Oops! It appears that you have disabled your Javascript. In order for you to see this page as it is meant to appear, we ask that you please re-enable your Javascript!
Ciências e TecnologiaTecnologia

Eu ainda sou do tempo em que…

Eu ainda sou do tempo em que o incesto era algo comum em muitas famílias, longe dos olhares da vizinhança.

A violência doméstica era factor predominante em todas as classes sociais, mas cabia à mulher retocar a maquiagem e aparentar um casamento feliz.

A pedofilia era vista com vergonha, não por quem a praticava, mas sim por quem tinha conhecimento de tal acto e virava a cara, calando e consentindo a pratica.

Bater num pai ou numa mãe idosa também era situação que existia, embora em menor numero, visto que a educação era dada de maneira diferente dos dias de hoje.

Prostituição era conhecida de todos, filmes pornográficos estavam á distância de um bilhete de cinema.

A traição entre casais era uma realidade oculta. Chegava até a ser normal um homem manter duas vidas: uma com mulher e filhos e a outra com amante e, por vezes, filhos “ilegítimos”.

No caso das mulheres a traição era algo completamente condenável que tinha a obrigação de se manter bem escondida, não fossem elas cair em desgraça. Elas, nunca eles.

Tudo isto existia no tempo em que a internet era apenas uma ideia de um qualquer filme de ficção científica,

A abertura de portas à globalização através de um ecrã e à distancia de um click, chocou o ser humano. É comum hoje em dia ouvirmos dizer que o Homem virou bicho ou que regrediu nos seus valores.

Mas se estivermos atentos, percebemos que o que realmente mudou foi a forma como vemos o mundo e o facto de sermos constantemente observados pelos outros. Servimos de polícia social enquanto estamos a ser policiados.

Pode parecer assustador e desconfortavel, mas talvez seja necessário para nos tornarmos seres humanos de verdade.

Há quem diga que as relações amorosas, seja no casamento ou namoro, estão à mercê das redes sociais. Que o Facebook, por exemplo, é sinónimo de divorcios e separações. Fraca desculpa para pessoas que não têm sentido de valores morais. A Internet no geral e o Facebook particularmente, são apenas ferramentas de uso humano. O computador ou telemóvel não têm vida própia e não respondem por ninguém. Somos nós que os usamos a nosso belo prazer e vontade. Logo, somos responsaveis por tudo o que dizemos e fazemos atrás de um ecran ou de um smartfone.

Em vez de culparmos a tecnologia pelos nossos actos, seria melhor repensar a forma como nos dirigimos aos outros e como permitimos que se dirijam a nós.

Num mundo perfeito, isto era fácil de se fazer. Bastava que cada um de nós agisse sempre como se estivesse a ser observado. Por exemplo: imagine que troca mensagens com alguém que o admira. Alguém que dá a entender que se quer aproximar de si. Imagine que está numa relação e que esse tipo de mensagens pode criar desconforto nessa relação ou até mesmo conflitos. A unica saida é responder a estas mensagens como se o parceiro estivesse ao seu lado. O resultado será simples: a pessoa em questão percebe que não terá sorte na aproximação e você livra-se de gerar mal entendidos.

Sem “rabos de palha”, sem mentiras, sem traições, a vida flui mais facilmente. Mas para isso é necessário, antes de sermos honestos para com os outros, que sejamos honestos connosco próprios. Vivemos uma era em que nos vendem a ilusão que tudo é permitido. Somos crianças mimadas que não sabem destinguir entre um desejo ou capricho e responsabilidade ou obrigação.

As redes sociais apenas demonstram na integra que ainda temos muito a evoluir no que toca a relações humanas. Pode até dizer-se que são o nosso espelho, o reflexo que dirigimos ao mundo. Quando vamos à casa de banho, fechamos a porta por uma questão de privacidade. Talvz seja melhor fechar a porta a certos hábitos e resolvê-los internamente antes de nos expormos aos outros de forma errada.

Um casamento não acaba porque se tem conta no facebook.  Ele acaba porque não existe diálogo e sentimento.

Um namoro não corre mal porque existe um Instagram. Ele corre mal porque as pessoas se expõem ao ridiculo.

A familia não comunica dentro de casa, não porque existem muitos aparelhos de televisão, computadores e telemóveis. Mas sim porque nessas familias já não existem regras de convivio nem horários para se estar uns com os outros.

Temos urgentemente de reatar a ligação do nosso cérebro com a nossa consciência, se queremos uma sociedade mais cívica, honesta e feliz.

Tags
Show More

Sónia Marques

Nasci a 7 de Janeiro de 1977 em Lisboa. Nunca fui uma aluna de excelência, mas sempre fui apaixonada por leitura e escrita. O meu percurso profissional não tomou o rumo daquilo que sinto ser a minha missão de vida, mas deu-me ferramentas poderosas como observadora. O atendimento ao público todos os dias proporciona histórias de vida e ensinamentos que me fazem exaltar a criatividade. E são essas, as estórias de vidas e pessoas reais, os seus desafios e a forma como encaram a vida que me faz crescer e aprender valiosas lições. O comportamento humano, nem sempre positivo, fascina-me.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker
%d bloggers like this: