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ArtesCultura

D. Antonieta

Num mesmo fim de semana, num mesmo sábado de sol, em Lisboa convocam-se duas marchas: a 17ª Marcha LGBT e a Marcha do Movimento em Defesa da Escola Pública. Saindo de casa para assistir e integrar a segunda, embora simpatize também com a primeira, lembrei-me de D. Antonieta, uma tia distante que viveu muito, e que há muitos anos era uma mulher à frente do seu tempo, nunca submetida às vontades dos homens da família. Capaz de agarrar num sacho e supervisionar as suas plantações e delicadamente servir as mesmas plantas nas mais finas chávenas de porcelana, criou os dois filhos sozinha depois de ter abandonado o marido, que nos primeiros anos de casamento a maltratara. Cedo aprendeu a ler para tomar conta dos negócios e mais tarde, numa época de mais ócio, a declamar poesia.

Tenho para mim que a D. Antonieta se fosse viva, ainda que muito velhinha, teria estado em ambas as manifestações.

d. antonieta

 

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Ricardo Jorge

Lisboa, 1978. Licenciado e mestre em Arquitectura pela Universidade de Lisboa, estudou também Design e Ensino das Artes. Paralelamente a estas áreas desenvolve trabalho em Ilustração e Desenho com exposições regulares em Portugal.

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