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Facebook e jornalismo: um negócio em busca da fidelização da audiência

53% dos portugueses acedem a notícias através do Facebook. O número faz parte do relatório do “Digital News Report”, publicado em junho de 2018, mostrando que Portugal é um dos países que apresentam menor queda no consumo de informação, na rede social de Mark Zuckerberg. Perante valores assim, importa perceber até que ponto o Facebook é um aliado do jornalismo e dos jornalistas.

Ao longo dos tempos, debates sobre a privacidade dos dados e notícias falsas têm abalado a confiança que os utilizadores depositam no Facebook. Quer seja uma resposta ou não a esta insegurança, surgiu, em 2017, o Facebook Journalism Project. A missão é apoiar os jornalistas nos processos de storytelling, disponibilizando cursos online, que dão dicas sobre como tirar maior partido da plataforma. Literacia digital e redução dos incentivos financeiros para quem publica informações falsas também entram nos eixos de ação.

Entre as críticas que a sua implementação despertou, novidades nos Instant Articles e as transmissões de vídeo em direto destacam-se enquanto as duas medidas, que parecem ter reunido maior consenso de bons resultados:

Instant Articles – Este formato de publicação torna mais rápido o acesso aos artigos, em dispositivos móveis. Com o novo projeto de apoio ao jornalismo, os Instant Articles receberam botões para o leitor gostar da página daquele jornal no Facebook, bem como espaços para a subscrição de newsletters. Entre estes botões, tipicamente conhecidos como “call to action”, o incentivo à instalação da aplicação do órgão de informação em causa também foi uma novidade. No fundo, tratam-se de estratégias de fidelização, que criam sinergias entre o média e a rede social.

Live API – Nas últimas eleições brasileiras, a RedeTV! transmitiu os debates entre os candidatos, em simultâneo para a televisão e para o Facebook. Fazendo uso da ferramenta Live API, as informações recolhidas sobre o tipo de interação gerada na rede social deram pistas sobre as questões que os eleitores queriam ver debatidas. No Facebook, os gestores da página criaram conteúdos exclusivos, de forma a reter a audiência. Por outro lado, a inclusão de anúncios a meio de uma transmissão começou a ser frequente, monetizando-se as visualizações dos conteúdos de vídeo.

Passado um ano do lançamento do Facebook Journalism Project, as opiniões dividem-se: para uns, tratou-se de uma simples forma de desviar as atenções das questões delicadas em redor da política do Facebook; para outros, o grande benefício passa pela maior capacidade de os jornalistas alcançarem audiências mais vastas, interagiram com elas e atingirem níveis de envolvimento que, de outra forma, seria muito difícil de obter.

Os conteúdos de informação precisam de tráfego e o Facebook consegue gerá-lo. Para tornar a equação rentável, a publicidade surge, enquanto fonte de receitas. Entre dinâmicas de interesses, a partilha de detalhes de perfis fazem chegar ao consumidor conteúdos noticiosos e publicitários personalizados.

No final do dia, cada empresa mediática deve pesar os lados da balança, tendo em conta as suas próprias características. Porque, afinal de contas, cada uma tem um modelo de negócio particular. E são precisamente negócios que estão em cima da mesa.

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Florbela Caetano

Gosto dos mundos que se dizem contraditórios: a publicidade e o jornalismo. Gosto de pensar que os dois nos podem ajudar a viver num mundo melhor. Gosto de sentir que informar pode repor a serenidade no meio de caos. Deixo-me fascinar com a imagem e perco-me na escrita. Entre todas as alianças de universos ao nosso dispor, quero dizer as palavras e criar imagens com o som.

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