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Estamos tramados

Tal como qualquer outro Português assisti ao debate Passos/Costa. Não o segui via TV, porque tinha outras coisas para ir fazendo e porque na Rádio os Jornalistas dão-nos conta de situações que as Televisões não conseguem, ou não podem mostrar. E segui este debate não porque seja associado (perdão) militante do Partido Socialista (PS) ou de qualquer um dos Partidos da Coligação Partido Social Democrata (PSD)/Partido Popular (CDS – PP). Aliás já aqui o disse e repito: não tenho filiação partidária alguma. Como tal segui o dito debate na perspectiva de um eleitor indeciso

E no final do debate com que impressão fiquei? A de que estamos tramados. Se eu estava indeciso antes do dito ocorrer, então agora fiquei ainda mais, porque nas duas horas em que o dito debate se desenrolou nenhum dos candidatos à governação do nosso País mostrou uma única ideia daquilo que pretende fazer, caso venha a ser Primeiro-ministro. E os Jornalistas bem que tentarem que assim fosse, mas tanto Passos Coelho como António Costa mostraram estar mais interessados no ataque mútuo do que na dissecação das suas ideais de governação.

Foi para mim constrangedor ver tal coisa. Assim como também acho de uma “parolice extrema” termos analistas políticos das Televisões, Rádios e Jornais virem para a Praça Pública dizer que Costa ganhou o debate. Como se os debates fossem uma espécie de combate de boxe, onde os lutadores seguem as instruções do seu treinador…

Para mim, o debate que a Comunicação Social disse ser do século foi um tremendo fiasco. Não saiu da linha do que temos visto entre os representantes dos Partidos com assento na Assembleia da República, mas que ficam de fora do arco da governação. Apenas Catarina Martins, porta-voz da Comissão Permanente do Bloco de Esquerda e candidata a Primeiro-ministro, é que conseguiu esclarecer um pouco o eleitorado, mas também esta se perdeu na guerra habitual. E não era para menos, porque do outro lado da barricada estava o maior aldrabão que a Política Portuguesa conheceu (Paulo Portas).

Ao que parece na próxima semana vamos ter um debate radiofónico entre Passos e Costa. De certeza que o irei ouvir com atenção, mas não alimento esperança alguma de que venha a ouvir aquilo que realmente interessa. Estou a contar com mais do mesmo e depois de certeza que iremos ter as rádios a entrevistar individualmente Passos e Costa, porque só desta forma o eleitorado consegue ficar a saber se os candidatos sabem alguma cosia sobre os programas que dizem querer aplicar, quando forem eleitos.

Uma nota final sobre o Novo Banco. Ao que parece os Chineses voltaram a bater com a porta no processo de negociação da “caldeirada” que o Executivo de Passos Coelho/Paulo Portas criou com a conivência do Sr. Governador do Banco de Portugal. Inclusive o Banco de Portugal já fez saber que o processo de venda do Novo Banco transita para a nova legislatura. Ou seja, empurra-se o problema para um novo Governo que tudo indicia que irá ter maioria relativa na Assembleia da República e que terá de ir aos bolsos dos contribuintes para tapar mais um buraco.

E não tenham ilusões, porque vamos mesmo todos pagar a trapalhada do BES. Não se fala nisto, mas os Bancos não contribuíram para o tal fundo de sustentabilidade da Banca. Estes emprestaram o dinheiro ao dito fundo e, mais tarde ou mais cedo, vão querer reaver o empréstimo com os devidos juros.

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Pedro Silva

“É preciso provocar sistematicamente confusão. Isso promove a criatividade. Tudo aquilo que é contraditório gera vida.” (Salvador Dalí)

Crítico, opinativo e com mente aberta. É isto que caracteriza um Cronista.

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