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Saúde

Gluten-fear

O nome Glúten é utilizado para denominar um conjunto de proteínas insolúveis em água, presentes no endosperma do grão de trigo, estando também presente no centeio e na cevada. Para algumas pessoas, estima-se que para 1% da população Ocidental, esta substância é um problema: mesmo a ingestão de quantidades ínfimas pode dar aso a sintomas, em alguns casos, verdadeiramente drásticos. Estamos a falar dos doentes celíacos.

A doença celíaca, uma doença autoimune, que causa uma sensibilidade permanente ao Glúten e, consequentemente, uma inflamação crónica da mucosa intestinal. Tanto quanto se sabe, deriva de predisposição genética e pode demonstrar sintomas a partir de qualquer idade, embora seja muito frequente notar-se logo aquando da introdução de farinhas na alimentação do bebé. 

Os sintomas, nas crianças, incluem vómitos, diarreias, distensão abdominal, irritabilidade e atraso no crescimento. Na idade adulta, a estes sintomas, somam-se outros como o cansaço fácil, alterações de humor, a anemia e as alterações dermatológicas.

A par da doença celíaca existe também um número, para já, indeterminado, de pessoas que, embora com sintomas menos graves, são também suscetíveis à ingestão do Glúten. Ainda que não se conheçam números deste espectro da intolerância (alguns estudos, como este www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4406911/ , sugerem que a percentagem de pessoas que sofrem desta condição será entre os 20%-40%) o que é certo que o número de pessoas que se identifica como intolerante aumenta de dia para dia. 

O único tratamento disponível aos dias de hoje, não obstante a grande quantidade de estudos que vão sendo desenvolvidos nesta área, consiste numa mudança de radical da alimentação diária, eliminando o Glúten e dissolvendo o ritual da alimentação num conjunto de regras que devem ser seguidas à risca. Num mundo em que quase tudo contém Glúten ou, pelo menos, vestígios dele, a tarefa promete não ser fácil. Alguns exemplos de alimentos que damos por garantidos que têm Glúten? A massa, o pão, piza, qualquer bolo ou muesli e a cerveja (sim, a cerveja!).

Quem sofre de doença celíaca não pode ingerir nem a mais pequena quantidade. Quem é apenas intolerante, por seu lado, pode conseguir tolerar, em maior ou menor quantidade, produtos que aleguem a presença de vestígios de Glúten. Se formos a um qualquer supermercado, facilmente verificaremos que os produtos totalmente isentos de Glúten existem em quantidade residual. A razão para assim ser é bastante clara: a produção de produtos Gluten-free implica garantir que não há contacto com substâncias que tenham trigo. Se existir contacto, o suposto produto sem Glúten não o será mais – é a chamada “contaminação cruzada”.

O acima descrito justifica, juntamente com o facto de os produtos utilizados como substitutos do Glúten, nos alimentos no mercado Gluten-free, serem, eles próprios, mais caros, os elevados preços associados a esta dieta.

Além do preço, na opinião e vasta experiência da Dr.ª Ana Rita Lopes, nutricionista no Hospital Lusíadas Lisboa, a maior das dificuldades são do foro social. Enquanto uma pessoa normal escolhe um restaurante sem grandes preocupações, apenas porque gosta, ou porque é mais barato, doentes celíacos dificilmente encontrarão serviços de restauração que garantam a inexistência de contaminação. Por outras palavras, sair à noite com os amigos torna-se um verdadeiro desafio: se em casa é possível ter cuidado e separar devidamente os ingredientes e a confeção, fora de casa os termos não são os mesmos. Há um risco e um medo permanente de, acidentalmente, se consumir esta substância.

Para combater esta dificuldade, a APC (Associação Portuguesa de Celíacos), certifica os serviços de hotelaria e restauração garantem uma vivência livre de Glúten. Já agora e no que diz respeito aos restaurantes, em toda a cidade de Lisboa é possível encontrar, apenas, cinco restaurantes certificados. E é uma sorte haver, sequer. Em muitas cidades por Portugal fora, comer sem ser em casa é uma questão que nem sequer se coloca, para o doente celíaco.

Acrescente-se, também, a dificuldade em manter uma dieta saudável e equilibrada: os produtos sem Glúten recorrem muitas vezes a produtos que podem ser prejudiciais ou a quantidades exorbitantes de açúcar. Por isso, a dieta sem Glúten para quem não precisa, tem vindo a ser desaconselhada.

Em jeito de conclusão, a vivência do doente celíaco é bem diferente da vida que se dá por garantida. O jantar à noite com os amigos, a cerveja depois do trabalho com os colegas e até as compras do fim-de-semana, nada deixa de ser possível, só aumentou massivamente a dificuldade do nível do jogo.

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Beatriz Ribeiro

Jurista na área das Ciências e Tecnologias

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