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Da auspiciosa vitória Europeia

Esta vai ser a última vez que aqui irei escrever sobre o problema da actual Europa. Isto, porque já existem muitos Comentadores Públicos e Anónimos que estão a opinar sobre o tema como se tivessem despertado de um sono amaldiçoado, onde viviam numa realidade que não era, afinal de contas, um sonho. Finalmente, a maior parte dos Cidadãos Europeus percebeu que o caminho que a Europa está a traçar não é o correcto e que tal caminhada poderá culminar na desgraça que grassou o Velho Continente por duas ocasiões no século passado.

Contudo, ainda há quem acredite que o problema da Europa é Grego e não Europeu. Ou melhor, há quem tenha uma tremenda Fé de que a Grécia é que é a causadora de todos os males da zona euro, porque os seus Cidadãos elegeram democraticamente um Partido de Extrema Esquerda para seu Governante.

É o que nos diz o Deputado Centrista Michael Seufert. E não se deixem enganar pelo nome, pois Michael é Português não obstante de ter um nome estrangeirado. São opções que não me dizem respeito algum. A única coisa de Michael que me diz respeito é o facto de este ser um dos, já poucos, Comentadores que alinha pelo diapasão Germânico de que o Syriza é a peste negra que assola o Velho Continente. Tal ficou bem patente no seu último texto de opinião que foi publicada na edição online do Semanário Expresso.

Já no seu tempo, Adolf Hitler dizia que o problema da Europa eram os Judeus. Daí à “Solução Final” foi um saltinho de pardal e não faltou quem alinhasse neste pensamento e fizesse desta “Solução” a única saída para o problema. Foi este o papel de Joseph Goebbels e, pelos vistos, é também este o papel de Michael, no que ao problema da Zona euro diz respeito.

É que muitas crónicas volvidas e muitas trocas de opiniões com quem defende esta forma de agir da Europa dos Credores e dos Devedores ainda não consegui perceber porquê razão somente a solução do Sr. Wolfgang Schäuble é a única e genuína para a resolução do problema. Porquê carga de água tem a austeridade de ser uma necessidade?

Os Norte-americanos ultrapassaram a famosa “Grande Depressão” recorrendo a políticas de austeridade? Não. Obviamente que não. A Alemanha dos pós II Guerra Mundial apostou em políticas de austeridade para ser aquilo que é hoje em dia? Não. A Alemanha serviu-se da austeridade para recuperar a sua antiga RDA que se encontrava falida no momento da fusão? Não. Claro que não!

Então, por que razão só existe a “solução final” do Sr. Schäuble para o problema Grego? Será porque este estado de coisas faz com que os juros da Dívida Pública Alemã desçam para terreno negativo? Será esta a auspiciosa vitória da Europa sobre o populismo da Esquerda de que Michael fala na sua crónica?

Uma nota final em jeito de conclusão: não analiso a entrevista que o Sr. Primeiro-ministro Pedro Passos Coelho deu recentemente a um canal televisivo. Não tenho formação académica para analisar questões relativas à alucinação e à mentira compulsiva. Lamento.

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Pedro Silva

"É preciso provocar sistematicamente confusão. Isso promove a criatividade. Tudo aquilo que é contraditório gera vida." (Salvador Dalí) Crítico, opinativo e com mente aberta. É isto que caracteriza um Cronista.

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