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Divorciada… E agora?

Observo o meu reflexo no espelho, enquanto coloco o meu perfume favorito. Esboço um sorriso e sinto que estou maravilhosa.

Hoje é o melhor dia da minha vida! Vou casar com o homem dos meus sonhos e, tal como anunciam nos contos de fadas, vamos viver felizes para sempre.

A maioria das mulheres cresce a acreditar que um dia irá casar ou “juntar os trapinhos” com o seu príncipe encantado e viver um romance digno de um livro.

Um dia, depois de alguns tropeços e começos, a magia acontece e o príncipe aparece.

O início da vida a dois é repleto de sonhos e de bons momentos, mas depois surgem as dificuldades relacionais e o “amor” vai perdendo a força acabando por acontecer a frase que a maioria receia: “Quero o divórcio!”

Quando sentimos que a relação amorosa em que apostamos de corpo e alma vai terminar, sentimos um vazio no peito que segundo a maioria das pessoas provoca dor.

Muita gente pensa que é mais fácil para aquele que toma a decisão de se separar, mas quem toma a iniciativa da separação pode experimentar também um forte sentimento de culpa por estar a causar muita dor ao antigo parceiro.

Acredito que ninguém toma esta decisão de ânimo leve e que ambos os intervenientes sofrem.

Porém, como fica uma mulher depois do divórcio? O que resta dela?

São questões difíceis de responder, mas comecemos pelo início.

Com o término de um relacionamento, a auto-estima de uma mulher, salvo raras excepções, fica na “lama”. Muitas sentem um medo imenso do futuro, e quando há filhos sentem que têm que os proteger a dobrar e fazer os possíveis para minimizar o seu sofrimento. Os filhos são sem dúvida a sua primeira preocupação e durante os primeiros tempos eles são o seu foco primordial.

Depois do choque inicial e quando as emoções começam a ficar mais tranquilas, começam a tratar de si e a lutar para voltarem à sua essência, pois sentem que uma parte de si morreu fatalmente com o casamento que não resultou.

Oiço muitos relatos de mulheres que dizem sentir que além da separação do marido também acabam por se separar do grupo de amigos que tinham em comum. Para elas, é difícil continuar a viver momentos de lazer com pessoas que fizeram parte de uma realidade que agora já não é de todo a mesma.

A famosa lei da atracção de que tanto se fala começa a funcionar e é normal, e diria até mesmo saudável, que comecem a criar um novo círculo de amizades, acabando por ser, com outras mulheres que se encontram na mesma situação, e com as quais podem partilhar experiências e, sobretudo, ter apoio emocional, que se começam a relacionar.

Aos poucos e com muita perseverança, começa um novo capítulo de vida e com a ajuda da família e dos bons amigos dá-se início a um novo trajecto de vida.

Apesar de hoje em dia o divórcio ser algo que já é visto de forma banal, ainda sinto que existe alguma discriminação por parte da sociedade.

Sem querer generalizar, nos dias de hoje ainda há homens que vêem uma mulher nestas condições como um “alvo fácil”, assim como, também há as mulheres casadas que rotulam as divorciadas de forma pejorativa. Parece incrível que tal aconteça em pleno século XXI, mas acreditem que comentários do género “Desculpa eu agora já não estar tanto contigo… Mas fulana de tal é casada e temos mais coisas em comum” ainda acontecem com muita frequência.

Não é fácil viver só e há muitos momentos depressivos, enquanto se constrói uma nova realidade, mas é muito melhor do que viver numa solidão acompanhada ou numa realidade de submissão só para aparentar uma falsa felicidade para o social.

Ao contrário do que a maioria pensa, também muitas destas mulheres optam por ficar sozinhas sem necessidade de manter laços afectivos com o sexo masculino e obviamente esta decisão acarreta mais uma vez consequências.

“Bonita e sozinha? Deve ter um feitio tramado.” “Ela quer é andar com um e com outro”… Comentários maldosos que sinceramente nem merecem resposta… Contudo e dando voz a estas mulheres, deixo aqui a minha humilde opinião.

Mulher divorciada é simplesmente MULHER!

Sem rótulos e sem mistérios. São mulheres que já sofreram muito por amor e que apesar de tudo continuam sem medo de amar, têm sim, medo de não conseguir amar. Estão focadas em si, optando muitas por voltar a estudar ou simplesmente se dedicar à carreira e aos filhos, o que por si só já dá muito que fazer. Não se preocupam com opiniões alheias e não fazem do sexo uma moeda de troca. Sentem que uma relação de amor é algo sublime e que deve ser vivida a dois, sem a necessidade de se expor nas redes sociais para provar aos outros que a sua vida é feliz, porque para elas o importante é “sentir” que o são.

Sabem que não precisam de alguém para lhes dar o que não têm, porque felizmente sentem que já têm tudo o que precisam.

A construção de uma nova realidade e a conexão com a sua essência é feita um dia de cada vez, mas quando atinge a sua excelência, o brilho no olhar volta junto com o sorriso genuíno e sentem que têm em si toda a força do mundo.

Para as mulheres que estão a começar agora a viver esta realidade, deixo um conselho. Depois das lágrimas experimentem a sorrir, depois do desespero experimentem dançar, ainda que não vos apeteça… Experimentem e façam por ser felizes, porque apesar de todos os rótulos e juízos de valor não há nada melhor do que ser simplesmente MULHER.

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Mónica Monteiro

Olá o meu nome é Mónica e sou proprietária de um centro de estética e terapias alternativas. Uma das minhas paixões é a escrita, por isso para mim é um prazer enorme fazer parte desta equipa.

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1 thought on “Divorciada… E agora?”

  1. Boa Tarde! Estou prestes a me separar e estou juntando forças para isso.. não é facil, mas sinto que ser infeliz como estou não dá pra ser, meu marido parece estar se relacionando com outra pessoa, não me dá atenção e carinho e afirma que a culpa é minha pois não me esforço pra ser como ele queria que eu fosse..

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