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E agora Europa?

Começo a crónica de hoje ressalvando algo que acredito que não seja novidade, dado que já todos percebemos (acho eu) que em Portugal perdemos desmasiado tempo a discutir o que tem um interesse relativo do que em debater e analisar aquilo que verdadeiramente interessa e que possa ter um impacto positivo e/ou negativo na nossa Sociedade. Só assim se explica, a meu ver, pois, claro, que tenhamos estado semanas a fio a discutir as intervenções patéticas de um idiota útil endinheirado que foi chamado à Assembleia da República numa altura em que todos os partidos políticos perceberam que tinham feito asneira da grossa na questão dos professores…

Podem até me dizer que o problema é cultural. E até que aceito tal forma de ver o problema, contudo, acho que já vai sendo hora de nós todos, portugueses, percebemos que a União Europeia é muito mais do que a livre circulação de pessoas e mercadorias. É preciso ter-se em linha de conta que há já uns anos que o nosso país não tem livre arbítrio sobre o seu Orçamento de Estado… A sua elaboração é da competência do Governo eleito por todos nós, mas a aprovação do texto final do dito documento, nos últimos anos pós crise, tem estado sempre dependente do cunho de Bruxelas, restando, quanto muito, à nossa Assembleia da República uma espécie de “assinar por baixo”. Não deixa, portanto, de ser uma consequência natural o facto de os nossos serviços públicos (Hospitais, Escolas, Bombeiros, etc.) terem tido de lidar, nos últimos tempos, com a escassez de meios dado que o Orçamento de Estado português é, manifestamente, desfasado da realidade da nossa Sociedade, porque Bruxelas segue o que está escrito nos livros de Economia. A União Europeia, mesmo que bem-intencionada, não tem capacidade para conhecer, de todo, as vicissitudes das Sociedades de cada estado-membro.

Ora, tendo-se realizado há bem pouco tempo um acto eleitoral que determinou uma claríssima fragmentação do Parlamento Europeu (suposto órgão máximo da União Europeia) e uma – cada vez mais visível – quebra da tradicional dicotomia Esquerda/Direita com o aparecimento de novas forças políticas (algumas delas bem preocupantes), não seria muito mais interessante que a nossa Classe Política, Comunicação Social e, inclusive, nós próprios nos preocupássemos mais em debater o futuro que nos espera em vez de andarmos a perder tempos com idiotas presunçosos, processos judiciais em curso e outras “telenovelas” tais que servem, única e exclusivamente, para que o actual estado de coisas se mantenha tal como está? Especialmente, depois de todos nós termos passado pelo que passamos e continuamos a passar em nome de um rigor orçamental que serve os interesses europeus e nos deixa de rastos no que ao funcionamento dos serviços hospitalares dizem respeito (por exemplo)?

Volto a reiterar e desta vez em jeito de conclusão que as últimas eleições europeias (as tais de que ninguém quer saber) ditaram o principio do fim da dicotomia Esquerda/Direita. Ao Parlamento Europeu chegaram – em bom número, inclusive – forças extremistas, anti-europa, racistas e nacionalistas. Pelo meio, temos também os partidos ecologistas que, quer se queira ou não, vão tentar ter um impacto positivo no nosso dia-a-dia, se bem que ao principio possam ser tomadas medidas radicais. E, para mais, há ainda a questão de se saber qual vai ser o posicionamento político europeu dos partidos liberais que estão em crescendo na Europa Central. Por tudo isto e muito mais, e agora Europa?

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Pedro Silva

"É preciso provocar sistematicamente confusão. Isso promove a criatividade. Tudo aquilo que é contraditório gera vida." (Salvador Dalí) Crítico, opinativo e com mente aberta. É isto que caracteriza um Cronista.

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