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Henrique Neto: O socialista independente com “energia suficiente”

Henrique Neto é um conhecido socialista que, ao longo dos anos, foi construindo uma relação de amor-ódio com a política em Portugal, alternando o seu activismo com a sua vida empresarial de sucesso. Crítico do seu próprio partido – o PS – não tem o apoio do mesmo nesta candidatura presidencial independente e vê isso como “natural”, já que considera que poderá existir algum incomodo no seio do PS com a sua iniciativa. Henrique Neto tem 79 anos e foi o primeiro a avançar para uma candidatura com ideias claras e próprias. Planeia aumentar as exportações nacionais, quer explicar os grandes investimentos aos contribuintes e considera ter a energia “suficiente” para ser Presidente da República.

Numa manhã solarenga, em pleno Chiado e de sorriso aberto, Henrique Neto recebeu o Repórter Sombra para falar sobre alguns dos principais aspectos da política nacional, das suas ideias para Portugal e, ainda, da sua posição acerca da Europa.

Já afirmou em algumas entrevistas que o grande problema de Portugal é a falta de visão estratégica e uma certa navegação à vista. Qual é a sua estratégia para Portugal caso seja eleito Presidente da República?

Portugal sempre teve uma estratégia, às vezes definida, outras vezes indefinida, mas, ao longo da sua história, foi nunca ser um país unicamente europeu, sempre foi um país a que eu chamo euro-atlântico. Depois do 25 de Abril, por força da saída das colónias, nós acabámos por envergar por um país apenas europeu e isso foi um erro grave, talvez o grande erro pós-25 de Abril. O que eu defendo é retornarmos aquilo que sempre fomos, um país que é europeu, que faz parte da União Europeia e não quer deixar de o fazer, mas que, ao mesmo tempo, tem uma cultura, uma história e até uma experiência que é muito válida no Atlântico, em relação às Américas, em relação à Ásia, em relação a África. Isso é particularmente relevante num tempo de globalização. Nós não podemos ficar indiferentes.

Como é que se diferencia das candidaturas dos outros candidatos, nomeadamente Sampaio da Nóvoa, o outro grande candidato sem apoio oficial de nenhum partido?

O professor Sampaio da Nóvoa não é apartidário, toda a gente sabe disso. Em qualquer dos casos, a grande diferença entre a minha candidatura e as outras resulta do facto de eu, durante muito tempo, mais de vinte anos, ter pensado nestas questões do país, da estratégia, publiquei um livro, redigi duas moções em dois congressos do Partido Socialista, escrevi textos, analisei a economia, tenho uma experiência política que resulta de antes do 25 de Abril e depois do 25 de Abril. Digamos que todo esse trabalho que fiz ao longo destes anos foi sempre a pensar o país, mesmo as moções eram a pensar em Portugal. Portugal primeiro, uma estratégia para Portugal. Portanto, tudo isso era pensar o país. Tenho ideia que os restantes candidatos são certamente pessoas estimáveis, mas nenhum deles apresenta esse capital de experiência e pensamento. Verifico até com alguma surpresa que por vezes tentam colmatar essa deficiência com excesso de verbo.

Como vê a possível candidatura de Rui Rio?

Mais que natural. É natural que o PSD e a direita tenham um candidato e o Rui Rio, provavelmente, é dos melhores que está à disposição da direita neste momento, é natural.

Sente que parte em desvantagem por não ter o apoio de um partido, nomeadamente do PS?

Se eu parto em desvantagem? Claro que sim. É muito difícil para um candidato, que não tem um apoio partidário, não pode usar toda a militância partidária e até todo o dinheiro que o partido disponibiliza para estas coisas, concorrer com outros candidatos com todos esses apoios. Tenho estado a criar uma organização, custa dinheiro e o dinheiro não abunda. Tenho estado a encontrar apoiantes, felizmente têm aparecido muitos, o que facilita, nomeadamente pelo clima da convicção de que os partidos não têm estado à altura do desafio que o país necessita. Mas em qualquer dos casos, é uma fragilidade grande de uma candidatura como a minha.

Como é que reagiu, quando António Costa afirmou que a sua candidatura lhe era indiferente?

(Risos) Esse foi o menor dos problemas da minha candidatura. Não afectou a candidatura e entendo de alguma maneira, acho que se pode compreender…

Como?

É um certo sinal de desconforto. O PS tem tido muitas incoerências e eu tenho sido crítico do PS ao longo dos anos, que, apesar de tudo é o meu partido, é o partido onde eu milito. Portanto, essas incoerências, esses erros conduziram o PS a uma certa situação de fragilidade na sociedade portuguesa, nomeadamente num ano de eleições. E portanto o secretário-geral do partido, naturalmente, tem problemas complicados para resolver e nem sempre, talvez, reaja com a ponderação que o momento exige.

