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Evolução tecnológica, mas não musical

Hoje em dia, já não ouvimos falar tanto em CD’s. Vemos as pessoas envolvidas na música, mas de outra forma. Vamos no comboio ou no autocarro e o que percebemos é que as pessoas estão num mundo à parte, num mundo em que a música predomina, mas é ouvida de uma forma diferente, com uns auscultadores e um telemóvel ou iPod.

Tal como as cassetes, os CD começaram a entrar em desuso. Agora como podemos ouvir música sem pagar, como, por exemplo, através do Spotify, do Youtube, das lojas online, não nos preocupamos em comprar CD. E, se o fazemos, é mais para ter como recordação, ou em coleção e não tanto para ouvir constantemente, como se fazia antes.

Durante anos, a indústria musical foi dominada pelas gravadoras e produtoras. O disco de vinil e, posteriormente, o CD permitiam que as gravadoras controlassem todo o processo de produção musical, uma vez que era desenvolvido por estas mesmas empresas.

Ainda antes do 25 de abril, os adolescentes juntavam-se em casa uns dos outros para ouvir discos vinis em voga na época. Era uma forma de passar o tempo e de estar a par das novidades culturais. Depois do gira-discos, começaram a surgir os CD e DVD, sendo que, mal um artista lançava um disco, as pessoas corriam para as lojas.

Nos anos 70, as grandes empresas musicais desenvolviam todas as fases da produção de discos. No entanto, esta dinâmica de produção e difusão da música e respetivos produtos permaneceu apenas até ao surgimento das novas tecnologias. O primeiro passo para a transformação foi a invenção do formato MP3, que conseguia armazenar arquivos musicais, ocupando menos espaço e sem impedir a sua cópia e reprodução. Desta forma, criou-se a necessidade de mudar a forma como as obras musicais eram comercializadas e começou a surgir a chamada “pirataria”. A reprodução ilegal das músicas tornou-se mais simples. A partir daí e com as diversas formas de fazer download de músicas, a indústria musical tornou-se acessível para todos.

As compilações de músicas sempre existiram. Antes existiam CD com temas de diversos artistas, os chamados Greatest Hits, lançados geralmente para comemorar alguma data especial de um artista, como um aniversário de carreira, ou alguma época especial, como o Natal.

No entanto e no que concerne ao gosto musical, as pessoas, por mais que gostem de uma banda, raramente se conseguem identificar com todas as suas músicas. Desta forma, começaram a recolher as suas favoritas e a guardá-las num dispositivo físico, quer seja um CD, cassete ou MP3. Isto significa que, lá no fundo, nada mudou. As pessoas criam as suas próprias listas de reprodução, com as músicas que mais gostam, para que não tenham de ouvir músicas com as quais não se identificam.

De facto, o que se alterou foi o desenvolvimento tecnológico. A Internet, como meio online de trocas ou de compras virtuais de discos físicos, é agora uma ferramenta que soluciona o problema de distribuição da produção musical.

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Maria João Mesquita

Licenciada em Ciências da Comunicação na Universidade do Minho, sempre fui apaixonada pelo mundo jornalístico, pelo que trabalho atualmente num jornal/rádio/televisão de Famalicão. Gosto de escrever e sempre me atraiu esta área, porque me permite dar asas à minha criatividade e ir mais longe. O céu é o limite.

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