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E se (des)aproveitássemos o tempo?

O desafio é abrandar, relaxar, desfrutar. Aproveitar o momento. Praticar, como diriam os italianos, o dolce far niente.

Nestes tempos frenéticos, desperdiçar tempo é um drama diário. As listas infinitas de coisas a fazer e as correrias de um lado para o outro marcam este tempo em que tudo parece urgente. E guardar alguns minutos para fazer o que nos apetece acaba, muitas vezes, por resultar em sentimentos de culpa.

Muitas vezes, saímos para passear ou para tomar um café e começamos a pensar no que deveríamos estar a fazer. Sentimo-nos culpados por não nos estarmos a dedicar a nada de “útil” ou “urgente”. Sentimos que estamos a desaproveitar o tempo ou (sendo mais radical) a desperdiçá-lo.

Recusamo-nos a fazer verdadeiras pausas. Sair com os amigos ou dar longos passeios ficam em último plano, quando começamos a pensar no que devemos de fazer. Ainda assim – e este é o grande paradoxo -, quantas horas gastamos, por exemplo, a fazer scroll no feed do Facebook ou do Instagram?

Pois bem, actualmente, parece que o desafio é abrandar, relaxar, desfrutar. Aproveitar o momento. Praticar, como diriam os italianos, o dolce far niente (a doçura de não fazer nada). E praticá-lo sem culpas.

Afinal, desaproveitar o tempo pode ser na realidade aproveitá-lo, diminuindo os níveis de stress e aumentando a sensação de bem-estar. Além disso, há quem refira, inclusive, que os momentos de pausa no trabalho aumentam a produtividade e a criatividade.

Se quisermos levar esta ideia ao extremo e aproveitar uma longa pausa no trabalho, pode ser interessante conhecer a estória de Stefan Sagmeister, um designer que fecha o seu estúdio durante um ano de sete em sete anos. “Como podem imaginar é um tempo adorável e muito energético”, diz.

Então, e se aproveitássemos o tempo? Se reservássemos algum tempo para não fazer nada? Falo, neste caso, de não fazer nada de “útil” ou “urgente” e não no sentido literal. Contudo, também podemos decidir não fazer literalmente nada. Marcelo Bohrer é o criador do nadismo. Este movimento entende o não fazer (literalmente) nada como forma de aproveitar o tempo. A sua página de Facebook já tem mais de 4500 seguidores e são convocados eventos para que os participantes se juntem, por exemplo, em jardins para não fazer nada.

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Marisa Mourão

Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho. É apaixonada por uma boa história. Ainda é das que acredita que os media podem ajudar na construção de uma cidadania ativa.

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