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D. Sancho I, o Povoador

É o sétimo filho de D. Afonso Henriques e em Agosto de 1170 é armado cavaleiro por seu pai. Teve o cuidado de o mandar instruir para não sofrer da mesma mágoa, o analfabetismo. Nesse contexto, são conhecidas algumas “Cantiga de Amigo” deste monarca. Estas eram composições poéticas autóctones em que as palavras eram colocadas na boca da donzela. Esta sofria pelo seu amigo, que estava ausente, longe, a combater ou embarcado. A natureza era a sua confidente e o seu conforto. Era um homem culto e sensível.

Casa em 1174 com D. Dulce, filha do rei de Aragão, Raimundo Berenguer IV. Deste casamento resulta uma prole numerosa, sucedendo-lhe o quinto filho, Afonso. Devido ao facto de o número de nascimentos femininos ser superior ao masculino, é instituído por este monarca a Regulamentação Sucessória pelo sistema agnático, o primogénito ou varão. Foi um modo de assegurar a unidade do reino e evitar a fragmentação associada aos casamentos das princesas e infantas.

Durante a segunda metade do século XII, houve um estado permanente de confronto na fronteira meridional. Assim dirigiu um importante fossado próximo de Sevilha, a sede dos Almóadas, dando protecção às praças alentejanas que eram atacadas por eles sistematicamente. Foi auxiliado pelos Templários, pelos freires Espartários e a milícia de Évora. Como recompensa, efectuou doações às ordens militares garantindo o reforço da fronteira meridional.

Em 1189, conquista os castelos de Alvor e de Silves com a ajuda dos cruzados frísios, dinamarqueses, alemães, franceses, flamengos e ingleses, que iam a caminho da Terra Santa. Por conseguinte favorece as comunidades vilãs do interior e da fronteira através das Cartas de Foral: Gouveia, Viseu, Avô, Folgosinho, Bragança e Penarroias. As fronteiras fixam-se durante mais de vinte anos. Nesse tempo são estabelecidos acordos, alianças e casamentos, como forma de reorganização do quadro político da Hispânia Cristã.

Após a morte de Fernando II, Afonso IX é proclamado rei de Leão e as relações entre os dois reinos melhoram sem que as questões antigas ficassem resolvidas. Aproveitando um clima de maior calma concede beneces a comunidades estrangeiras e melhora a administração central criando a Chancelaria Régia.

Porém, nem tudo foram conquistas e aspectos positivos neste reinado. Deram-se muitos confrontos com os grupos privilegiados, sobretudo com o clero o que levou a uma redução das Cartas de Couto de modo a evitar a limitação de poder do rei e a diminuição dos seus rendimentos.

Várias e violentas invasões muçulmanas, em 1190 e 1191, assolaram o território provocando instabilidade e revoltas sociais. Como se não bastasse a guerra, a natureza foi madrasta e os maus anos agrícolas sucederam-se levando a fomes e doenças, como a peste.

A maior contenda foi com o clero. Confrontos com o bispo do Porto, D. Martinho Rodrigues, criaram um ambiente de desavenças. Idêntica situação sucedeu com o bispo de Coimbra, D. Pedro Soares, criando uma clivagem no reino. Inocêncio II, o Papa, tomou partido pelos dois bispos e D. Sancho viu-se obrigado a devolver as terras ao clero, evitando assim mais conflitos e escaramuças.

Morre em 1211, com 58 anos, tendo reinado 26 anos. Um rei piedoso e de bom governo que acudia com a assistência a a presença, quando lhe era possível, na cidade de Coimbra.

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Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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