Uma das suas principais ideias é aumentar as exportações que, nesta altura, representam cerca de 40% do PIB português. Como é que planeia fazer isso?

Para já, é uma fatalidade, porque não há economia portuguesa que possa sobreviver em boas condições com 40% das exportações. Nenhum país europeu da nossa dimensão, ou seja, um pequeno país, com um pequeno mercado interno pode sobreviver com 40% das exportações. Os que têm menos têm 60% e vai até à Irlanda com 85%. As empresas não conseguem rentabilizar investimentos em tecnologia, em reformas empresarias no sentido da modernização das empresas com um mercado de 10 milhões, não é possível. Não se podem comprar equipamentos, tecnologia, ter quadros, etc., numa empresa moderna, mesmo que seja pequena, apenas com o mercado interno. Se a economia portuguesa quiser contribuir para a melhoria de vida dos portugueses (e é essa a função da economia) deve ter, pelo menos, como eu costumo dizer, 60% do PIB português em exportações.

Mas como fazer isso?

Através do investimento. Todos sabemos que as empresas portuguesas estão em dificuldades financeiras, não é previsível que venham grandes investimentos em Portugal, temos de apostar no investimento externo. E numa estratégia, que é aquilo a que eu chamo de estratégia euro-atlântica. Nós temos, felizmente, nesta conjuntura económica, uma grande quantidade de empresas, médias empresas principalmente, que têm inovado muito e temos um potencial enorme em diversos sectores de criação de novos produtos. O sector da indústria de ferramentas que criou ao longo dos anos sectores de engenharia de produto, sector dos plásticos, de metal, electrónica, prototipagem de produtos, robótica, enfim, nós temos um conjunto de médias empresas que fornecem tudo aquilo que é necessário para fazer novos produtos.

Falta somente aposta no investimento?

Falta aposta no investimento e falta, principalmente, mercado para esses produtos.

Se existe falta de mercado, como é que esses produtos podem vir a ser solução?

A forma mais rápida de conseguir isso, porque temos também um problema de urgência, é através do investimento estrangeiro. Mas, para atrair o investimento estrangeiro, temos de ter uma estratégia de atracção, um argumento forte de atracção. Esse argumento, a meu ver, baseia-se em Sines. Sines, por várias razões, é a melhor localização da Europa que corresponde ao novo modelo de transporte de carga marítima, que é feita em grandes navios, enormes navios de outros continentes para a Europa e da Europa para outros continentes. Navios que transportam entre 18 mil e 20 mil contentores e esses navios, pela sua dimensão, não fazem a distribuição dos contentores por diferentes localizações, têm um porto de preferência e chegam a esse porto, descarregam tudo e depois outros navios mais pequenos fazem a distribuição. Sines está no centro da Europa. É o porto mais próximo das rotas do Atlântico, portanto, tem uma vantagem competitiva grande e está no centro, logo os navios que partem de Sines podem ir para o sul da Europa, para o norte da Europa em distâncias mais ou menos equivalentes. Sines não está descentrado.

Portanto, se Portugal adquirir esse mercado da paragem dos grandes navios para fazer isso em Sines, é preciso investimento em Sines que não tem sido aprovado, nomeadamente por este Governo por razões difíceis de compreender. Os navios param cá com muita frequência e isso incentiva e permite, se for bem explicado e se constituir uma promoção clara de Portugal na Europa, constituir um local ideal para o investimento daquilo que eu chamo de empresas integradoras. Por exemplo a Auto-Europa, que são empresas que recebem componentes de todo o mundo, Estados Unidos da América, Canadá, México, China, Taiwan, Coreia, Alemanha e Espanha, que são os grandes fornecedores da Auto-Europa. Recebem tudo isso, monta num produto, que, neste caso, é um automóvel, e envia para todo o mundo, em condições de competitividade, custo e rapidez. Evitar tempos mortos, evitar burocracias, tem de ser feito tudo com grande eficiência, a baixo custo. O porto de Sines permite atrair empresas, como a Auto-Europa, aproveitando também a capacidade portuguesa de que eu lhe falei antes: ferramentas, robótica e uma mão-de-obra que está disponível e que muita dela está no desemprego.

Ainda no que toca ao investimento, o Henrique Neto tem dito que quer explicar aos portugueses todos os grandes investimentos feitos. Esta medida é uma acção didáctica e pedagógica tendo em vista a informação do eleitorado, ou é uma tentativa de procurar uma participação mais directa da população na política?

A maior participação dos portugueses na política atravessa toda a minha candidatura, tem que ver com aspectos políticos, económicos, sociais e, portanto, também tem esse objectivo. Mas tem, também, aspectos essencialmente práticos e até éticos, se quiser. Porque sabendo-se que, quando há um investimento do Estado, há sempre interesses associados, interesses privados, é normal. Quando se faz uma auto-estrada, há sempre quem a queira fazer. Nós já estragámos muito dinheiro em investimentos desnecessários, inúteis.

