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Negócios

Da Crise nasce a Oportunidade

A palavra Crise pode ser usada em múltiplos contextos, mas, seja qual for o contexto, a conotação dificilmente consegue ser positiva, muito pelo contrário. Crise é uma palavra que causa apreensão, dá sobressaltos, estejamos nós a falar de uma crise pessoal, espiritual, empresarial, política, ou, como está a ser o caso actualmente, de uma Crise económica mundial. Neste contexto, é complicado vislumbrar virtudes numa Crise, já que as pessoas estão mais fragilizadas e expostas às dificuldades. Porém, são em momentos como este que as pessoas acabam por ser mais humildes, genuínas, trabalhadoras e, sobretudo, mais unidas e solidárias, dando-se mais valor ao Ser do que ao Ter.

Existe uma antiga concepção médica formulada pelo pai da Medicina, o grego Hipócrates, que sustenta que a enfermidade é coisa natural, resultado do estilo de vida, das condições ambientais. Nos seus estudos, Hipócrates assinala que numa uma doença febril, como a pneumonia, a temperatura corporal pode cair de duas maneiras – devagar e com pequenas oscilações, ou depressa e sem grandes oscilações – chamada a Crise. Perante estes dois cenários, qual das duas opções é a melhor? Hipócrates não tem dúvidas e afirma que a Crise é um bom sinal, porque significa que o organismo, à beira da catástrofe, subitamente reagiu à doença, vencendo-a. A primeira opção, pelo contrário, não significa melhora, mas sim piora, já que a gradual queda da temperatura traduz-se como uma progressiva desistência do corpo na luta pela vida, com mau prognóstico.

Este conceito de Crise faz-nos pensar. Claro que todos nós gostaríamos de uma vida sem crises, tal como gostaríamos de uma vida sem doenças, mas esta é uma aspiração humana praticamente impossível. A ameaça de enfermidade está sempre presente, na comida que comemos, no ar que respiramos, no nosso modo de vida, fazendo parte da nossa existência, e o mesmo se aplica à Crise. A solução passa por enfrentá-la da mesma forma que o nosso organismo enfrenta a doença que o ataca, que recorre às suas defesas contra micróbios, pois a Crise tem um significado muito importante – o da necessidade de Mudança. Existem riscos na mudança? Sem dúvida. A Crise é um sinal de que as coisas estão mal e que o caminho escolhido até então foi um caminho mal escolhido. Enfrentar a crise significa, antes de mais nada, mudar, alterar os nossos rumos no que toca ao nosso plano pessoal, ou profissional, ou ainda existencial. Para o fazer será necessário aproveitar as lições que a Crise nos ensina, tal como Hipócrates fez na Grécia Antiga. Iremos sair da Crise como os pacientes que Hipócrates observava (fracos e exaustos), mas vivos, com um sorriso na cara e prontos abraçar os novos desafios que criámos para nós mesmos.

Encontrar novas fontes de rendimentos e cortar nas despesas com novos hábitos de consumo são alguns dos grandes objectivos das diversas iniciativas que muitos estão a adoptar para sobreviver aos tempos de austeridade. As pessoas aproximaram-se mais umas das outras, ajudam-se mais, passaram a jantar em casa de uns e de outros, quando sabem que esses outros, neste momento, não podem jantar fora. Esta aproximação também está a acontecer no local de trabalho, onde existem grupos que se juntam para almoçar no local de trabalho, ficando-se todos a conhecer-se melhor, a estarem mais unidos e, como falar de trabalho nestas condições é inevitável, a comunicação entre departamentos até chega a melhorar.

Decisões remendatárias não podem ser aceites, porque, por vezes, é necessário cortar o mal pela raiz. O homem enquanto ser pensante é o fazedor da sua história e tem nas suas mãos o poder de se salvar e de salvar o que o rodeia e, por isso, a mudança de valores é necessária, a crise era necessária, enquanto sinal de que se estava a percorrer um mau caminho. O lado bom da crise é esse obrigar a repensar os valores que cada um tem, de forma a se construir um caminho futuro, próspero, com o bom que a nossa cultura tem.

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Miguel Arranhado

licenciado em ciências da linguagem, pela faculdade de letras da universidade de lisboa. editor no repórter sombra. amante das artes e da cultura. politólogo de sofá. curioso por natureza. fascinado pelas pessoas e pelo mundo. crítico. perfeccionista. maníaco por informação. criativo. e assim assim...

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