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Decisão

Sei que provavelmente não me conheces, mas permite-me que te coloque uma questão: porque estás a ler este texto? Porque tomaste a decisão de clicar na imagem e olhar para estas palavras? Procuras algo que não conheces? Procuras aprender algo novo? Saberás que poderias apenas seguir em frente e não ocupares o teu tempo aqui? Algo te fez tomar essa decisão. Não sei o que foi, mas sei que foi essa a decisão que tomaste.

Em cada momento, em cada esquina, a cada passo que damos, estamos constantemente a ser perseguidos por esta palavra: decisão. É das principais palavras que a sociedade não nos permite fugir, principalmente porque o não decidir em relação a algo, acaba por si só ser uma decisão.

Nascemos sem esta imposição. Não somos nós que escolhemos o nosso nome, não escolhemos as primeiras roupas que nos vestem, não decidimos qual é o sabor da primeira papa que nos dão. Contudo, a partir do momento em que começamos a aprender a utilizar as primeiras ferramentas (como o choro), sabemos que podemos alterar o comportamento daqueles que cuidam de nós. Se não gostamos de determinado sabor choramos para que os nossos cuidadores percebam o nosso sentimento.

A partir destes pequenos momentos a decisão e, consequentemente, o saber o que pretendemos ter na nossa vida, a decisão passa a estar presente no nosso dia-a-dia. Crescemos e à medida que os anos passam somos confrontados com a decisão da área em que pretendemos estudar ou trabalhar, dos amigos que fazem mais sentido na nossa vida, das roupas que nos fazem sentir confortáveis. Somos obrigados a decidir porque se não o fizermos alguém o irá fazer por nós.

Deixando de lado o politicamente correto, nós decidimos a favor do que realmente queremos ou decidimos pelo que parece bem, pela maioria, como cordeiros atrás uns dos outros?

Olha para dentro de ti e tenta explicar-me por que é que em cada momento tens de decidir mil e uma coisas! Eu faço o mesmo exercício, acredita. No fundo, estamos todos dentro da mesma redoma de uma sociedade que nos obriga a seguir caminhos, a escolher entre “a” ou “b”, a delinear o que queremos ter ou fazer no futuro, entre tantas outras coisas.

Se reparares, quando uma criança de tenra idade começa a brincar fá-lo sem uma lógica aparente, é livre, solta, sem regras de maior, sem a responsabilidade que nós carregamos nas costas sempre que tomamos uma decisão e com uma imaginação fantástica.

Nós crescemos e perdemos esta liberdade de ir somente ao sabor do vento. Confesso que não sei como seria a nossa vida, se tal nos fosse permitido, contudo, acredito que seria certamente mais livre e viveríamos com um leque de experiências muito mais alargado. Quer queiramos, quer não queiramos, a decisão condiciona em muito a nossa vida e as experiências pelas quais passamos.

Ao tomarmos a decisão de irmos por um caminho não experimentamos o outro. Como seria esse outro? O que nos leva a decidir pela esquerda e não pela direita? Fazemos uma escolha consciente e de acordo com o que realmente queremos e pensamos, ou vamos pela decisão da maioria?

Remar contra a corrente é difícil, duro, faz doer e sofrer muito mais, por isso não condeno quem vai atrás da maioria. Contudo, esta decisão entristece-me enquanto ser humano que tenta ser fiel a si mesmo.

As imposições surgem em diversos momentos da nossa vida. As regras impostas por outros espreitam em cada esquina, mas para além do estritamente necessário nós escolhemos viver a nossa vida de uma forma atabalhoada onde a nossa vontade é deixada de lado com demasiada frequência. Fazemo-lo porque tememos a reprovação dos outros, porque não queremos seguir pela direita sozinhos e desbravar caminhos desconhecidos, porque o que os outros pensam sobre as consequências das nossas decisões é muitas vezes superior ao que nós sentimos ou desejamos.

Costumo perguntar se passarmos a vida concentrados naquilo que os outros pensam de nós, não nos estamos a esquecer quem realmente somos. Talvez sim e eu sei que o fazes tanto quanto eu. Esquecemo-nos da simplicidade de deixar o barco ir ao sabor do vento e passámos a colocar-lhes motores para controlarmos a sua rota.

Valerá a pena este desgaste constante fruto de uma obrigação de decidir constantemente sobre tantas coisas? Não sei, diz-me tu…

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Vera Silva Santos

Licenciada em psicologia com quase treze anos de experiência a ajudar a "nascer" e com uma tendência crescente em escrever aquilo que vou observando, sentindo e pensando. Porque tudo pode ser mais simples, acredito no ser humano e nas suas capacidades, por isso não desisto daqueles que precisam de uma palavra minha!

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