Está a referir-se às Parcerias Publico-Privadas?

Sim, entre outras coisas. Portanto, parece-me aconselhável e necessário que o Estado seja muito cuidadoso a fazer investimentos no futuro. Aliás, este Governo tem-no sido, não fez nenhum investimento, praticamente. Agora que já vêm aí os dinheiros da Europa, já começa a haver alguma animação, algumas ideias de investimento, o mais importante são duas coisas: Primeiro, que os responsáveis políticos expliquem em que estratégia se integra determinado investimento, já que um investimento é um instrumento de uma estratégia. Portanto, é muito importante que expliquem quais são os objectivos e os custos do investimento e para isso terão de fazer sempre, sempre, um estudo de rentabilidade desse investimento, em termos económicos, para não voltar a acontecer que hajam investimentos como muitas auto-estradas vazias e locais de abastecimento para automóveis eléctricos que não existem. Segundo, é para que os portugueses compreendam e julguem e critiquem se o investimento se justifica na cabeça das pessoas e quais são os interesses associados.

Analisando brevemente os últimos Governos e legislaturas, houve alguma situação, algum momento em que um Governo lhe merecesse a decisão de dissolver a Assembleia da República, caso estivesse em funções presidenciais?

Aquela do Presidente Jorge Sampaio foi perfeitamente justificada. Talvez o professor Cavaco Silva devesse ter, há um ano, dissolvido o Parlamento e forçado eleições. Teríamos ganho tempo e provavelmente menos indecisões, menos atrasos que temos vivido neste último ano e meio. Podia ter clarificado a situação, nomeadamente se o Presidente da República tivesse aproveitado um momento de fragilidade dos partidos e das opções partidárias para, não diria impor, mas sugerir uma determinada estratégia nacional, um certo sentido de orientação do país de médio e longo prazo, que são sempre mais fáceis de conseguir apoio para a grande divisão do que para políticas muito concretas. Mais segurança social, menos segurança social, depende muito da ideologia de quem está no poder, agora a orientação estratégica não deveria haver grandes divergências partidárias, porque as coisas são relativamente claras se forem procuradas as soluções correctas.

É pelo consenso político?

Seria mais fácil criar um consenso político. Das duas uma: que tivesse evitado a dissolução da Assembleia, porque tinha havido um consenso partidário em relação à grande visão e, claro, o partido que tivesse no poder iria fazer a sua interpretação nessa grande visão. Os portugueses teriam tido mais um ano e meio para julgar isso. Ou, se não tivesse havido acordo, à base de uma coisa que é difícil de recusar e que o Presidente poderia apresentar, a síntese estratégica apresentada pela Associação Industrial Portuguesa, em 2003, a carta magna para a competitividade, que existe, está ali, podia ter sido aquela, ou outra, que o Presidente considerasse e teria, enfim, havido um acordo que seria bom. Se não houvesse acordo, teria havido eleições e o problema ter-se-ia esclarecido. Portanto, o Presidente, aliás como outros anteriores, mas este talvez mais, tem-se limitado ao politicamente correcto e a uma certa política de medo de intervenção.

Uma certa passividade?

Passividade que resulta de um medo de intervenção excessiva, de serem acusados de estarem a intervir. Se for a favor de Portugal e se for na defesa dos interesses nacionais, eu não estou a ver porque é que há esse medo de fazer intervenções.

Como é que lidaria com os Governos de José Sócrates, a quem o Henrique Neto já chamou de “um político com o discurso de um vendedor de automóveis”?

Pois, não teria nunca permitido os excessos que foram cometidos! Mais facilmente teria ido para a dissolução da Assembleia, que é de evitar, em todos os casos. Nunca teria permitido que se passassem seis anos de puro desastre nacional, de criação de dependências internas e externas que conduziram, enfim, ao empobrecimento dos portugueses em geral e da classe média em particular. Nunca teria permitido aquele excesso de Parcerias Público-Privadas. Entre outras coisas, nunca teria permitido a intervenção da Caixa Geral de Depósitos em nenhum negócio de grupos económicos privilegiados do regime, na OPA da Sonae à PT, nunca teria permitido que o regime fosse cooptado pelo BES, que era, de alguma maneira, isso que se passava. Cada vez que as energias de certos sectores da sociedade emergiam, na sociedade privada neste caso, o BES intervinha sempre! Interveio, quando foi a OPA do BCP ao BPI, quer dizer, neste caso, promovendo a OPA e apoiando empresários que compraram acções. Tudo isto com o apoio do Governo de José Sócrates. Eu nunca teria permitido nada disso.

