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Escrever bem ou bem escrever?

A escrita está longe de ser uma ciência exacta, mas é certo que para escrever bem é imperativo o uso correcto da língua portuguesa, livre de todo e qualquer erro ortográfico. Apesar da escrita ser uma competência que é aprendida, tem que se saber utilizá-la. Não basta somente um texto com a pontuação adequada e no sítio certo, que pode não fazer sentido ao leitor, ou que este se possa perder na sua leitura. Em primeiro lugar, é importante que, antes de qualquer palavra, se defina o receptor da mensagem, ajustando-a ao qual se destina.

Após definir-se o receptor, é necessário que a ideia esteja bem estruturada, o que requer um conhecimento e pesquisa prévios do tema a ser explorado. É desejável que, ao nível da tipologia, o texto se inicie com uma introdução do tema, para dar lugar ao seu desenvolvimento e posterior conclusão, como que um fio condutor que facilita o trabalho não só de quem escreve como de quem lê. A escolha do género do texto, se descritivo, narrativo, ou de dissertação, vai depender do gosto particular do autor, bem como da tipologia com a qual se identifica a escrever. No final, o que verdadeiramente importa, é que o escritor se sinta confortável na sua escrita, independentemente de qualquer tipo de formatação.

Regras à parte, escrever bem é consideravelmente diferente de bem escrever. Pode-se escrever bem e não existir conteúdo, não se transmitir qualquer mensagem, a mesma não causar qualquer impacto nem tão pouco ficar na memória. Não há grandes mistérios, o segredo para bem escrever é bastante simples: aliar o português correcto à paixão. Trata-se de pegar nas palavras e de com elas brincar, utilizando todos os seus sentidos, do literal ao figurado. Quando nos projectamos através da ponta da caneta, não há obrigações de pontuação, barreiras nas palavras, porque simplesmente a imaginação não tem limites e, como tal, não deve ser limitada por aquilo que se considera correctamente redigido.

Como em qualquer situação, não só ao nível da comunicação, é importante mantermo-nos fiéis a nós próprios e revermo-nos no nosso trabalho. Mesmo quando o tema ultrapassa os limites da nossa opinião e tenha por base a pesquisa de tudo aquilo que sobre ele já foi escrito, é sempre uma mais valia reescrevê-lo com uma perspectiva própria, conferindo, assim, ao texto uma certa personalidade, que decerto fará toda a diferença. A escrita é, sem dúvida, uma arte e, por muito que se escreva bem, sem paixão não há bem escrever.

A escrita é a pintura da voz
(Voltaire)

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Sara Pereira

O que me define não é a formação académica ou estudos complementares.
Sou isto: nem mais nem menos que alguém, mas ninguém é igual a mim. Sou única, com os meus defeitos e virtudes.
Sou complexa e simples ao mesmo tempo. Por vezes complexa nas alturas em que deveria ser simples, nunca ocorre no tempo certo ou na medida exacta. Sou descomedida na medida do equilibrado. Sinto muito mas esqueço depressa. Apaixono-me constantemente pela paixão e sofro desilusões assolapadas. Cada dia, mais que em qualquer outro tempo, tento equacionar que não é nem será a ultima vez que as sofro e assim aprendo a senti-las menos.
Sou sonhadora e vivo a sonhar com um mundo que seja um lugar melhor para nós. Gosto de viver alienada desta dita realidade que me rodeia, para não sabotar quem sou. Sou uma alma em constante desconstrução para que me possa continuar a construir. Tenho eternas perguntas que nunca serão respondidas.
Gosto de escrever. O que me falta na comunicação verbal, compenso na escrita. Gosto da fluidez das palavras, do peso que podem adquirir, da maneira como podem tocar, do significado escondido que podem ter. Para além do que dizes ser óbvio há sempre mais, se escolheres ler-me. E quando verdadeiramente me lês, sou isto: nem mais nem menos, mas feliz por ser assim.

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