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Comentar: moralizar ou criticar e porquê?

As redes sociais revelam-se grandes potenciadoras de ligar comunidades humanas online, partilhando momentos e expressando pontos de vista. Gradualmente, começam a servir também como meio de noticiar e ser noticiado, informar e ser informado, disponibilizando aos seus utilizadores a habilidade de proferir comentários. Neste último ponto, por uma visão sobre as social networks, o ‘Facebook’ sai-se triunfal.

Agora, deve ser colocada uma questão: comentar objectos jornalísticos deve passar por moralizar, ou criticar? Qual a diferença entre moralizar e criticar?

Moralizar é ditar quais os bons actos e quais os maus actos, acrescentando alguma coloquialidade, que, por vezes, se afastam de contribuir para melhorar realidades. Criticar é apresentar uma perspectiva sobre um dado assunto, de forma séria, fundamentada (seja em dados cientificamente manuseados, seja na experiência própria de cada ser), com espírito crítico, considerando o que se mostra, ou não relevante abordar.

De que serve esta distinção, afinal? O leitor compreenderá, especialmente, se for um cibernauta ligado ao Facebook.

Veja-se um exemplo muito claro. Na passada sexta-feira, dia 31 de Julho, o Diário de Notícias publicou uma notícia, posteriormente partilhada naquele meio cibernético. Com o título ‘Saiba se vai de férias com 25 milhões de euros’, até às 22h21, os comentários eram dois:

“Cada vez mais me convenço, que isto é uma grande TANGA…”

“Não vou não!… Eu nunca joguei, nem jogo!”

Analisando estes comentários, devem constar dois pontos. Por um lado, o moralismo, em que se aponta, neste caso, o mal do sorteio do ‘Euromilhões’, colocando de parte qualquer tipo de contributo no sentido de retocar imperfeições dessa realidade. Por outro lado, a coloquialidade, a ausência de cuidado com a linguagem, tendo em conta o meio em que escrevem.

Como foi apresentado este exemplo, poderiam ter sido apresentados muitos outros. Nesse sentido, convido o leitor a perder alguns minutos do seu tempo livre a analisar racionalmente tais roles de comentários, a fim de ter uma noção, com uma pequena amostra, da forma como se desenvolve o uso do comentário e do pensamento humano.

Chegando ao jornalismo, recorra-se às seguintes palavras, do jornalista António Guerreiro:

[…] Não há apenas uma linguagem política, há uma oligarquia de “mediáticos” que colonizou a esfera pública para a tornar dócil e inofensiva. O campo político e o campo jornalístico celebraram núpcias e os políticos instalaram-se nos media, numa grande confraternização. O resultado está à vista: uma endogamia político-jornalística. E o jornalismo ficou reduzido a uma encenação de pluralismos (e um acesso por quotas e representatividades), tal como a democracia se tornou uma política Potemkin. […]

Retirada de um artigo designado de ‘Ah, o jornalismo!’, para o Público, esta visão panorâmica remonta ao contexto actual de interacção entre a informação e o público que recebe a informação. Este excerto em questão aponta para uma causa concreta: o domínio dos media e da influência política sobre os seus consumidores. Basta ver o caso de António Costa, cuja imagem é, fundamentalmente, formada pelos órgãos de comunicação social. Portanto, o jornalismo junta-se à política para domarem a recepção da sociedade civil.

Com efeito, abre-se algum espaço de manobra, em jeito de reflexão séria, racional e consistente, sobre uma possível culpa daqueles em potenciar o fenómeno que este artigo pretende analisar.

A concluir, fica uma nota. Da minha parte, há a esclarecer que não se trata de pôr a liberdade de expressão em causa, mas antes como saber racionalizá-la e aplica-la. Antes, usar o conhecimento para fins úteis, aliados a uma maior propensão para escavar a grande mina da arte de pensar. Antes, saber que filosofia de vida é a nossa e como ela se reflecte no olhar sobre os verdadeiros acontecimentos. É costume ouvir-se dizer que “uma imagem vale mais que mil palavras”, mas também deveria ser costume ouvir-se dizer que mais vale falar e saber o que se fala, de forma livre e aberta, do que, passe a expressão, “atirar pedras”. É tempo de sermos visionários, porém, de modo a conseguir trazer mais e fazer melhor.

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Pedro Ribeiro

Nascido em 1996, por terras vimaranenses, tem como principal ocupação os estudos na licenciatura de Ciências da Comunicação. Apreciador das relações Media e Sociedade e Sociedade e Cultura, o seu objetivo passará por se especializar na área do jornalismo. Nesse sentido, conta com várias colaborações, a desenvolver atualmente, de forma simultânea: para o jornal 'ComUM', no qual é redator nas secções de Cultura e de Sociedade, para o jornal 'Académico', juntamente com a sua participação semanal no 'Repórter Sombra', onde opina nas áreas de Sociedade, Cultura e Política. No seguimento desta última área, milita na Juventude Socialista, tendo-se revelado publicamente ativista da candidatura de António José Seguro. Além disso, desenvolve um certo carinho pela sociologia, a que se junta a filosofia e, ainda, uma enorme paixão por viagens.

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