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EUA: uma Cópia da Europa?

Os Estados Unidos da América e a Europa não podiam ser mais diferentes do que são. A Europa é o Velho Mundo, o continente que deu mundos ao Mundo, foi centro da ciência, do conhecimento e da política. Nos salões europeus, formaram-se e destruíram-se impérios, pensaram-se campanhas, países e dinastias. Os EUA não viveram, nem conseguem compreender isto. E ainda assim são uma cópia da Europa.

Inicialmente colonizado por exilados religiosos, este país importou grande parte da cultura da Europa. Desde os princípios que regem a Constituição Americana, até à própria noção de liberdade. Porém, de onde é que vem esta importação? De grandes momentos históricos europeus, como a assinatura da Magna Carta em 1215, que garante uma serie de liberdades ao individuo comum, e da Revolução Francesa, contemporânea da criação dos EUA e que lhes incutiu a noção de igualdade perante a Lei. Até a própria forma de governo, uma federação de estados, é baseada no antigo conceito de Estados Unidos da Europa. A maior potência mundial tem, portanto, desde a sua fundação, “importado” as partes culturais mais importantes da Europa.

No entanto, o que torna os EUA tão diferentes da Europa, uma vez que têm a base da sua cultura “importada”? A resposta é simples. É um país diferente de todos os países da Europa. Não têm a História que a Europa tem. Não tiveram uma Idade de Ouro. Não tiveram grandes diferenças políticas e nunca precisaram de formar alianças com outros países para salvaguardar a segurança da Nação, tirando a guerra da Independência de 1812 e a Civil, nunca sofrendo uma guerra generalizada como a Europa sofreu. E isso moldou tanto a cultura europeia, como a cultura americana. No entanto, o facto de terem sido culturalmente “abandonados” também lhes deu certas noções de cultura própria, como o “belonging” (o sentimento de pertencer a alguma coisa, seja uma igreja específica, um clube de campo, ou até mesmo de uma associação), ou o “self-made man”, que na Europa, não existem. Com o alvorecer da Internet (que também foi um europeu que inventou), a cultura americana e europeia, de certo modo, fundiu-se. Já começam a ser comuns as referências a eventos americanos na Europa e europeus na América. O que acontece na Europa tem repercussões nos Estados Unidos da América e vice-versa.

Apesar dos exemplos acima mencionados, há outro grande exemplo de importação de cultura europeia: a emigração. Sempre que alguém sai de um pais para outro leva consigo um bocadinho da cultura nativa. Isto é um dado adquirido. No caso dos EUA, há inúmeros exemplos disto: desde as zonas das grandes cidades, onde a maioria da população é de uma só etnia, até às pequeninas lojas que vendem produtos europeus.

Concluindo. Sim, a Europa e os EUA não podiam ser mais diferentes e, no entanto, são uma cópia do bom que a Europa deu ao mundo.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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