Oops! It appears that you have disabled your Javascript. In order for you to see this page as it is meant to appear, we ask that you please re-enable your Javascript!
HistóriaSociedade

Figuras históricas e os seus exóticos animais de estimação

Quantos de nós temos animais de estimação, desde os mais habituais cães, gatos, peixes de aquário, canários, ou periquitos, até aos mais exóticos, como porquinhos-da-Índia, iguanas, cobras ou chinchilas? Esta relação com animais, mais ou menos domesticados, não é típica do século XXI. Ao longo da história, foram muitos os indivíduos, mais ou menos famosos, que possuíram animais de companhia, mais ou menos excêntricos. Vamos descobrir alguns deles.

Na Roma Antiga, os aristocratas não desfrutavam apenas de cães e gatos. Nos lagos dos seus jardins, tinham enguias e moreias. Quintus Hortensius, (114 a.C. – 50 a.C.), orador, e Lúcio Licínio Crasso (140 a.C. – c. 91 a.C), orador e político, choraram ambos a morte dos seus amigos peixes. Este último teria inclusive adornado a sua enguia favorita com jóias, como se de uma donzela se tratasse.

O Papa Leão X (1475-1521) pertencia à poderosa família Medici, que reinava em Florença e foi o último dos Papas não sacerdote a ser eleito Papa. Por ocasião da sua coroação como Papa, recebeu um elefante branco asiático, chamado Hanno, oferta do então Rei Português, D. Manuel I. O elefante integrava a comitiva que D. Manuel enviava à Santa Sé, liderada por Tristão da Cunha e secretariada por Garcia de Resende, composta por outros animais exóticos, como panteras, leopardos e papagaios, para além de riquíssimos presentes, como metais preciosos, jóias e tecidos. Hanno teria sido oferecido primeiramente pelo Rei de Cochim a D. Manuel, ou comprado através de Afonso de Albuquerque, governador da Índia. Em Março de 1514, a embaixada chegava a Roma, sendo recebida por Leão X. O elefante, que teria então aproximadamente quatro anos, era treinado por dois indivíduos, a quem obedecia. Depressa tornou-se o animal de estimação preferido do Sumo Pontífice, assistindo inclusive a muitas das cerimónias papais. Todavia, após três anos da sua chegada, o animal adoeceria e acabaria por morrer, apesar dos cuidados dispensados pelos físicos da Cúria Papal. Leão X encomendou um fresco a Rafael, entretanto perdido, representando o elefante, bem como escreveu um poema lamentando a sua morte.

 O sétimo presidente norte-americano (1829-1837), André Jackson (1767 – 1845), e o primeiro a ser vítima de um atentado, ficou famoso pela sua personalidade agressiva e tenaz, tendo-se envolvido em duelos, muitos dos quais fatais. Ex-militar, lutou contra os índios na Batalha de HorseShoe Bend, em 1814, e contra os britânicos, em Nova Orleans, em 1815. Defensor de um governo federal pequeno e limitado, pugnou pelo fortalecimento do poder presidencial. O seu companheiro na velhice foi um papagaio cinzento, chamado Poll, que nas suas exéquias fúnebres escandalizou os presentes pelo teor obsceno dos sons miméticos que emitia.

Gilbert du Motier, Marquês de Lafayette, (1757 –1834), era um aristocrata francês e militar, que se distinguiu como líder da Guarda Nacional francesa, durante a revolução francesa, e como general, durante a guerra de independência norte-americana, contra os britânicos. Em 1825, após uma longa viagem por todo o território norte-americano, trouxe consigo inúmeros presentes concedidos por uma nação agradecida. O mais exótico foi um jacaré, vivo, que o general depressa ofereceu ao então presidente, John Quincy Adams (1767-1848), que o manteve numa banheira da ala leste da Casa Branca, servindo para aterrorizar os convidados.

O primeiro presidente dos Estados Unidos da América, George Washington (1732-1799), foi um grande amante de cães de várias raças: spaniels, terriers, newfoundlands e dálmatas, aos cais nomeava Sweet Lips, Truelove, Tipsy, Drunkard, ou Madame Moose. Quando o Marquês de Lafayette lhe ofereceu alguns cães de caça franceses, da raça foxhound, depressa Georges Washington os cruzou com a mesma raça, mas de origem inglesa, para produzir a variedade americana desta raça.

PU_figurashistoricaseseusexoticosanimaisdeestimacao1
Muhammad Mahabat Khanji III Rasul Khanji (1900 – 1959)

O último Nababo efectivo da Índia Inglesa em Junagadh, no Guzerate, Muhammad Mahabat Khanji III Rasul Khanji (1900 – 1959), chegou a possuir mais de 300 cães, cada um com aposentos privativos e criados especiais. Além de os vestir com casavas e conduzindo-os em riquexós, em 1922, efectuou o casamento de um dos seus cães, um golden retrivier chamado Bobby, gastando 22 mil libras de então. Para a cerimónia, foram convidados membros da realeza e alguns políticos indianos.

A Rainha Vitória (1819-1901) foi uma fervorosa amante de animais de estimação, tornando-se a patrona da Sociedade de Prevenção da Crueldade para com os Animais (Society for the Prevention of Cruelty to Animals – SPCA). Possuiu diversos cães, mas o mais significativo talvez tenha sido um pequinês, chamado Looty. Foi-lhe oferecido pelo capitão Hart Dunne do 99 Regimento, durante a segunda Guerra do Ópio (1856-1860), que opôs o Império Britânico e a China. Os cães pequinses são uma antiga raça chinesa, com mais de dois mil anos, e eram considerados sagrados na corte imperial chinesa. Em 1860, as forças britânicas invadiram o Palácio de Verão de Pequim, residência da Família Imperial, como vingança pela morte de alguns diplomatas. O Palácio tinha sido evacuado, mas uma velha tia do Imperador decidira suicidar-se, deixando para trás cinco cães, um dos quais acabaria nas mãos da Imperatriz britânica. Todavia, não foi o primeiro cão da Família Real inglesa.

Ana Bolena (c.1501-1536), a segunda mulher de Henrique VIII, recebeu da mulher do governador de Calais, Lady Lisle, um cão a que chamou de Purkoy (“porquê”, em francês medieval), pela expressão interrogativa que o animal apresentava. Contudo, quando este morreu, caindo de uma altura elevada, teve de ser o próprio rei a dar a notícia à mulher, uma vez que ninguém querer perturbar a rainha com a nefasta notícia.

Futuro Carlos II de Inglaterra em criança, com os irmãos e os seus cães de estimação. Óleo de Anthony Van Dyck, 1635
Futuro Carlos II de Inglaterra em criança, com os irmãos e os seus cães de estimação. Óleo de Anthony Van Dyck, 1635

Século e meio depois, o Rei inglês Carlos II (1630-1685) teve de lidar também com outro assunto relativo aos seus cães de estimação, da raça spaniels, quando vários dos seus cães foram raptados, levando a Casa Real a emitir comunicados exigindo a devolução dos seus animais de estimação.

 Continua…

Tags
Show More

Pedro Urbano

Nasceu em Lisboa em 1979, tendo frequentado o antigo Liceu de Setúbal. Licenciou-se em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e é actualmente doutorado em História pela mesma Universidade, onde também concluiu o mestrado em História Contemporânea.

Related Articles

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker
%d bloggers like this: