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Era da informação: o novo campo de batalha da “guerra fria”

From Stettin in the Baltic to Trieste in the Adriatic an iron curtain has descended across the Continent. Behind that line lie all the capitals of the ancient states of Central and Eastern Europe. Warsaw, Berlin, Prague, Vienna, Budapest, Belgrade, Bucharest and Sofia; all these famous cities and the populations around them lie in what I must call the Soviet sphere, and all are subject, in one form or another, not only to Soviet influence but to a very high and in some cases increasing measure of control from Moscow.

Foi assim que Winston Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido, descreveu o mundo pós Segunda Guerra Mundial, em Fulton, no Missouri, em 1946. Da vitória dos Aliados (aliança entre Reino Unido, EUA e Rússia) emergiu um novo mapa geopolítico que repartiu o mundo em duas esferas de influência: o lado ocidental, liderado pelos EUA e o lado soviético, encabeçado pela Rússia, que mais tarde, veria a tornar-se a URSS, referente ao conjunto de países comunistas afectos ao aparelho russo. Esta “cortina de ferro” que dividia o mundo em vários aspectos da realidade social ditou as regras da diplomacia internacional por mais de quatro décadas desencadeando confrontos no âmbito regional.

Findado este período histórico, precipitado pelo desmembramento do bloco soviético em 1991, o mundo viu o capitalismo sair vitorioso com os EUA a assumirem o protagonismo no cenário mundial assente na democracia e no respeito pelas liberdades individuais. Porém, as regras do jogo internacional parecem estar em mudança novamente, colocando em causa o unipolarismo alcançado pelos EUA no final do século XX, conduzindo o mundo para aquilo que alguns autores já apelidam de uma Nova Guerra Fria.

Se na época da Guerra Fria, a corrida ao armamento, de cariz nuclear, por parte das duas potências foi uma prática recorrente, hoje o foco é outro: a informação. Agora a necessidade de deter o poder militar foi transferida para o poder da informação reflectindo a era em que vivemos, onde a velocidade a que a informação viaja é alucinante. O facto de um país ter em mãos uma informação que é do desconhecimento de outro altera a balança de forças conferindo um poder de antecipação valioso e envolvendo o mundo numa onda de secretismo (facto que o site WikiLeaks tenta dissipar revelando à sociedade as informações secretas na posse de vários governos).

Deste modo, a tónica colocada sobre o valor da informação por parte dos países tem levado a uma espécie de “espionagem cibernética”. Recentemente, a Mandiant, uma empresa norte-americana de segurança, apresentou um relatório onde expõe uma unidade do exército chinês responsável por uma série de ataques aos sistemas informáticos de 141 entidades do mundo sendo a maioria instituições americanas. No entanto, este comportamento também foi verificado por parte dos EUA com acusações feitas pelo governo iraniano, em 2010 atribuindo a culpa aos EUA de um ataque informático ao seu sistema com o objectivo de refrear o programa nuclear do Irão.

Ainda assim, apesar das acusações por parte dos estados, os governos negam qualquer tipo de envolvimento com estes ataques mantendo as disputas somente no campo digital, sem declararem abertamente as suas intenções como é próprio de uma guerra fria. Porém, ainda que estas movimentações se passem, principalmente, nos bastidores é claro que os governos estão conscientes da importância da esfera da informação e que esta se está a tornar no novo campo de batalha da política internacional.

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Estela Tavares

Sem dúvida, que a comunicação é uma paixão inegável e que me define como pessoa, por isso, a licenciatura em jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social foi um passo natural. Poder escrever sobre o mundo, que nas suas múltiplas manifestações nos fornece a matéria-prima, que nos rodeia é um privilégio.
Quanto a mim, os vícios por porta-chaves, sapatos e o Nadal (um grande tenista) são algumas das características, que segundo os meus amigos me conferem uma loucura q.b

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