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Da ilusão à realidade

Novo ano, nova vida. O início de um novo ano é sempre encarado com esperança. Os balanços são inevitáveis. O presente e o passado são colocados numa balança. A pressão sobre o futuro é enorme. Quer-se sempre mais. Assim é o ser humano. Uma espécie insatisfeita. Em constante evolução. A pergunta que eu coloco é: Será que a sociedade está no melhor caminho? Olhemos para dentro e fora de portas.

Tenho 26 anos há 15 tinha 11. Sinto que passei por todas as fases. Já estive bem, mal, muito mal e mais ou menos. A história da minha geração vai estar patente nos livros de história dos meus filhos. Como não estar? Sabemos perfeitamente o que é passar do 80 para 8. Crescemos com as lembranças das Expo 98 (um grande feito! Portugal ao nível dos melhores países do mundo); o escudo como uma mera memória (uma moeda que faria de nós ricos); o Euro 2004 (a prova de que éramos uma nação desenvolvida) e o início do terrorismo (impossível esquecer os atentados às torres gémeas em 2001).

As luzes poderiam nos ter ofuscado, mas não. Continuamos num caminho aparente de ascensão. A comprar carro novo em menos de dez anos, a construir mansões à custa dos bancos e a encher os filhos com as melhores roupas, computadores e telemóveis. A palavra poupança não fazia parte nem do nosso vocabulário, nem dos Governos. O terrorismo, a guerra no Afeganistão e a Primavera Árabe era uma realidade só da televisão… Intocável!

O estoiro era inevitável. A pólvora estava reunida. Viveram-se tempos irreais. De auto estradas e eventos megalíticos. Na hora de acordar o choque era unânime. O país estava na ruína, de frente a uma das piores crises da sua história. E o mundo em alerta vermelho, pela instabilidade económica e social. Ingredientes tão perigosos, que deixaram de ser ignorados.

Ninguém queria acreditar. Então não era a minha geração a mais sortuda de todas? Onde estava o tão proclamado emprego? Estudou-se. O país “desenvolvido” precisava de gente formada… Uma ilusão! Exigia-se mais calma, menos exibicionismo. Uma construção ponderada e não irreflectida. As consequências estavam, e estão, à vista de todos: uma geração amputada. Rica em sonhos e pobre em rendimentos.

Eu, sou um desses jovens. Com canudo na mão e poucos planos. Esses são diários e quase mudam à velocidade da luz. Se tenho tentado? Muito. Poderia ter feito como muitos dos meus amigos e colegas e abandonado o país, seguindo a sugestão do Passos Coelho em 2011. Não os condeno. Estão bem, sem arrependimentos, e duvido que a maioria volte na reforma. Sentem-se traídos. Eu também. Pelo país, pelo sistema, pelos interesses! Em quatro anos de luta não sei o que é ter um salário certo ao fim do mês. E olha que já fiz um pouco de tudo. Desde trabalhar num café, vender telefones porta a porta, a distribuir publicidade. Na minha área, Jornalismo o cenário tem sido…ora não consigo encontrar palavras. Desde promessas (onde está o valor da palavra?) a estágios fantasmas. Agora, um novo projecto, uma nova esperança num futuro continuamente incerto.

Onde está a paz? Não há duas sem três. Estaremos na iminência de uma terceira guerra mundial? Não sou assim tão pessimista. Por mais que a História possua padrões, não quero acreditar. Temos a ONU e a NATO. Tivemos que aprender alguma coisa. Mas não sou assim tão ingénua ao ponto de crer que os mais recentes acontecimentos não venham a agravar-se nos próximos meses. Já não podemos dizer que o terrorismo é um problema dos Estados Unidos da América, de África e da Ásia. Chegou à Europa. Ninguém está a salvo. Ninguém.

As economias de Portugal, Grécia, Itália e Espanha continuam débeis. Gigantes como França, Inglaterra e Alemanha mostram-se frágeis. Economias outrora em crescimento como a China e o Brasil abrandaram. Agora, até se fala em recessão de nações como a Finlândia. Estabilidade não será ainda em 2016 uma palavra convicta.

Respondendo à pergunta inicial “Será que a sociedade está no melhor caminho?” – Não tenho resposta. Apenas dúvidas e tal como o futuro exige esperança. Portugal viu recentemente o governo mudar radicalmente. Uma lufada de ar fresco necessária, com novas caras e novas ideias. Preciso como portuguesa de acreditar num futuro melhor. Quero sair de casa, ter uma família.  Também quero um mundo unido para os meus. Sem terrorismo, sem maldade, sem ditadura. É urgente para que os filhos de manhã não vivam uma Utopia, como eu e tantos outros. Haja paz numa sociedade real, sem ilusões.

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Diana Rodrigues

Minhota de gema. Distraída. Aventureira. Gulosa. Crítica. Observadora. Anti rotina. Persistente. Sonhadora. Alguém que vê na evolução um objectivo. A escrita? É mais que uma fuga. É paixão. O jornalismo regional e a imprensa online são os intermediários.

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