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Dia do Pai

Será que um dia pode conter em si tanto significado e poder? Umas simples vinte e quatro horas são uma ninharia que não conseguem expressar algo de tão potente como o milagre da vida e a perpetuação dum amor que ainda nem se sabe que pode existir. Uma aventura, uma enorme e estranha saga que se afigura pela frente e que uns braços fortes e determinados estão dispostos a segurar mesmo que se sintam como frágeis vimes ao vento e não como uns troncos sólidos e fortes como árvores centenárias.

Pai, palavra pequena e imbuída de tanto significado que acarreta e que mesmo sem o saber eleva-se a patamares onde nunca poderia pensar chegar. Pai é a origem, a célula que decide a vida que virá encantar e plantar sementes em terrenos mais férteis e repletos de inovações. Pai é a protecção que está sempre presente mesmo que não se veja, mas que se sente. Pai é uma palavra grande e gorda carregada de amor que não se esgota e que se recarrega todos os dias.

O papel do pai tem mudado ao longo dos tempos e está mais humanizado, mais terno e de coração mais aberto. Se há uns anos os bebés eram território proibido para os homens, que podiam ficar mal vistos se lhes tocassem, sendo até apelidados com nomes um pouco desagradáveis, agora é vê-los aberta e assumidamente a cuidarem dos seus rebentos, com amor e carinho, como se o tempo e o espaço fossem apenas conceitos e só eles existissem. Um papel que só os valoriza e lhes fica bem.

O próprio conceito de família sofreu alterações de fundo, mas o essencial, o motor, o que a faz mover não teve nem um milímetro fora do sítio: o amor é o mesmo e é o amor que faz a família e a mantém. Uma criança necessita de se sentir amada e de aprender a amar e a sua primeira linha de apoio é onde faz a aprendizagem. Não serão apenas os abraços e os beijos que a irão moldar, mas também todo o afecto e a educação que lhe vão prestar. O pai não falha, está sempre lá para o que der e vier.

Na sociedade actual, olha-se para o dia como uma marca comercial. Oferecem-se presentes com cartões que assinalam a data. É bom receber um mimo nesse dia que fica guardado numa eternidade única. Mais tarde é recordado com saudade e com um sorriso nostálgico simpático. Que belo momento que foi aquele. E regressa o dia em que os filhos e o pai se fundiram num só e voltaram a ser novamente pequenos e se esqueceram de crescer. Foram dias de jogos que se fizeram e tantos risos que não se contiveram ficando arquivados no coração para sempre.

O cartão mais antigo de que se tem conhecimento, com mais de dois mil anos, foi feito em argila por Elmesu, com a intenção de desejar sorte, saúde e longa vida ao seu pai, Nabucodonosor, rei da Babilónia. Este filho sentiu necessidade de mostrar ao seu querido pai o quanto o estimava e encontrou um modo de o fazer. Ficou registado e é uma ternura saber que teve essa preocupação com o seu progenitor. Nada se sabe da reacção do mesmo, mas certamente que terá ficado enternecido com essa demonstração de afecto. Chega-nos essa memória repleta de afecto e de saudade, como qualquer pai gosta de sentir.

Em Portugal, este hábito enraizou-se e comemora-se no dia 19 de Março, dia de S. José, o homem que foi escolhido e criou Jesus Cristo, que lhe ensinou uma profissão, o ofício de marceneiro, que lhe forneceu tudo o que necessitava e que deu a mão quando foi pequeno. O homem que foi o seu pai, que o cuidou, que o amou e não fez distinção. Um exemplo de paternidade e de humildade, um homem que soube ser inteiro. O expoente máximo de fidelidade e de dedicação.

Ser pai não é apenas ceder a sua herança genética, é muito mais do que isso. É ser um cuidador, é ser a asa protectora que dura uma vida inteira. Não se é pai de uma criança, mas sim de um filho e por toda a vida. Há uma continuidade no seu legado, um desejo que tudo corra bem e que nada falte ao seu rebento que, mesmo antes de ter nascido, já foi sonhado e desejado. Os planos que se fizeram não pararam e o pai continua a velar para que nada falhe nem possa magoar. Uma tarefa sem fim. Contínua.

Criar é complicado e quem cria sabe que a tarefa é árdua e nunca parece estar terminada. Não existe manual de instruções nem soluções milagrosas para casos que possam parecer de mais difícil resolução. Apenas o bom senso e a paciência, aliadas a uma enorme boa vontade conseguirão chegar a bom porto e atracar o barco da bonomia e equilíbrio. Algumas vezes. Nem sempre. O pai é sempre o capitão que olha os grumetes com olhos de sabedoria e esperança.

A imagem que fica é de alguém que nunca larga a mão do seu maior tesouro, do seu maior bem. Primeiro enquanto é pequeno pega-lhe ao colo com todo o cuidado e atenção para que se sinta numa espécie de cesto seguro, depois será a mão que se dá para orientar na vida, naquele carreiro que deve seguir e orientar, segue-se a capa invisível que continua a funcionar, mesmo que seja ao longe e finalmente é a vez de perceber que as pantufas são mesmo suaves e podem ser calçadas com facilidade.

O pai é o símbolo da segurança, aquele mastro mais alto que mostra o caminho entre as nuvens, a pedra mais lisa onde se podem poisar os pés e descansar, a árvore que dá a sombra mais fresca, o som que se ouve no ar e a cor que o ambiente pinta mesmo que não se perceba.  É uma parte da raiz que prende a um solo que não abana e que sabe emprestar o seu saber. É ele que trilha o caminho entre a lama que se acumula, que escorrega, que carrega o corpo cansado do seu filho, mas a sua vontade vislumbra a luz no final do túnel.

Felizes os que ainda têm pai e podem usufruir da sua companhia e dos seus ensinamentos. Nunca são de desperdiçar. Em pequenos absorvemos tudo como esponjas e o pai é o herói pois sabe tudo. Quando crescemos entendemos que a mensagem que nos quis passar foi para seguir em frente e enfrentar todos os nossos medos. Sabemos que ele está lá para nos segurar se cairmos, mas quer que avencem e que sejamos seres humanos bem resolvidos e íntegros. Fortes e firmes.

Este é o dia da singela homenagem aos que se desdobram em múltiplos abraços, aos que tentam chegar a todos os seus meninos, aos que são pais biológicos e aos que são pais de coração cheios de amor ardente e puro. Uma chama que não se cansa de arder nem de provar que o sentimento, aquele bichinho que pica com um focinho dourado, é elástico e há sempre lugar para quem está disposto a saber amar. Pai é e será sempre símbolo de compreensão e de imensidão de amor.

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Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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