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Educar para a paz

Assustada. É assim que se sente grande parte das pessoas. Não saímos à rua sem pensar que algum ato terrorista se pode suceder. Não só em Paris ou no Médio Oriente, centros das notícias mais trágicas nos últimos tempos, mas também nos restantes países da Europa ocidental se sente o medo de mais um atentado à liberdade dos inocentes. De salientar o assunto dos refugiados, cada vez mais falado atualmente.

Depois do massacre ao jornal satírico Charlie Hebdo, Paris voltou a ser alvo de mais um ataque à liberdade. Os ataques de novembro do ano passado consistiram em fuzilamentos em massa, atentados suicidas, uso de reféns e explosões. O terror instalou-se. Neste sentido, pergunto-me onde está a liberdade, especialmente a de expressão, que é condição essencial da cultura das sociedades ocidentais.

Contudo, esquecemo-nos constantemente dos outros países que também são alvo de atentados terroristas e, que, por serem tão “comuns”, acabam por nos passar ao lado. Na Turquia, por exemplo, os curdos representam cerca de 15% da população, o que faz deles a maior minoria étnica do país. Os ativistas dos direitos humanos curdos são, contudo, maltratados, perseguidos e não lhes é permitido formar qualquer partido político. São várias as técnicas utilizadas para suprimir a sua identidade étnica, nomeadamente a proibição do uso da língua curda, a recusa em registar crianças com nomes curdos, a proibição de negócios que não tenham nomes árabes, a proibição de escolas privadas curdas e a proibição de livros e outros materiais escritos em curdo. Poderia falar de mais, mas acho que por aqui já se entende a falta de liberdade que este povo tem, quer na Turquia, quer nos outros países em que se encontra espalhado, especialmente no Iraque, em que o povo curdo, ameaçado pelo Estado Islâmico, se constitui como única forma de combate ao mesmo.

Nós, portugueses, que nem temos muitas razões de queixa, começamos já a sentir o temor de mais um atentado, de mais um massacre, de mais uma rebelião. É claro que sempre existiram guerras e conflitos, mas estamos em pleno século XXI e o medo começa a espalhar-se por toda a parte, incluindo nas figuras de autoridade, que se veem sem mãos a medir. Pergunto-me, então, perante o panorama de autoridades angustiadas, como está a segurança a nível europeu, sem falar a nível mundial. Os atentados parecem-me sempre muito bem organizados. O terror planeia-se, mas a liberdade não.

Neste cenário, temos de ter em conta a educação das crianças e os ensinamentos que lhes podemos passar em relação a este tema. A escola parece ser uma solução, mas o acompanhamento familiar também é importante. Isto, porque cada vez mais se ouvem tragédias que ocorrem na escola. As crianças precisam de estar preparadas para tudo.

As crianças que são vítimas destas tragédias devem ser acompanhadas, quer por especialistas, quer pela família e pelas pessoas que as rodeiam. Devem também saber desde o início que é preciso ter cada vez mais cuidado no mundo em que vivemos.

Não obstante, deve educar-se a criança para ser curiosa e saber mais sobre o mundo. Ver as notícias, acompanhar a atualidade, perceber as pessoas e os seus diversos modos de pensar e atuar são formas de a criança estar a par de tudo, mesmo não percebendo totalmente o que acontece. Os pais devem ser os responsáveis por explicar as outras realidades à criança. Os pais não devem esconder nada. Só assim as crianças podem adquirir sentido opinião crítico sobre o mundo e estar preparadas para qualquer tipo de obstáculo.

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Maria João Mesquita

Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho, quero muito seguir a área do jornalismo. Gosto de escrever e sempre me atraiu esta área, ainda que tenha outros interesses e se torne um pouco difícil para mim escolher um só. Considero-me uma pessoa comunicativa, apesar de no passado ter sido bastante introvertida. No entanto, a minha paixão pela comunicação, pela escrita e pela criatividade falou mais alto e deu-me asas para ir mais longe.
Gosto muito de tecnologias, de ler, de passear, viajar, dançar e de ajudar os outros.

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