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Crónicas

Fazer Serviço Voluntário Europeu ensinou-me a lutar por enlatados. E não só.

Desde que comecei a fazer Serviço Voluntário Europeu em Bordeaux, percebi que não preciso de tantas coisas na minha vida como as que tinha ou as que achava que precisava – não que alguma vez tenha vivido uma vida de luxos, bem pelo contrário. A verdade é que o facto de estar a viver noutro país obriga-me a viver com muito menos e isso revelou-se um aspecto positivo na minha vida. Trouxe apenas duas malas no início de Setembro (com demasiada roupa de Verão), alguns livros, quando voltei das férias de Natal, e tenho vivido bem com isso – comprei apenas um pijama bem quente depois de uma noite em que não consegui dormir por causa do frio e botas para a chuva. Não tenho televisão, não tenho acesso a 500 canais por cabo, o meu quarto tem apenas a mobília essencial e eu não sinto falta de nada. Estou longe de me tornar minimalista, mas acredito que esta experiência tem uma grande importância na distinção do que é essencial e acessório. Ao ponto de eu ter decidido não comprar roupa durante um ano – objectivo que tenho cumprido com distinção!

A consciência desta realidade alargou-se a outros campos que superam os bens materiais, no sentido em que percebi (de uma forma mais premente do que no passado) que a vida não tem de ser perfeita para eu ser feliz: podem acontecer-me os maiores azares e, mesmo assim, eu vou continuar a ser feliz. Profundamente feliz. Desde Janeiro deste ano, tive uma otite, apanhei uma gripe que me deixou uma semana de cama (sendo que cada ida ao médico implica despender uma quantia de dinheiro considerável), roubaram-me a carteira com quase todos os meus documentos e comprei um bilhete para uma viagem que não vou conseguir fazer. Podem dizer-me que nada disto é suficientemente grave para eu não conseguir superar – é verdade -, mas é coisinha para dar algumas dores de cabeça a qualquer um. Ainda assim, demorei-me pouco tempo em angústias. Não estou a desafiar os Deuses, mas nesta altura começo a achar que me pode acontecer tudo e eu vou conseguir superar. Não se trata de eu ser uma pessoa forte ou não, mas sim de estar a viver a vida que me faz sentido, de ter tido a coragem de fazer algo que desejava há muito tempo e que me faz sentir realizada – quando vivemos em consonância com a nossa verdade, facilmente desvalorizamos os contratempos que vão surgindo.

Não acho que seja preciso pouco para se ser feliz, já que é precisa muita coragem para realizar os nossos maiores sonhos. Acho, sim, que tudo aquilo que é preciso para se ser feliz não se pode comprar, não se pode ver, apenas se pode sentir. A única coisa melhor do que a consciência disto, é conviver com pessoas que partilham deste entendimento: andamos à cata de promoções, cozinhamos em casa, compramos bebidas no supermercado e andamos a pé. Fazemos viagens de autocarro durante oito horas, arrendamos casas por um dia e fazemos visitas guiadas gratuitas. Quando alguém abandona a residência em que moramos, vamos a correr verificar o que ficou para trás, compramos em lojas de segunda mão e já lutámos por enlatados – muito mais pela diversão do que pela necessidade de os ter. Temos pouco com a consciência de que temos tudo o que desejamos.

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Carla Sofia Maia

Olá! O meu nome é Carla, tenho 27 anos e nasci em Vila do Conde, uma pequena cidade no Norte de Portugal. Talvez por ter crescido numa cidade pequena, desde cedo tive o sonho de viajar pelo Mundo e conhecer outras pessoas e culturas. Aos 18 anos, mudei-me para Coimbra onde estudei Jornalismo e Comunicação. Ao longo dos meus estudos, tive a oportunidade de conhecer pessoas de todas as partes do Mundo, o que reforçou a minha vontade de ter uma experiência além-fronteiras. Foi em 2017 que conheci o Serviço Voluntário Europeu e tive a certeza de que era algo que fazia todo o sentido na minha vida: fazer voluntariado noutro país, tendo a oportunidade de aprender outra língua era algo que eu desejava. Actualmente estou a viver em Bordeaux, onde sou voluntária de uma instituição europeia e posso dizer que estou muito feliz por ter sido aceite neste projecto, em que sou embaixadora dos valores europeus. Escrever é uma paixão que vi reforçada com esta nova experiência, em que há tanto para contar. Boas leituras!

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