. Ambos com hipóteses de ganhar. O primeiro revela um fácil à vontade com a sua personagem. O sotaque italiano bem estudado facilita a conexão que mantemos com esta personagem. As suas atitudes são o melhor que oferece à sua actuação. Um estilo de macho bem disfarçado que tropeça muito nas palavras, mas tem um bom coração. Já Mahershala Ali apresenta uma postura recta, mantido num tom de voz sereno e calmo. A sua seriedade é do mais tranquilizante possível, sem destabilizar a sua personagem.

Pode parece pouco credível, mas esta história foi mesmo baseada em factos verídicos. Tony Lip e Don  Shirley faleceram ambos em 2013, com apenas três meses de diferença. O que começou com um simples trabalho, tornou-se numa amizade para a vida. Don Shirley era um prodígio do piano e tocava Chopin facilmente, mantinha um talento natural. Sonhava mudar mentalidades, e por tal decidiu fazer esta digressão, por caminhos ainda com preconceito relativamente a pessoas de raça negra. A América ainda estava em luta e demorou alguns anos a acalmar. Sem grandes atitudes, não existem grandes feitos. Claro que houve factos mudados para melhor encaixarem no formato de cinema. No filme Don Shirley debatia-se por não se conseguir integrar em nenhum ambiente social. Tinha demasiada cultura, dinheiro e educação para os estar com as pessoas do seu tom de pele. Por outro lado tinha o tom pele demasiado escuro para estar com os de pele clara. No realidade não era bem assim, Shirley respeitava as suas origens e conhecia bem a sua cultura. Apesar de viver num mundo de brancos, conhecia o sabor do frango frito e vibrava com boa música mais ritmada.

Concluindo “Green Book” tem grandes hipóteses de vencer algum Óscar. Muito porque apresenta uma história interessante e imporvável, mas também porque relembra a desigualdade social e de classes, que esteve presente nos nossos dias, não há muitos anos.

 

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Célia Paula

Licenciada em Ciências da Comunicação, adoro escrever e ler. Sou lontra de sofá, amante de filmes e séries de televisão, vejo tudo o que que posso. Aprendiz de geek, vivo num mundo de fantasia. Adoro a vida, e ainda há tanto para descobrir.

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