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Espírito de jornalista

Jornalista sem paixão, não é jornalista. Não basta ter uma colecção de canetas, blocos de notas, uma máquina fotográfica, ou um gravador. É preciso mais. É preciso ter espírito. Não é uma profissão onde vais ganhar rios de dinheiro. É sim aquele trabalho que te vai desafiar a cada momento, que te vai enriquecer com histórias e a melhor parte é que vais ser tu a contá-las. A tua rede de contactos vai crescer exponencialmente. A partir de determinado momento, não vais ser simplesmente o Manuel ou a Joaquina, e sim o Manuel e a Joaquina de X jornal. A forma como a sociedade te vê muda. É uma decisão para a vida, que muda a tua vida.

Não é uma profissão como as outras. Não tens propriamente horários. Tanto podes sair a horas, como não. Tanto podes ter uma tarde livre a meio da semana, como trabalhar ao domingo à tarde. A notícia não tem lugar, nem hora para acontecer. Tu, muitas vezes, vais estar a trabalhar, quando os outros estão a dormir. Tens uma missão enorme nas tuas mãos – informar. O peso de apurar a verdade. É esse o espírito. O teu cérebro vai estar sempre ligado. Nunca se vai desligar totalmente.

Adrenalina. Muita adrenalina. Novos desafios a cada instante. A sirene dos bombeiros tocou? Prepara-te, vais ir muitas vezes atrás dos soldados da paz para fazer a reportagem dum incêndio, ou dum acidente. A cada fecho duma edição, vais recomeçar a pensar na nova. Que terá, igualmente, de surpreender e de cativar os leitores. Nunca paras. Na rua não serás uma simples pessoa no meio da multidão. As tuas antenas estarão sempre ligadas, ávidas por notícia. Aos teus olhos cada pessoa é uma história.

Serás chato e persistente como os outros, até conseguires a informação. Vais-te acostumar aos “nãos”. Haverá momentos em que te vais sentir um manipulador. Tudo pela notícia, tudo pela verdade. Uma verdade inconveniente para muitos. Ouvirás ameaças. O teu tempo de reacção será instantâneo, sempre com uma resposta na ponta da língua. A ética e a imparcialidade serão palavras do teu vocabulário diário. Acostuma-te à ideia: o teu trabalho será, muitas vezes, colocado em causa. Vais precisar de ter sangue frio para colocar as pessoas no lugar. Irão querer escrever por ti.

Cor política, ou clube? Tens dois caminhos: ou assumes, ou não. Se assumires estarás sempre com a imagem colada. Independentemente do que escrevas. Porém, mesmo que não o faças, serás punido em praça pública. Serás multicolor. Azul, amarelo, laranja, vermelho, enfim, todas as cores. Um conselho: sê tu próprio, mas sempre fiel aos princípios jornalísticos. O resto é consequência da profissão.

Verdade: não é fácil vencer neste meio. A crise foi mais uma machadada. As publicidades diminuíram vertiginosamente e a maior parte das redacções no país vivem na corda bamba. Terás as tuas oportunidades com os estágios curriculares e profissionais, contudo, para um contrato vais precisar de batalhar muito. Começa por bater em todas as portas. Não te contentes em enviar currículos. És apenas mais um. Cria um blogue, colabora com sites, revistas e jornais. Mostra-te ao mundo. Mantém-te activo. Faz-te ouvir. Com esforço tudo aparece ao seu tempo. Se tiveres espírito nunca vais desistir. É mais forte que tu.

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Diana Rodrigues

Minhota de gema. Distraída. Aventureira. Gulosa. Crítica. Observadora. Anti rotina. Persistente. Sonhadora. Alguém que vê na evolução um objectivo. A escrita? É mais que uma fuga. É paixão. O jornalismo regional e a imprensa online são os intermediários.

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