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Distúrbios alimentares: escravas de um ideal de beleza

Obcecadas por obter o “corpo perfeito”, submetem-se a dietas restritivas e inadequadas. As pessoas com distúrbios alimentares comprometem a vida na busca de um ideal de beleza do qual se tornaram escravas.

Através do cinema, da televisão, das revistas e de tantos outros meios multiplicam-se imagens que representam um ideal de beleza construído pela sociedade. E a magreza é o requisito indispensável para o atingir. Parece ser sinónimo de competência, de sucesso e de atractividade sexual. Ser magra torna-se, por isso, desejável ou mesmo indispensável.

Esta ideia – com especial impacto nas mulheres – faz com que muitos procurem enquadrar-se nos padrões de beleza a qualquer custo. São cada vez mais aqueles que se submetem a dietas e que chegam, por vezes, a desenvolver distúrbios alimentares.

Nestes casos, há uma alteração do comportamento alimentar que leva ao desenvolvimento de problemas físicos, psíquicos, bem como a stress emocional e social. Os quadros mais comuns são a anorexia nervosa – perda voluntária de peso associada à distorção da percepção do próprio corpo – e a bulimia nervosa – caracterizada por repetidos episódios de ingestão compulsiva de alimentos seguidos do arrependimento e da indução de vómito. Estes distúrbios são graves e comprometem a vida daqueles que os sofrem, podendo mesmo levar à morte.

Segundo a psicóloga Silvia Pedroza de Faria e a Mestre em Psicologia Clínica Helene Shinohara, estes distúrbios psiquiátricos são causados por factores psicológicos e biológicos e também por factores socioculturais.

O século XXI é marcado pela busca do “corpo perfeito”. Busca que, por vezes, se torna obsessiva. Para atingir o ideal procura-se perder peso rapidamente e muitas dietas “milagrosas” levam a distúrbios, como a anorexia ou a bulimia. Além disso, a Internet pode ser um terreno perigoso para aqueles que querem perder peso. Facilmente se encontram páginas que incentivam e ensinam práticas que parecem ser “receitas milagrosas” para perder peso, mas que na realidade levam o indivíduo a desenvolver um distúrbio alimentar.

Não podemos afirmar que os padrões de beleza veiculados sejam os grandes responsáveis pela anorexia ou pela bulimia, contudo é possível observar a sua influência. Por exemplo, as imagens de modelos extremamente magras não chegam para que se desenvolva um transtorno alimentar, mas esta questão associada a outros factores pode potenciar a doença.

Por isso, o parlamento francês adoptou uma lei que impede as agências nacionais de contratarem modelos demasiado magras. Para além disso, implementaram a obrigatoriedade de identificação das imagens manipuladas. Estas medidas são tomadas como necessárias, porque, segundo o deputado socialista Olivier Véran, ser modelo é uma profissão perigosa não só para as próprias manequins, mas também para milhares de raparigas que diariamente se regem pelos seus padrões de beleza, incentivando anorexia, bulimia e outros distúrbios alimentares.

O exemplo de Paris poderá ser seguido por Madrid e Nova Iorque, transmitindo assim a mensagem de que o padrão de beleza está a mudar. Mensagem que já tem servido de mote publicitário em anúncios como os da marca de lingerie Lane Bryant. No anúncio publicitário, as modelos transmitem a ideia de que não precisam de ser magras para serem perfeitas. No entanto, as mulheres voluptuosas continuam a exibir realmente um corpo que parece não ter imperfeições. Procura-se romper com o ideal baseado na magreza, mas quais serão os requisitos do próximo ideal? Bem, essa é outra questão. Agora, a primeira questão é se realmente estes passos podem transformar o actual padrão de beleza.

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Marisa Mourão

Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho. É apaixonada por uma boa história. Ainda é das que acredita que os media podem ajudar na construção de uma cidadania ativa.

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