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Figuras históricas e os seus exóticos animais de estimação (conclusão)

O Príncipe Rupert, Conde Palatino do Reno e Duque da Baviera (1619 –1682), foi um conhecido general que lutou em diversas batalhas entre os principais impérios do seu tempo. Ficou também conhecido por possuir um poodle de branco chamado Boye, treinado para urinar sempre que ouvir o nome do comandante inimigo, Pym. Este efeito pavloviano foi utilizado contra Rupert por alguns dos seus detractores, que acusaram não só Rupert de feitiçaria, como também que o cão era na verdade o Diabo, sendo imune a balas. Infelizmente não o era, tendo morrido na Batalha de Marston Moor, em 1644.

Não foi apenas a realeza, aristocracia e políticos que sucumbiram à atracção pelos animais de estimação, também os artistas e literatos.

O poeta inglês Lord Byron (1788-1824), de ascendência aristocrata, viveu rodeado de uma grande variedade de animais, entre os quais um lobo meio domesticado, chamado Lyon, e um urso, o qual levou consigo para a Universidade de Cambridge. Todavia, o seu animal preferido fora um cão chamado Boatswain, da raça newfoundland, de pelagem preta e branca, do qual mandou fazer uma estátua em mármore, quando este morreu de raiva.

Por seu turno, o poeta romântico francês Gérard de Nerval (1808-1855) teve uma lagosta de estimação, a que chamou Thibault. A lagosta não esteve confinada a um aquário. Visto sobreviverem alguns dias fora de água, o poeta passeava-a pelos jardins públicos de Paris, com uma coleira de seda azul. O excêntrico poeta considerava que o crustáceo era o animal de estimação perfeito, porque “as lagostas são criaturas pacíficas, sérias, que conhecem os segredos do mar e não descascam”.

Salvador Dali e Babou
Salvador Dalí e Babou

A excentricidade de Salvador Dalí (1904-1989), pintor surrealista espanhol, passou pela posse de um ocelote, que terá adquirido em 1960, alegadamente, ao então chefe de estado colombiano e ao qual deu o nome de Babou. O ocelote é um gato selvagem, comum na América central e do Sul, parecido com um gato doméstico, mas cuja pelagem é parecida com a do leopardo, ou jaguar. Por estas características, é uma espécie ameaçada pela indústria da moda, que procura a sua pele para a confecção têxtil. Babou era passeado por Dali com uma coleira cravejada de pedraria, acompanhando-o em diversas ocasiões. Num jantar num afamado restaurante, uma senhora terá abordado Dali, assustada com o aspecto selvagem do animal. Dali tê-la-ia acalmado, dizendo que se tratava de um gato doméstico, que ele próprio teria pintado ao estilo op-art…

Josephine Baker e Chiquita
Josephine Baker e Chiquita

A cantora e artista de cabaret, Josephine Baker (1906-1975) recebeu de presente uma chita, da parte de Henri Varna, então dono do Casino de Paris, em cujo bar a cantora actuava. O objectivo do empresário fora complementar a imagem exótica da artista, fazendo parte da própria actuação, onde a chita aparecia exibindo uma coleira de diamantes. O animal muitas das vezes fugia para o fosso da orquestra, perante a incredulidade da plateia e o susto dos músicos. Todavia, Chiquita, assim se chamou a chita, depressa passou a fazer parte da vida da actriz, que a levava para todo o lado onde fosse, partilhando a cama, o carro e até as férias, para grande insatisfação do namorado e empresário da artista, Pepito.

Durante a rodagem de Green Mansions (1958), pelo seu então marido Mel Ferrer, a actriz Audrey Hepburn (1929-1993) acabou por adoptar um gamo. Este fazia parte do elenco desse filme, em que a personagem principal, interpretada por Audrey, era uma rapariga que vivia numa selva venezuelana, sendo seguida para todo o lado pelo animal. O treinador do gamo, cujo nome era Pippin, sugeriu que a actriz adoptasse o animal, para que este realmente a seguisse para todo o lado, durante a rodagem do filme. Ela de facto assim fez e depressa Pippin acostumou-se à sua nova tratadora. As informações são contraditórias quanto ao destino do cervo, se efectivamente manteve-se na sua posse ou não, certo é que ficou imortalizado nas fotografias de Bob Willoughby, da revista LIFE.

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Pedro Urbano

Nasceu em Lisboa em 1979, tendo frequentado o antigo Liceu de Setúbal. Licenciou-se em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e é actualmente doutorado em História pela mesma Universidade, onde também concluiu o mestrado em História Contemporânea.

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