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E se a União Europeia não existisse?

Imaginem um mundo sem a União Europeia? Qual seria o desenho político e económico da Europa? Embora a desconfiança relativamente ao projecto europeu seja um facto, conceber uma realidade em que a União Europeia é difícil de idealizar.

Muito da Europa que conhecemos hoje é uma herança de um dos acontecimentos mais marcantes do século XX: a II Guerra Mundial. A devastação e miséria que a guerra causou no velho continente marcou a geração que viveu na altura e definiu as regras para as vindouras. A União Europeia, filha da Comunidade Europeia de Carvão e Aço (CECA) e da Comunidade Europeia Económica (CEE), nasceu da vontade de manter a paz, evitando um terceiro conflito global, que compromete-se ainda mais o futuro das nações europeias, e da necessidade de recuperar a economia da Europa.

Assim inimigos de outrora uniram-se para reerguer o continente. Caso a paz e a recuperação económica não tivessem sido os princípios escolhidos pelas nações vencedoras da II Guerra Mundial, hoje viveríamos numa Europa ainda mais dividida. A Alemanha e a França, históricos inimigos, não teriam a relação de cooperação de que agora gozam e quiçá a Alemanha ainda estaria dividida em zonas de ocupação. Se a UE não existisse, provavelmente, os países da Europa do Leste nunca se teriam conseguido desligar da influência da URSS, quando esta se desmoronou, e não haveria uma alternativa viável, após o declínio desta potência, permanecendo sobre o domínio da Rússia.

Em termos económicos, se os fundos comunitários permitiram a modernização nas infra-estruturas de alguns países e impulsionaram os níveis de crescimento económico, a adesão dos estados-membros à moeda única, como um dos passos para consolidar a união económica e monetária da UE, privou os governos de cada país da soberania sobre a sua moeda e de aplicar políticas monetárias em resposta a uma situação de contracção da economia. Desta forma, o aumento de poder delegado para as altas instâncias da UE tem sido proporcionalmente inverso ao poder dos governos nacionais, pois todos os aspectos são controlados pelas directrizes da UE.

Contudo, a ilusão talvez se torne realidade num futuro próximo tendo em conta a recente posição do Reino Unido que se prepara para realizar um referendo quanto à continuidade desta nação na UE. Na verdade, o Reino Unido sempre foi uma nação que se posicionou com um pé dentro e fora do bloco europeu, a recusa em aderir à união monetária é um espelho da atitude distante perante a UE. A incerteza e desunião são sentimentos cada vez mais comuns junto dos cidadãos do velho continente que nunca se sentiram verdadeiramente europeus.

 

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Estela Tavares

Sem dúvida, que a comunicação é uma paixão inegável e que me define como pessoa, por isso, a licenciatura em jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social foi um passo natural. Poder escrever sobre o mundo, que nas suas múltiplas manifestações nos fornece a matéria-prima, que nos rodeia é um privilégio.
Quanto a mim, os vícios por porta-chaves, sapatos e o Nadal (um grande tenista) são algumas das características, que segundo os meus amigos me conferem uma loucura q.b

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