Desporto

Fábrica de Campeões

De quatro em quatro anos chegamos a um ano olímpico. O ano de 2016 trouxe-nos os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Estas são as primeiras olimpíadas realizadas na América Latina.

A história de superação começa logo na organização. Ninguém acreditava que seriam capazes, que as obras não seriam finalizadas a tempo, o Zika e a instabilidade política com a saída de Dilma Roussef e a entrada de Michel Temer.

Que as coisas andaram complicadas é uma verdade que ninguém pode negar que até ao momento, tem tudo corrido segundo os ideias olímpicas de amizade e de busca por um mundo melhor. Estes são os ideias que também norteiam os 1.500 campeões dos mais diversos países que estão alojados na aldeia olímpica.

Estes atletas ao longo do mês de Agosto vão transformar a cidade-maravilhosa celebrada pela voz de Tom Jobim, ainda mais especial.

São homens e mulheres de todas as nacionalidades que voaram para o Brasil em busca da glória olímpica, da superação e imortalidade. Muitos destes atletas lutaram muito para chegarem onde estão.

Pela primeira vez na história, existe uma equipa olímpica de refugiados. Mais de 6 milhões de pessoas foram obrigadas a sair das suas casas para fugirem da guerra. Uma dessas pessoas foi Yusra Mardini, refugia da Síria. A atleta de 18 anos nasceu em Damasco, capital da Síria, e pratica natação desde os três anos.

No ano passado escapou da Síria com a irmã. Quando estava no barco, que levava 20 pessoas, o motor falhou ao largo da costa da Turquia. Como a maioria dos passageiros não sabia nadar, Yusra, a irmã e outros dois nadadores saltaram para o mar Egeu e ajudaram a puxar a embarcação para terra, evitando uma tragédia.

A jovem vive actualmente em Berlim, na Alemanha, onde treina no clube de natação Wasserfreunde Spandau 04. Com a ajuda do treinador Sven Spannekrebs, nada todas as manhãs e à noite, enquanto estuda. Esta é a sua primeira participação nos Jogos Olímpicos. Já competiu nos 100 metros de Mariposa e venceu a prova com 1m 09,21 segundos. Só que não conseguiu qualificar-se para a semifinal.

Do Brasil, o país anfitrião, vem uma história de vida de alguém que está habituada a lutar desde pequena e ultrapassou a portuguesa Telma Monteiro nas medalhas. Rafaela Silva, de 24 anos, já arrecadou a sua primeira medalha olímpica. Foi ouro na categoria -57 quilos no judo, depois de ter sido duramente criticada pelos brasileiros pela sua exibição nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Ao aplicar um golpe proibido na húngara Hedvig Karakas, foi eliminada e vitima de racismo.

Começou a praticar judo em criança e por brincadeira. Conheceu a modalidade num projecto social e agora é campeã olímpica no seu país natal. Nas bancadas os pais, a irmã e a sobrinha assistiram a tudo, emocionados.

Não só as medalhas definem se o atleta passa ou não para a história. Portugal ainda só arrecadou uma medalha, o bronze de Telma Monteiro no judo.

Superação também define os atletas portugueses.

O canoísta José Carvalho, o ciclista Nelson Oliveira e o nadador Alexis Santos não subiram ao pódio no Rio de Janeiro, mas o seu nível de superação, tendo em conta as marcas com que chegaram aos Jogos, não é inferior, em muitos casos, ao de quem ganhou medalhas.

Nelson Oliveira é ciclista e já participou no tour de França. No contra-relógio dos Jogos Olímpicos acabou em nono lugar, o que dá direito a um diploma olímpico.

O canoísta de rápidos, José Carvalho, há um mês não estava apurado para os Jogos do Rio e apenas entrou na lista porque a Grã-Bretanha, à última hora, não preencheu uma das suas vagas. Ou seja, o canoísta chegou aos Jogos porque era aquilo a que se costuma chamar o primeiro dos últimos.

Nas águas revoltas do slalom, na pista de Deodoro, José Carvalho nunca andou pelos últimos lugares. E acumular aquilo que, para ele, podem ser consideradas proezas atrás de proezas: primeiro a passagem às meia-finais, depois o apuramento para a final e, finalmente, um 9º na classificação. Antes da final, José Carvalho era 38° do ranking mundial.

Alexis Santos é um caso ainda mais excepcional: na sua primeira participação em Jogos Olímpicos, conseguiu alcançar um feito inédito para qualquer nadador português nos últimos 28 anos: classificar-se entre os 16 primeiros (o equivalente a semi-finalista). E fê-lo por duas vezes: primeiro nos 400 metros estilos (retirando quase meio segundo ao seu recorde nacional), e depois nos 200 metros estilos (onde tinha o 23.º melhor tempo entre 31 concorrentes). Não conseguiu chegar ao pódio em nenhuma das provas mas não desanima e já pensa em fazer uma melhor marca nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020.

Estas são algumas das histórias de superação e glória vividas pelos atletas olímpicos. Nem todos vão entrar na história, nem todos vão levar para casa uma medalha mas são verdadeiros campeões, exemplos a seguir nos mais diversos quadrantes da sociedade.

A comitiva portuguesa nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro é a maior de sempre.

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Andreia Rodrigues

Fui para jornalismo pois sempre me interessou o que se está a passar no mundo e gostaria de fazer parte dessas mudanças. Sou comunicativa e uma amante das artes. Na escrita sinto que ganho assas para viver outras vidas e penso que é um grande complemento ao jornalismo. A criatividade é a minha principal faceta e a vontade de trabalhar e aprender cada vez mais a gasolina que me move em busca do meu lugar ao sol no mundo da comunicação social.

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