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Diz me o que vês…

Esta semana deixo-vos com uma reflexão a propósito da prisão preventiva de um destacado político português. Algo que não me aquece, nem arrefece, pois não é meu amigo pessoal. Ouvindo as pessoas na rua e familiares, apraz-me sublinhar que todos têm algo a dizer sobre o que ouviram e viram na televisão na noite passada. Algo de errado se passa. Ou muitas coisas erradas se passam. Vejamos. Ou não têm muito que fazer, ou não consideram mais interessante falar de outra coisa. Contudo, diria eu, que na fonte está o problema. Não me refiro ao enriquecimento, que será tratado pelas instâncias judiciais, mas sim no jornalismo que nos diz o que come o fulano, de que cor é a gravata de sicrano, ou como é a casa de férias de beltrano. Que nos diz o quão chocados e emocionados estão os camaradas ou disfarçadamente regozijados estão os seus adversários. Qual é a novidade?

Elevemos um pouco a qualidade e relevância daquilo que pomos na televisão e na Internet, os meios de comunicação de massa. Pois, essa escolha também nos educa.

Se eu sonho em viver num país que tem bons políticos, que não corrompem, que não desperdiçam, que não usurpam, também sonho que esse país tenha informação digna, que eduque, que mostre aos meus concidadãos como abrir os seus horizontes, como podem ser pessoas melhores, mais conscientes com o ambiente, com o próximo, solícitos na resolução de problemas, do cumprimento dos seus deveres. Por enquanto, neste país ainda temos um telejornal que nos mostra a tempestade na China, mas não nos explica as causas das alterações climáticas. Ou mostra um bebé caído numa vala na Austrália, mas não revela quais os problemas de famílias que querem adoptar. Que fala dos lavores e sabores das feiras gastronómicas regionais, mas não nos informa das erradas políticas de planeamento e abolição das linhas férreas.

Diz-me o que vês, dir-te-ei quem és.

A quem apenas é dada a ver a novela política, não se espera uma atitude crítica, que leve à melhoria da vida dos seus filhos. Será que esse papel pode ainda caber aos professores? Duvido, pois contra tudo não podem muito. Este é um papel de todos. E hoje temos todos possibilidade de melhor participar, exigindo e falando de exigência.

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Ricardo Jorge

Lisboa, 1978. Licenciado e mestre em Arquitectura pela Universidade de Lisboa, estudou também Design e Ensino das Artes. Paralelamente a estas áreas desenvolve trabalho em Ilustração e Desenho com exposições regulares em Portugal.

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