GastronomiaLifestyle

Com uma Chávena me Conquistas, com uma Chávena me Destróis

Uma chávena de açúcar…”? Conhecem aquela sensação de estar a ouvir uma frase que sabem no vosso interior que é o início de uma catástrofe? No que toca à Pastelaria, a palavra chávena traz-me essa sensação. E percebi logo que a coisa não ia correr bem.

– Gramas Mãe… Quantas gramas são?

– Não sei, faço a olho…

– Tens a certeza que queres fazer isto?

Claro que quero. Eu gosto de adrenalina e de ir contra a minha intuição. Quando mais num jantar importante e convidados VIP! Cala-te voz parva.

– Bom… dá-me lá a receita…

Tudo começou, porque tinha ontem dois convidados importantes. Todos são, mas estes são MUITO. Obviamente, queria que tudo estivesse perfeito, mas, mais uma vez, percebi que a minha imperfeição é afinal o que é perfeito para os outros.

Foi rápido pensar num menu que se adequasse: conheço alguns dos gostos deles e teria de ser peixe. No entanto, a sobremesa ia ser uma dor de cabeça. A meio da tarde, pensei que podia fazer um bolo. Um que a minha mãe faz para mim muitas vezes e que junta caramelo e ananás, mas, por alguma razão, nunca lhe tinha pedido a receita e a “mammy” faz tudo sem medidas. E eu já devia saber melhor que as receitas doces dela nunca me correm bem.

Liguei-lhe, mas, assim que comecei a ouvir falar em chávenas, tive logo a noção de que ia ser uma péssima ideia. Ainda assim, achei que era cedo. Se não corresse bem, tinha sempre a possibilidade de colocar em prática o plano B: o meu parfait de morango que faço em cinco minutos e que todos gostam.

Deu-me a receita e explicou-me o processo. Desliguei e comecei a fazer o bolo. A massa ficou cremosa. “Humm… vou fazer o caramelo.” Caramelizei a forma e comecei a forrá-la com ananás. Coloquei a massa e, a seguir, forno. Tinha-me dito que demoraria cerca de 25 a 30 minutos. O bolo começou a crescer e eu deixei de me preocupar. Tudo indicava que ia correr bem.

Fui tratar do Jantar. Cozi Batatas grandes com pele e inteiras para 4 pessoas, retirei-as do lume e deixei arrefecer. Entretanto, tinha feito um bechamel e cozido bacalhau.

Desfiei o bacalhau, temperei com sal, alho, citronela, raspa de limão, pimenta e um pouco de noz-moscada. Retirei parte da polpa às batatas, formando uma concavidade em cada metade, e juntei ao bacalhau, com o bechamel para unir tudo. Fiz uma pasta e recheei as batatas. Uni as metades e fiz cestinhos de alumínio, onde as coloquei para irem ao forno. Só faltava o queijo por cima, para que gratinassem.

Fiz ainda uma salada com queijo mozarela, tomate, maçã e morangos, temperada com um pouco de sumo de lima, azeite sal e muitos orégãos.

30 Minutos depois…

Tirei o bolo do forno. Só pensava que o caramelo se tinha colado às paredes da forma e que o bolo não ia desenformar. A minha Mãe tinha avisado com ar solene: “O Bolo tem de ser desenformado quente, Marisa Alexandra.” Percebi logo que era regra a seguir.

Pego no prato, viro o bolo e sinto-o a deslizar para o prato. “YYYEEEEEIIIII!!!! Não colou.” Nesse preciso momento, toca o telefone. E assim que atendo, ouço-a em voz alta a perguntar:

-Então, correu bem?

– Não, Avó, esbardalhou-se todo! – Responde o meu filho à gargalhada, perante um bolo que mais parecia uma ruína de um castelo medieval. Só tinha cozido metade e a outra metade estava crua, porque não rodei a forma, durante o tempo de cozedura.

– Mas Avó, está muito bom! – Já estava de forma na mão e a retirar uns pequenos pedaços que tinham ficado colados na mesma.

19.06…

Porta-Chaves! Vamos à rua, temos de passar ao Plano B!

 

Vamos às compras?

  • 500 grs de morangos
  • 500 grs de queijo quark
  • Doce ou compota de frutos vermelhos ou morangos
  • Açuçar q.b.

 

E agora preparar:

Desfaça cerca de 100 grs de doce num recipiente. Prepare 4 taças transparentes e coloque num fundo de cada taça duas colheres de sopa de doce.

Junte um pouco de açúcar ao Quark e envolva-o por forma a ficar cremoso e doce q.b.

Corte os morangos em pedaços pequenos.

De seguida, apenas temos de ir alternando camadas de Quark e morangos, sendo que devemos terminar com o Quark.

Como opção, é possível decorar com raspas de chocolate, metades de morango, ou bolacha ralada.

Tags
Show More

Marisa Coelho

Eu, curiosa aprendiz de tachos e letras, inspiro-me nas referências do digníssimo trabalho de outros e dou-lhe o meu cunho pessoal. Conto estórias com personagens, tempos e espaços, condimentadas q.b. E sempre em busca do ingrediente perfeito que muitas vezes se encontra na Dita paixão do que se faz.

Related Articles

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker
%d bloggers like this: