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Espelho meu, espelho meu, haverá algum terrorista mais forte do que eu?

Era uma vez um terrorista que vivia numa linda cidade europeia, rodeado de pessoas más, que insistiam em menosprezar as outras religiões, descriminar tudo o que era diferente e auto-intitularem-se de “liberais”.

Um dia, este nosso terrorista juntou-se a um grupo que queria acabar com os mauzões e salvar todas as suas 7 princesas, que o esperavam no céu, junto do seu Deus. O que é que ele fez? Pegou na sua arma secreta (que tinha o poder de se tornar invisível mesmo perante as máquinas mais avançadas que os guardas terríveis possuíam!) e com os seus amiguinhos explodiram um aeroporto e um metro, matando muitos dos maus e conseguindo intimidar os restantes, para ver se eles percebiam que tinham de se tornar bons!

Fim

Isto até podia dar uma bela história de contos de fadas, que lemos às nossas crianças assegurando-lhes que se matarem todos os “maus” da história de encantar, então, todos os “bons” serão heróis. Até podia, se não fosse Bruxelas, vista como nossos irmãos, automaticamente do lado dos “bons” e ferida de morte. Até podia se não fossem terroristas fanáticos, que não lutam pelo seu Deus, mas contra a nossa sociedade ocidental. Até podia, se nós invertêssemos papeis e a maioria se tornasse muçulmana. Pois, o problema é não ser.

Ir ao Facebook tornou-se ver um cenário em que se combate o terrorismo com guerra, de armas ou de palavras. É absurdo ler os mais de 100 000 comentários na página oficial da Bélgica, sugerindo ataques armados, invasões, pactos com outros países para invadir territórios muçulmanos, etc. Opiniões, palavras e mais sílabas deitadas ao vento, carregadas de ódio, feridas de sangue e violência. Uma catástrofe analisada com lente preta, enquanto se riem, qual lente cor-de-rosa, da ascensão cada vez mais evidente de Trump nas eleições dos EUA. Sem dúvida coerente, afinal condenam-se fanáticos, enquanto se aplaudem fascistas.

No entanto, alarmante é apostarem-se os locais dos novos ataques. Será Portugal, Inglaterra, ou Alemanha? Discutem-se argumentos e até se pronunciam uns tantos “gostos” de ser aqui ou acolá. Afinal, se for para uma nação ficar destruída, absorvida no seu próprio medo, incapaz de curar males menores, qual é o problema de ser uma que nos desperta alguma inveja? Assim, sempre se matam dois coelhos de uma só vez.

Enquanto isso, dedos são apontados aos refugiados que buscam auxílio nos países que mais os acusam daquilo que eles mesmo fogem. Enquanto isso, pessoas morrem nos ataques. Enquanto isso, espalha-se o pensamento do extermínio muçulmano. Enquanto isso, pequenos potenciais Hitlers vão nascendo, numa sociedade marcada pela raiva e revolta. Enquanto isso, olho à minha volta e percebo que os “maus” estão a ganhar aos “bons” e, pior, é já não saber quem é quem.

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Raquel Soares

Aluna de Direito na Universidade Do Minho com uma paixão por livros, filosofia, psicologia e o mundo. Não procuro um mundo melhor, mas esforço-me para construí-lo! Sou activista da Amnistia Internacional em Portugal e participante em projectos que visam a dinamização e a efectivação dos Direitos Humanos. Membro da Associação Universitária de debates nacional e colaboradora da ELSA UMinho.

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