Desporto

Golden State é para título?

Splash, Splash, Splash

Este é o som, reduzido à simplicidade de algumas letras conjugadas em busca de sentido, de uma bola de basquetebol a entrar no cesto. A não tocar em mais nada, a não ser na rede que envolve o aro… Splash. Há quem diga que é um dos sons mais bonitos da modalidade, mas é de certeza unânime que é o som que melhor define os Golden State Warriors, Splash. Cestos, pontos, capacidade ofensiva, ritmo frenético, Splash!

A poucos dias de terminar a época Regular da NBA, já sabemos que o melhor registo da liga pertence à equipa dos Golden State Warriors. Na altura em que este artigo é escrito, são 64 vitórias e, apenas, 15 derrotas que marcam o registo dos “guerreiros”. Ainda assim, sabemos que nem sempre o melhor registo é sinónimo de título de campeão e, numa conferência Oeste repleta de talento, há muitos fãs com dúvidas da real capacidade desta equipa. Serão essas incertezas legítimas?

Vou começar por constatar o óbvio, Stephen Curry é o líder dos Warriors e, provavelmente, merece ser o MVP da temporada. Um jogador que tem 23.9 pontos por jogo, 4.3 ressaltos por jogo, 7.8 assistências por jogo e, tudo isto, em 48.6% de percentagem de lançamento (44.2% na linha de três pontos) é um grande bónus, seja para quem for. Também é obrigatório falar de Klay Thompson, outra arma ofensiva letal. O atleta está a realizar a melhor época da sua, ainda curta, carreira na liga com 21.3 pontos por jogo em 45.8% de eficácia nos lançamentos. Porém, para quem pensa que os Warriors se resumem a estes dois jogadores, vou dar mais sete argumentos muito fortes: Draymond Green, que teve uma evolução brutal em relação à época transacta; Marreese Speights, um dos homens do banco que melhor tem jogado em toda a liga; Harrinson Barnes; Andre Iguodala; David Lee; Leandro Barbosa e Andrew Bogut.

E, já me esquecia, Splash!

Pois é, quem diria, no início da temporada, que os Golden State Warriors são, na verdade, dos rosters mais profundos da NBA? É normal que Curry e Thompson roubem o protagonismo mediático, mas isso não significa que o resto não contribua como pode e com o talento que, também, tem.

Aliada à qualidade da equipa, está o trabalho do treinador, o ex-jogador dos Chicago Bulls e ex-colega de Michael Jordan, Steve Kerr. Foi uma mudança algo polémica, a decisão da direcção em demitir Mark Jackson e apostar numa pessoa que sim, percebe de basquetebol como poucos, mas que não tinha qualquer experiência técnica. O próprio Stephen Curry admitiu não ter ficado feliz com o processo. Felizmente para os Warriors e, para nós, fãs da NBA, a polémica não só caiu em saco roto como a dinâmica da equipa acabou por funcionar em grande. Um autêntico Splash, também, na gestão desportiva.

Porém, apesar dos Super-Warriors serem uma realidade a ter em conta, existe uma espécie de kryptonite, uma estirpe das mais fortes, das mais letais, das mais perigosas, para as aspirações dos Warriors ao título de campeão. Essa kryptonite chama-se San Antonio Spurs, os eternos candidatos desde o início do milénio. É verdade, apesar da conferência Oeste estar repleta de boas equipas, são os Spurs a única que coloco com capacidades para derrotar o melhor registo da liga. Depois, numa futura final com a melhor da conferência Este, a conversa será outra, mas, até lá, não tenho grandes dúvidas que será reduzido a Warriors, ou Spurs.

Sejam estas previsões certeiras, ou completamente ao lado, uma coisa é certa: os Playoffs vão ser emocionantes e bastante competitivos. Mesmo com a privação de alguns candidatos crónicos, há muito talento na liga e vários motivos para ficar agarrado à televisão durante as madrugadas.

E, claro, nunca esquecer…

Splash!

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Filipe Pardal

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. É assim que o meu currículo académico se define. Quanto às origens: 90% alentejano e 10% algarvio, ambas com um orgulho desmedido ainda que por motivos diferentes. As minhas temáticas preferidas vão desde a política ao desporto, com passagem pela música e literatura. A mistura parece abrangente mas a paixão é bem concreta: escrever e investigar.

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