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Ficção científica? Não, obrigado.

De todos os géneros e estilos de filmes e séries de televisão, a ficção científica e o género fantástico sempre se viram marginalizados pela crítica, tanto na imprensa da especialidade, durante todo o ano, como pelas academias cinematográficas na época de entrega de prémios. Ainda que as comédias sejam normalmente preteridas em relação a dramas, a inexistência de criações de ficção científica nos referidos círculos é exponencialmente maior. Apesar de existirem algumas excepções, este argumento pode ser frequentemente verificado.

Será sempre difícil definir todas as razões para tal desprezo, mas algumas podem ser indicadas com relativa pequena margem de erro. Em primeiro lugar, devido ao carácter imaginativo do género, os enredos são normalmente vistos como fracamente fundamentados, irrealistas e infantis. Ainda que esta visão seja um pouco redutora, a tradição de filmes de série B de ficção científica e fantasia dos anos 70 e 80, com prolongamento até aos dias de hoje, é em grande parte responsável pela criação não só de erradas opiniões preconcebidas, mas também de um nicho de grandes dimensões em que este tipo de conteúdo é avidamente procurado. Como consumidor de vários tipos de séries e filmes do género, duas vertentes com qualidades distintas tornam-se óbvias.

Por um lado e limitando a análise a séries de televisão recentes para uma melhor comparação, podemos encontrar uma facção representada pelo canal Sy-Fy. Ainda que este canal tenha progredido imenso em termos de qualidade na sua programação original, os argumentos das suas séries necessitam ainda de grandes melhorias. Em específico, o principal problema das séries deste canal não reside nas suas premissas, mas sim nos seus detalhes. Olhando para Helix como exemplo, encontramos uma interessante transformação de um género cansado, atribuindo-lhe uma roupagem geral de cariz científico (mas pouco rigorosa), misturada com elementos quase sobrenaturais e, consequentemente, de horror. Ainda que Helix se mostre empolgante num panorama ampla e geral, os diálogos entre as personagens, por exemplo, acabam por ser muito mal concebidos e executados. Para além disso, as personagens não mostram evoluções de carácter significativas, mantendo-se unidimensionais e pouco transmutáveis. De facto, estes são problemas frequentes nos trabalhos originais do canal Sy-Fy, podendo ser encontrados em vários outros como Defiance, Dominion e Z Nation.

Por outro lado, temos séries como The Walking Dead, American Horror Story e Game of Thrones, que começam a fugir às personagens arquétipo e a explicações deus ex machina para resolver os arcos que desenvolvem ao longo de uma temporada. No entanto, ainda que este tipo de séries tenham alguns dos melhores trabalhos em termos de desenvolvimento de enredo e personagens (rivalizando com qualquer outra série dramática), devido às fortemente marcadas opiniões em relação ao género, o trabalho de actores, argumentistas, produtores e tantos outros profissionais é usualmente ignorado.

Antes de acabar, é ainda necessário fazer referência a um dos filmes mais premiados pelos Óscares, Lord of the Rings: Return of the King (a par de Titanic e Ben Hur). Contudo, de todas as obras nomeadas para Melhor Filme nas 87 edições dos Óscares, apenas 33 caem dentro do género discutido, sendo o único vencedor o já referido filme de Peter Jackson. Resta esperar que os recentes filmes e séries de ficção científica e fantasia a serem produzidos recentemente, que demonstram uma crescente qualidade, possam iniciar uma inversão nesta tendência, sendo finalmente dado o justo reconhecimento a todas as obras que o mereçam, independentemente do seu género.

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André Ferreira

"Political junkie", europeísta convicto e keynesiano por natureza. Ocupa todo o tempo que consegue com séries, filmes, música, livros, podcasts e qualquer outra fonte de entretenimento que consiga encontrar. Licenciado em Línguas, Literaturas e Culturas pela FLUL-UL e pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela FCSH-UNL.

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