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Gods of Egypt

Já indiciado como o maior fiasco do ano, Gods of Egypt joga com as mesmas “peças” que o anterior Clash of the Titans, reinventado livremente uma mitologia. Ao contrário do seu antecessor que se vingou nas bilheteiras mundiais, a nova fita de Alex Proyas embica por uma estrutura narrativa mais consistente, mas nem por isso longe da puerilidade.

Infantilidade saiu-se o realizador, o mesmo homem por detrás dos cultos The Crow e Dark City (e ainda surpresa de I, Robot), que soma aqui uma produção amaldiçoada por deuses, desde primeiro momento em que foi anunciado. Ora foram as acusações de falta de diversidade cultural nas personagens, ora foi a repulsa geral dos espectadores após as primeiras imagens, ou simplesmente o desinteresse do mesmos perante um ano recheado de super-heróis, a verdade é que Proyas acusou a crítica de ser injustiça para que o seu trabalho, argumento que apenas fizera um filme para público e para o público apenas. Contudo, até mesmo nesse sentido, Gods of Egypt falha através dos elementos mais básicos do cinema-espectáculo.

Nikolaj Coster-Waldau! Bem, vamos esquecer isto, pode ser?
Nikolaj Coster-Waldau! Bem, vamos esquecer isto, pode ser?

Primeiro, não sabe construir personagens e muito menos relações entre elas, os sentimentos vinculados parecem forçados, soldados a frio para quem os renega, segundo o uso e abuso de efeitos visuais sufoca a narrativa que poderia ser lançada como um mero dispositivo de contar uma simples história, e anexado ao enredo a previsibilidade e os lugares-comuns de sempre são invocados pela enésima vez. O problema numa liberdade fantasiosa não é ser livre, é ser-se criativo e Gods of Egypt é prejudicado simplesmente por isso, pela ausência de imaginação. Tudo ocorre automaticamente, glorificando um trabalho de narração digno de um videojogo e numa sucessão pouco interactiva com as suas respectivas sequências de acção, essas datadas e empoeiradas.

Com Gerard Butler a repetir as “façanhas” de 300, ou pelo menos tentando por isso, e um Geoffrey Rush como a presença de luxo dos blockbusters actuais, Gods of Egypt especifica o evidente, os deuses abandonaram Alex Proyas, que apresenta aqui o seu pior trabalho de carreira.

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Hugo Gomes

Jornalista freelancer e crítico de cinema registado na Online Film Critics Society, dos EUA. Começou o seu percurso ao escrever no blog "Cinematograficamente Falando", acabando por colaborar nos sites C7nema, Kerodicas e Repórter Sombra, e ainda na Nisimazine, a publicação oficial da NISI MASA - European Network of Young Cinema. Nesse âmbito ainda frequentou o workshop de crítica de cinema em San Sebastian, também cedido pela NISI Masa, e completou o curso livre de "Ensaio Audiovisual e a Crítica de Cinema como Prática Criativa" da Faculdade de Ciências Sociais e Humana das Universidade Nova de Lisboa. Foi um dos programadores da edição de 2015 do FEST: Festival de Novos Realizadores de Espinho, e actualmente cobre uma vasta gama de festivais, quer nacionais, quer internacionais (Cannes, San Sebastian).

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