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Crónicas

Devemos acreditar no amor?

Amor. Palavra doce, curta e suave. Palavra par, que emparelha, que permite múltiplas combinações, que é enorme e profunda. Amor que comporta em si inúmeros sentidos e significados. Amor.

Definir é limitar e não se pretende que algo tão grandioso se torne pequeno, se resuma a uma definição, a um mote que nada diz a quem não o sente. Um sentimento não se escreve, sente-se, partilha-se, vive-se, intensifica-se. Amor é uma palavra gigante.

Amor é difícil de entender, amor é fácil de sentir. Mesmo os mais empedernidos têm oportunidade de experienciar este sentimento único e singular. Amor é mesmo assim. Cheio de significados, de volta e reviravoltas, de vontades e de desamores.

Único, porque nos enche a alma, nos vira do avesso, nos leva a lugares profundos e maravilhosos, nos permite libertar as amarras que o coração consegue cortar. É uma explosão que se deseja, que se quer e que é pessoal. O outro nunca sente como nós, mas também sabe sentir, à sua maneira e ao seu ritmo.

O amor não permite frescuras e tem de ser vivido em pleno, com toda a intensidade, com a maior das alegrias e os respectivos sofrimentos. Os sentimentos apresentam duas vertentes, mas só queremos ver a luminosa. O seu lado lunar é importante, porque nos faz crescer, nos desperta para a realidade.

Singular, porque aquilo que sentimos é nosso, só nosso e assim deve ficar. Nunca se sente da mesma maneira, nunca se é igual, nunca se repete aquilo que se sentiu. É uma ilusão querer que fique assim, pequenino, como um menino a quem podemos dar a mão e ir ensinando. O amor é que nos ensina.

Ensina que nunca acaba, que pode ficar em hibernação e que assim que volta o calor, o sol, desponta na sua plenitude, no seu inicial fulgor. Ai o amor que é terrível, mas que gostamos tanto dele que não o conseguimos evitar. É uma escola que nos direcciona, que nos faz avançar e que nos prende tão intensamente que não queremos ser libertados.

O poeta dizia que o amor era isto, aquilo e mais aqueloutro, mas o amor não se interessa. É o que for, o que quiser ser e aquilo que podermos sentir. O amor é o capitão, o que ordena, o que comanda e nos critica por não sabermos seguir as suas indicações.

O amor é ditador. Manda, ordena, direcciona, ralha e bate. A força com que nos toca é tão forte que as suas cacetadas deixam-nos sem reacção, sem noção de tempo e de espaço. Amor é agora e aqui. O amor é que decide.

No entanto é contraditório, brinca com o coração, com as emoções, com as sensações que pensamos estarem arrumadas. Como nos engana, com aquelas falinhas mansas, com as delicadezas que nos embala e nos empurra para os seus braços. O amor é um cínico.

Ao princípio amamos aqueles que estão junto a nós, que nos dão aquilo que necessitamos, atenção, conforto, alimento e amor. É um amor pequenino, que se vai esticando, alargando sempre que no círculo entra mais alguém. É o amor em desenvolvimento.

A seguir, quando crescemos, o amor que vamos conseguir sentir é tão diferente! Rouba-nos a dignidade, o raciocínio, a integridade e arrasta-nos para um mundo onde o cor de rosa impera e as nuvens protegem de tudo. O cérebro avaria, mas o corpo começa a funcionar e descobrimos que afinal não sabíamos quem éramos. É o amor que se quer para toda a vida.

Mais tarde solidificamos os sentimentos, racionalizamos as emoções e andamos de cabeça levantada, porque já encontrámos uma rédea para controlar aquele selvagem indomável. Estamos enganados, porque ele não se doma. Nós é que somos enrolados e pensamos que está feito. O amor é controlador e fica instalado.

Vamos vivendo como se fosse fácil, como se as indicações estivessem todas expressas e fossem claras. Avançamos, mas tropeçamos naquelas memórias que sabemos que são maravilhosas e só nossas, pessoais e intransmissíveis. O amor é um livro de recordações, com fotos coladas com lágrimas, mágoas e dores profundas.

Ai o amor que é um bandido, que toca o seu violino e tira magias do seu alforje. São estrelas que brilham na nossa alma, sons que nos apaixonam e envolvências que não queremos perder nunca. O amor é como a aranha. Faz uma teia tão bonita, tão deliciosa que nos atrai sem vergonha.

Um dia sai da sua toca, onde hibernou todo o Inverno, onde gastou a gordura desnecessária e onde pensou que vai atacar. E voltamos às nostalgias, aos momentos que se perpetuaram nas memórias, aos pedaços de felicidade, às migalhas de prazer que ele nos deu. Estão sempre lá, para aliviarem os maus momentos, para nos medicar nas enfermidades da vida.

Surge, então, magrinho, elegante e sedutor. Não lhe resistimos. Queremos ficar sempre na Primavera da vida, sentir como nunca, com uma intensidade juvenil, com ganas de prosseguir e vontade de nunca desistir. Ele chegou e instalou-se. Não vai embora. Nunca.

Caímos e voltamos a cair. Choramos. Dói. Magoa. Ficamos mais fortes, mais determinados, mais prontos a voltar a lutar, a acreditar que final vale sempre a pena. E voltamos a ser pequeninos, a querer que nos orientem, que nos digam o que fazer. O amor aparece e tudo o resto desaparece. Voltamos à nuvem, ao sol, ao calor e ao sentimento maior.

Devemos acreditar no amor? Cometemos erros? Somos humanos? O amor não é um sentimento meramente humano, mas podemos humanizá-lo, torná-lo superior e maior. Erramos todos os dias. Amamos a pessoa errada, mas amamos, porque sabemos amar. Temos essa capacidade. Somos potentes.

Eu acredito no amor e quem nunca se apaixonou, quem nunca o sentiu é porque ainda não viveu, é porque ainda está no limbo da vida e não encontrou o seu caminho. Ainda é pobre, não tem fortuna que lhe permita governar as suas emoções. O amor é motor da vida e não quero deixar de amar nunca.

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Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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