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Fremont Street – Las Vegas autêntica

Pense numa imagem de Las Vegas. Muito provavelmente pensou num cenário pejado de luzes tendo a noite como pano de fundo. Afinal, esta é uma cidade que se revela na sua plenitude após o pôr-do-sol. E não faz segredo disso. Aliás, ela vende-se assim e orgulha-se por isso.

Decidir o que fazer na famosa noite de Las Vegas é difícil. Há incontáveis opções a considerar para se tirar o proveito do que a cidade tem para nos oferecer. Entre ruas iluminadas, lojas, restaurantes, bares, discotecas, clubes nocturnos ou casinos, a opção tenderá a recair sobre a Strip. É o local dos grandes hotéis, dos casinos luxuosos. É a casa do glamour e da sumptuosidade que vezes sem conta nos entra pelos olhos dentro via filmes, séries, documentários, imagens, etc. Esta é uma Las Vegas relativamente recente. Tornou-se no que é hoje ao longo dos anos noventa, com a construção dos grandes hotéis que tudo oferecem. Os resorts onde há de tudo com grandes doses de luxo e do espírito da loucura própria de Las Vegas.

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Fremont Street Experience – Uma rua coberta por um inesquecível jogo de luzes, cores e imagens

Há outro sítio para sentir a noite da cidade “fabulosa”. É um sítio com menos glamour, é certo, mas compensa-o com autenticidade. Fremont Street, no Downtown, é a Las Vegas que conheceu Elvis Presley e Frank Sinatra, é onde nasceu a sua fama e é onde encontramos um ambiente mais genuíno e libertino.

Em Fremont Street, pode facilmente encontrar um jovem alcoolizado a tentar uma dança sensual em frente de quem com ele se cruza. Ou jovens parados em pose de desafio com olhares fixos num grupo de mulheres com quem se vão cruzar. Há pessoas a dançar na rua e há festejos efusivos por toda a parte. Entrar num casino de Fremont Street é uma experiência completamente diferente do que acontece na Strip. Não existe aquele luxo que por vezes torna-se pesado. Há no seu lugar decorações berrantes remanescentes dos anos 60 e 70 do século passado. Há música que não é ambiente, é um som estridente que convida as pessoas a dançarem em volta das mesas de jogo. As assistentes são escolhidas a dedo, beleza e simpatia são o que as caracterizam. Experimentem aprender a jogar Blackjack com uma rapariga de trajes muito curtos a ensinar. Até podem ganhar, mas não vão aprender nada. Até porque com o avançar da noite, os inúmeros bares, alguns com preços muito em conta, irão ser pontos de passagem obrigatórios.

Onde mais senti a autenticidade de Las Vegas, foi no casino Golden Gate. Uma pequena multidão reúne-se em alvoroço festivo, ouvem-se uivos de alegria e gritos de entusiamo. No bar ainda no exterior, servem-se bebidas e sensualidade com raparigas a dançarem em cima do balcão. Lá dentro, entre a música alta, filas de mesas de jogo e mais jovens a dançarem. Aquelas jovens, nas suas danças, transpiram uma sensualidade que se reveste de beleza, sem nunca transporem uma barreira que as atirem para uma imagem de sexualidade. Sente-se apenas a beleza. E tal torna-se visível quando se percebe que elas, em pleno horário de trabalho, estão a divertir-se genuinamente. Continuamente trocam olhares e comentários entre si, riem-se como se não estivessem a trabalhar e nesses pormenores do espírito que partilham, contagiam todo o espaço com alegria e boa disposição.

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A animação no Golden Gate Hotel & Casino

Por tudo o que vi numa única noite em Fremont Street, trago de lá o testemunho de um local onde se pode viver a noite com tudo o que ela tem para nos fazer sentir saudades e vontade de a repetir. Testemunhei um local onde vivem por algumas horas as pessoas mais simples e também as mais ricas no espírito espontâneo da descontracção e diversão. Ali uma pessoa sente-se livre, sem olhares de julgamento da sociedade. A sociedade ali são todos os que se divertem noite dentro.

É nesta liberdade conquistada por algumas horas, que reside a autenticidade de Fremont Street e por extensão, a genuinidade do Downtown, a clássica Las Vegas.

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André Araújo

Licenciado em história da arte, é a arte das histórias que me move neste mundo. Os mundos de Homero e de Virgílio, de Kafka e de Marquéz, de Bukowski e de Fante, são onde encontro as palavras que me definem e me atormentam, na contínua aprendizagem pessoal para construir o MEU próprio mundo.

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