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Criaturas abissais: Um passeio pelo mais profundo dos oceanos

Fazemos uma viagem pelas mais profundas regiões do nosso Planeta Terra. Mergulhamos pelas águas dos nossos oceanos e descemos lentamente, metro por metro, até chegar ao ponto mais profundo dos mares. Olhamos em volta. Não vemos nada, apenas a escuridão total na imensidão dos oceanos.

Na biologia marinha, a zona abissal refere-se ao ecossistema localizado na região mais profunda dos oceanos e representa 42% dos fundos oceânicos. Nesta região, a luz do Sol não chega e a pressão consegue atingir os 11.000psi, pressão que esmagaria muitos seres vivos, incluindo nós, os humanos.

MG_criaturasabissaisumpasseiopelomaisprofundodosoceanos_1Além disso, nesta região tão profunda dos mares, as águas são muito frias e há poucos nutrientes, pelo que são poucos os seres vivos que conseguem viver nela. As misteriosas formas de vida que habitam a zona abissal, são chamadas de seres abissais e, para poderem viver neste ambiente tão inóspito, possuem adaptações especiais que variam segundo a espécie.

A comunidade científica estima que conhecemos apenas 20% das formas de vida dos oceanos e que estes animais das profundezas são praticamente desconhecidos para o ser humano, já que estes não costumam ser apanhados nas redes dos pescadores e as missões científicas trabalham, principalmente, nas águas rasas da plataforma continental.

Ao todo, 12 humanos já pisaram a lua, mas apenas duas pessoas visitaram o local mais profundo da Terra, a Fossa das Marianas, que tem uma profundidade de 11.030 metros.

Dignos de serem protagonistas de um bom filme de terror, por causa da sua aterradora aparência, estes seres que habitam os lugares mais profundos, frios e escuros do nosso planeta apresentam um aspecto atípico e ao mesmo tempo, fascinante.

Por causa da escuridão e da ausência de algas na zona abissal, a procura por alimento torna-se uma das maiores epopeias marinhas e tudo isto pela sobrevivência. Algumas espécies abissais possuem grandes capacidades sensoriais, podendo identificar a presa na mais profunda escuridão. Outras possuem bocas com dentes colossais e com uma abertura duas vezes maior do que o seu próprio tamanho. Existem ainda outras que, por meio de um processo chamado de bioluminescência, produzem luz própria para, assim, atrair o alimento.

Perpetuar a espécie e acasalar também não é tarefa fácil, pois há falta de parceiros, pelo que o hermafroditismo é uma característica bastante comum nestas fantásticas espécies das profundezas. Exemplo disso, é o caso da espécie Linophryne, onde os machos, em menor número do que as fêmeas, ligam-se a elas pela boca e os seus corpos acabam por ser fundir, a sua circulação torna-se a mesma e o macho torna-se numa espécie de parasita da fêmea, tendo apenas a função de produzir e armazenar gametas masculinos para quando a fêmea precisar.

Várias são as espécies abissais e poderíamos detalhar detalhadamente cada um destes seres tão extravagantes. No entanto, é possível destacar os peixes víboras de tipo Chauliodus, que possuem luzes dentro da boca para atrair a presa directamente para o seu estômago. Indivíduos do tipo Asgyropelecas possuem os olhos virados para cima, para, desta forma, poderem ver em contraluz e identificar com maior rapidez possíveis silhuetas de inimigos, ou de refeições. Os peixes Saccopharynx possuem um corpo longo e fino, como o de uma serpente, mas a cabeça grande e uma boca gigante, que se fecha de forma a engolirem as suas presas sem dificuldade. O Melanocetus johnsonii atrai o seu alimento com uma falsa isca florescente que agita sobre a sua cabeça, a presa engana-se e pensa que a isca é um belo petisco e é devorada pela enorme boca de afiados dentes deste estranho peixe.

Para além destas curiosidades sobre estes peixes, curiosos são também os indivíduos pertencentes ao tipo Macropinna, que possuem a cabeça transparente e, no seu interior, é possível observamos duas bolas grandes, que nada mais são do que os olhos. Desta forma, estes peixes têm os seus olhos protegidos e observam o ambiente através da cabeça.

Estes exemplos e formas de vida tão estranhas, são apenas uma pequena amostra das poucas espécies abissais já conhecidas e são uma microscópica parte do que ainda há por descobrir nas profundezas dos mares. Interessantes e fascinantes, assim são os seres das profundezas, os seres abissais.

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Maria J Gutierrez

Bióloga de profissão, amante da natureza e de todas as suas formas de vida, desde os seres mais gigantes até aos mais pequeninos. Não há nada como estar com a família, descobrir o mundo, aprender, ler um bom livro e cervejinhas com os amigos.

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