Pode dizer-se: ‘então e em que ponto da Constituição é que se baseia?’ E eu digo que a Constituição está cheia de possibilidades de o fazer, mas também fora da Constituição. A primeira coisa é convencer o Governo que corre um risco sério se prosseguir nessas políticas. O Governo não quer sair do poder, ninguém quer, e, portanto, se pensarem que o Presidente da República não vai mesmo aceitar, pensam duas vezes em prosseguir a política. Depois, se prosseguirem, dirigindo-me aos portugueses, explicando aos portugueses o que está em causa. Um Presidente da República, quando vê grandes conflitos, ou grandes erros, deve de os explicar aos portugueses para que eles compreendam o que está em causa. No caso das PPP, eu não hesitaria… quer dizer, estarmos a passar a futuras gerações um encargo brutal e estávamos, naturalmente, a colocar o país na dependência de um sistema financeiro global que, como temos obrigação de saber, é muito poderoso.

Fez questão de se reunir muito cedo com todos os principais líderes dos partidos com assento parlamentar. Qual vai ser a sua postura em relação às legislativas que se irão desenrolar já daqui a sensivelmente um mês e o que feedback tem tido desses encontros?

O feedback, enfim, é aquele que é expectável. Talvez aquela discussão que é mais franca e mais construtiva tenha sido, estranhamento, com o CDS. Quanto à intervenção da minha candidatura em relação às legislativas, vai ser forte. Nós vamos publicar um conjunto de textos, alguns já prontos, sobre, por exemplo, os programas partidários, focando os aspectos positivos e negativos desses programas. De alguma maneira, já publicámos a questão da estratégia, a questão do modelo económico, de alguma maneira, balizando o caminho da presidência, no caso de ser eleito, em fazer saber quais são os pontos de vista, para não haver surpresas depois, no caso de eu ser eleito.

Tem falado pouco da Europa. Não é prioridade?

Ouça, sobre isso, o que eu tenho feito nos partidos. Tenho-me limitado a distribuir um texto que eu escrevi há 25 anos, sobre a Europa.

Como é que um texto com 25 anos consegue manter-se actual nesta conjuntura europeia frenética?

Contínua actual, na minha opinião. Eu posso-lhe dar esse texto, se quiser. No essencial, contínua actual. No fundo, o que o texto diz é uma coisa muito simples. No momento em que entrámos na União Europeia, era compreensível que houvesse grandes diferenças de nível de vida entre os países europeus do norte da Europa e do sul da Europa, porque tínhamos economias muito diferentes, muito mais fortes no norte, mais fracas no sul. Mas isso não era sustentável, se queríamos realmente construir uma Europa que valesse a pena, teríamos que rapidamente ter políticas que equilibrassem os níveis de desenvolvimento entre o norte e o sul. No sentido de criar mais igualdade dos cidadãos na Europa, propus exactamente o que é que era preciso fazer para que isso acontecesse: que era um orçamento europeu, para a saúde e para a educação. Da mesma forma que há e havia um orçamento para a agricultura, era fazer a mesma coisa – passa por olhar para a saúde e educação como os factores de maior desenvolvimento e de maior igualdade de oportunidades dos cidadãos. Porque se não o fizéssemos – e não o fizemos – as clivagens permanecerão.

É da opinião que a Europa está parada desde 1990?

Talvez até tenha regredido. Porque, há 25 anos, aquilo que eu propunha não era uma utopia, era fazível. Agora é uma utopia.

Uma frase final para a economia e política portuguesa…

Os Governos conduziram, o de José Sócrates, apesar de ele ter aquela dinâmica toda, mas, também, os anteriores, conduziram Portugal à decadência. A evolução portuguesa é de decadência! Porque, como não temos políticas, como não temos estratégia, vamos, no fundo, vivendo na reação aos problemas do curto prazo. Quando isso se faz, o resultado é a decadência. Como eu digo no meu livro, nós nunca nos aproximamos dos níveis de vida da Europa mais avançada, nós nunca conseguiremos fazer isso, fazendo hoje aquilo que os ingleses fizeram na década de 80 do século XX. Ou seja, o seguidismo e a cópia, como fizemos no tempo do professor Cavaco Silva em relação à Europa, nunca nos vai conduzir ao progresso. Um país que é pobre não deve gastar dinheiro em modelos envelhecidos e desnecessários.

Sente-se com toda a energia para ser Presidente da República?

A suficiente.

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Filipe Pardal

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. É assim que o meu currículo académico se define. Quanto às origens: 90% alentejano e 10% algarvio, ambas com um orgulho desmedido ainda que por motivos diferentes. As minhas temáticas preferidas vão desde a política ao desporto, com passagem pela música e literatura. A mistura parece abrangente mas a paixão é bem concreta: escrever e investigar.

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