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É preciso Revitalizar a Democracia

A democracia e a política têm uma dimensão muito mais transcendente e transversal do que aquilo que muita gente pensa. O sistema político está fechado em círculos e em clichés redutores.

Os processos democráticos formais estão desgastados e as pessoas estão cada vez mais descrentes nas virtudes dos políticos e dos partidos tradicionais. Os discursos fáceis e que supostamente são anti-sistema acabam por passarem por alternativas fiáveis. Contudo, não passam de populismos e extremismos sectários que dividem, intensificam e exploram medos e ódios. No meio desta dormência, as soluções extremistas e atípicas fervilham e os salvadores da pátria aparecem com discursos que parecem atípicos, mas acabam por ser antigos e até cíclicos.

O conformismo e a desinformação são inimigos da democracia e da liberdade. Um dos grandes desafios deste seculo é a revitalização da democracia de forma a torna-la mais participativa.

Nesta era tecnológica da pós-verdade, os factos objectivos têm cada vez menos influência na formação de opinião pública. Os apelos emocionais e as opiniões pessoais têm cada vez mais peso na formação da opinião. Os factos políticos deixam de estar em foco, as crenças pessoais sobrepõem-se aos factos objectivos

A razão e o conhecimento perdem-se no meio do populismo digital feito com verdades diluídas em preconceitos e intransigência ideológica. Os apelos emocionais falaciosos e a afirmação de convicções pessoais não podem anular a importância dos factos objectivos e observáveis, porque a verdade objectiva é fulcral na democracia.

Existe uma relação entre poder e conhecimento que não podemos negar e esse poder é usado até certo ponto como forma de controlo e manipulação social. E a Verdade em política é um gigante com pés de barro produzida através dessas relações de poder.

Um dos grandes desafios da actualidade é democratizar a ética e conseguir que a gestão democrática e a solidariedade democrática sejam cada vez mais importantes no envolvimento da sociedade civil de forma a combater a dormência da falsa verdade.

“O discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo porque, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar.”

― Michel Foucault

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