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Como provar um Whisky?

No artigo anterior, dei-vos a conhecer o whisky, as regiões de escocesas do whisky e alguns dos seus sabores. Hoje vou-vos iniciar nas provas de whisky.

Há 4 coisas, indispensáveis para provar um whisky: whisky, um copo, água e a temperatura ideal. Comecemos pela última. Qual é a temperatura ideal para provar um whisky? Idealmente será por volta dos 15-18 graus. Porquê? Sendo o whisky uma bebida com um grande teor de álcool, está mais sujeito a variações de temperatura mais rápidas, portanto a partir de uma certa temperatura o álcool começa a evaporar e anestesia o nariz. É também preciso ter em conta que certas notas, ou sabores, mais sensíveis podem ser ofuscados pelo evaporar do álcool ou, se a temperatura estiver demasiado baixa, serem encobertos pelo sabor da água fria.

Passemos, então, à água. Já todos vimos alguém num bar pedir um whisky com água lisa ou água com gás. Porque se deve adicionar água ao whisky quando se prova? E que tipo e quantidade de água? O whisky como já disse tem um elevado teor de álcool (entre os 40 e os 60%). Isto faz com que mesmo à temperatura ideal certas notas sejam ofuscadas pelo sabor do álcool (aquele queimar da garganta), tornando-se, assim, necessário reduzir o álcool, adicionando água e deixando que os sabores apareçam. O facto de a água não ter sabor, torna-a a companheira ideal para acompanhar um whisky, servindo também para limpar o palato do álcool deixando apenas as notas.

Então e que tipo e quantidade de água se deve acrescentar a um whisky? A quantidade varia de whisky para whisky. Os whiskies mais fortes precisam de mais água, enquanto os mais fracos de menos água, havendo também casos (a título de exemplo, o Johnnie Walker XR) que precisa de alguma água para abrir os sabores todos. A minha regra é: mais do que 3 colheres de chá é estragar o whisky. O tipo de água talvez seja mesmo o mais fácil. Mineral e lisa. Se não for isto, não tem lugar no whisky. Água da torneira também serve, porém, não é o aconselhado.

O copo é algo também muito importante para provar um whisky. Praticamente qualquer copo serve, desde que aguente o whisky. Em teoria, as coisas não são bem assim. Os mestres destiladores recomendam que o copo seja afunilado, de modo a que o cheiro do whisky seja directamente enviado para as narinas. Exemplos deste tipo de copos são os de vinho do Porto ou de Jerez, ou até os de vinho branco ou tinto. Os tradicionais balões também servem perfeitamente. No entanto, em 2001, a Glencairn Cristal apresentou um copo de whisky, cujo design foi aprovado pelos mestres destiladores das cinco maiores destilarias. O Glencairn, como é conhecido, é hoje usado em todas as destilarias para provar os whiskies e tornou-se o standard to copo de whisky. Como já disse, desde que sejam afunilados, servem perfeitamente.

Finalmente, chegou aquilo que é indispensável para provar whisky. Para se provar whisky é preciso whisky, portanto, venha ele. Porém, que whisky? Qualquer um serve, o importante é apreciá-lo e tratá-lo como deve ser. Depois, quando começarem a saber o que gostam num whisky, isto é, se preferem os fumados ou os frutados, os secos ou os doces, podem começar a explorar o mundo dos sabores. Não se atirem logo para um whisky difícil, porque isso é uma óptima maneira de deixarem de gostar de whisky. Uma sugestão: comecem por um Famous Grouse ou um Johnnie Walker Red Label. Provem-nos, saboreiem-nos e depois passem para os whiskies de 12 anos, o Famous Grouse de 12 anos é ideal para aprenderem o que é o sabor a baunilha num whisky, enquanto o Johnnie Walker Black Label, dar-vos-á uma óptima introdução ao fumo. E depois aventurem-se nos restantes sabores. Como dizem os americanos: Go Crazy!

Ora, por esta altura, devem estar todos a pensar o mesmo. Eu ainda não referi o gelo. É verdade. O gelo infelizmente, faz mais mal do que bem ao whisky. Em primeiro, porque dilui demasiado o whisky, eliminado os sabores mais fracos, e em segundo, porque o sabor do gelo (sim, o gelo tem sabor) ir-se-á sobrepor a uma grande maioria dos sabores. Não me entendam mal, se já conhecerem um whisky e o quiserem fazer durar ou não gostarem dele puro, duas ou três pedras de gelo servem perfeitamente. A outra hipótese é usarem aqueles cubos de aço inoxidável ou de pedra-sabão, para o whisky, uma vez que não dilui, refresca, e o sabor mantém-se praticamente inalterado.

Voltemos as provas. Como é que se faz? O meu método é o seguinte: depois de selecionar o whisky que vou provar, o que não significa que não o tenha já bebido, deixo-o fechado, num sitio frio ou com corrente de ar (evitem a todo o custo pô-lo no frigorifico ou congelador). Enquanto o whisky refresca as ideias, vou à net à procura das notas de prova, isto é ter uma ideia de que a que é que ele me vai saber e anoto-as, em nariz, boca e final. O nariz é aquilo a que ele me cheira, a boca ao que me sabe e o final se é curto ou longo, e que sabores persistem. Depois de ter anotado isto tudo, e de o whisky ter refrescado as ideias, pego num copo (tenho estado a usar copos de vinho de Jerez) e despejo um bocadinho. Cheiro várias vezes e anoto aquilo a que o whisky me cheirou. Aqui não há respostas erradas ou respostas certas. O meu nariz não é igual ao dos mestres destiladores, nem igual vosso e o contrário também é verdade. Aquilo que vos cheira é aquilo que vocês estão a sentir. Não tenham medo de escrever que cheira a uvas ou a cereais do pequeno almoço. De seguida, provo um bocadinho e tento perceber os sabores. Adiciono uma colher de chá de água e volto a cheirar e a provar. Umas vezes surgem novos cheiros e sabores, outras vezes não. Mais uma vez, não há respostas erradas ou respostas certas. Por muito estranho ou sem sentido que possa ser, anotem. Depois de ter cheirado e provado varias vezes, passo para o final. Se o whisky tem um final curto significa os sabores desaparecem rapidamente, se é longo que desaparecem mais lentamente. Então porque tiro as notas de prova? É simples, não sei, nem conheço, o suficiente de sabores de whisky para fazer uma prova cega. Espero eventualmente atingir esse patamar.

Finalmente, porque não convidar uns amigos que gostem de whisky, e fazer uma prova em conjunto? É a melhor maneira de comparar as opiniões e os sabores do whisky. Uns enchidos, uns queijos, uma boa conversa e acima de tudo moderação e a coisa faz-se bem.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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