Oops! It appears that you have disabled your Javascript. In order for you to see this page as it is meant to appear, we ask that you please re-enable your Javascript!
PersonalidadesSociedade

Com os holofotes apontados a Benedict Cumberbatch

Para alguns ele é o temível Khan de Star Trek, para outros é o igualmente Smaug, o apocalipse alado em The Hobbit, e ainda para uns restantes é Sherlock Holmes, o mais célebre dos detectives na  televisão. No entanto, por detrás destas personagens ricas seguidas por milhões esconde-se um homem, Benedict Cumberbatch, cada vez mais convicto de se tornar numa das maiores estrelas dos próximos anos.

Nascido em 1976, a 19 de Julho, na cidade de Londres, Benedict Timothy Carlton Cumberbatch era destinado a feitos grandes, quer em palco, quer em frente às câmaras. A começar pelo seu código genético, sendo filho de dois actores (Wanda VenthamTimothy Carlton), que, apesar das raízes, não o motivaram a experimentar a “magia” da representação. Benedict teve que prometer aos seus país que iria seguir uma área diferente das deles, para que este pudesse frequentar as mais prestigiadas escolas de Inglaterra, como a Harrow School, um colégio interno masculino bastante caro, cujas propinas foram pagas com muito sacrifício pelo par de actores, que, segundo consta ,se subjugavam a todo tipo de papéis, para que o jovem não fosse privado da melhor educação.

Benedict conseguiu a sua bolsa de artes e impressionou os seus professores de teatro, que o consideraram o melhor aluno e, mais tarde, o jovem rapaz a conquistar a General Certificate of Secondary Education, com excelentes notas. Até certo momento da sua vida, ponderou desistir da ideia da representação e seguir uma carreira de Direito, provavelmente para fazer a vontade aos seus progenitores, mas a ideia foi descartada, visto que a paixão pela representação era cada vez mais forte e, para a alimentar, Benedict junta-se a um grupo de teatro. Contudo, a adolescência foi demasiado turbulenta para o actor. Segundo o próprio, “a erva, a música e as mulheres” o direccionaram para “outros ventos” e foi aí que suas notas desceram a “pique”, mas o sonho de ser actor manteve-o agarrado ao “carris” e, com o passar do tempo, crescia monstruosamente dentro de si.

Antes de entrar para a Universidade, Benedict fez um ano de pausa e dedicou-se a ensinar inglês num mosteiro tibetano. Quando regressou, ingressou na Universidade de Manchester e licenciou-se em Representação. De seguida, obteve o grau de mestre de Artes Clássicas Representativas para Teatro Profissional na London Academy of Music and Dramatic Art. A partir dessa graduação, trabalhou em dezenas de peças de teatro, em papéis relevantes que foram constantemente elogiados. Um dos exemplos desse reconhecimento é a nomeação de Melhor Actor Secundário para os Prémios Olivier, em 2005, como Tesman na peça Hedda Gabler, mas sendo apenas sido premiado, em 2012, por Frankenstein, na categoria de Melhor Actor Principal, o qual teve que partilhar com o seu colega Jonny Lee Miller, já que em que todas as actuações alternavam constantemente as respectivas personagens, em O Monstro ou Dr. Victor Frankenstein.

Benedict Cumberbatch na peça Frankenstein
Benedict Cumberbatch na peça Frankenstein

O teatro foi a sua grande escola e o improviso a sua pele de camaleão que vestia para continuar a interpretar os seus personagens. Os desafios eram facilmente ultrapassados graças ao talento nato de Benedict. Para além disso, a sua voz barítono funciona como um catalisador de carisma. Na televisão, estreou-se com duas participações na série Heartbeat (2000–2004), na mini-série Tipping the Velvet (2002) e em Cambridge Spies (2003). Porém,acaba por vingar no telefilme Hawking, como Stephen Hawkings, interpretação, essa, que lhe valeu uma nomeação na categoria de Melhor Actor Principal, nos BAFTA TV, e um Golden Nymph.

Em 2005, Benedict Cumberbatch protagonizou a mini-série To The Ends of the Earth, baseado na homónima trilogia literária da autoria de William Golding, cuja rodagem na África do Sul consistiu numa experiência que o próprio considerou traumática. O actor e mais dois amigos foram vítimas de carjacking e, após duas horas de sequestro, foram deixados à sua mercê, num descampado. A partir desse momento, Benedict, que havia sempre declarado ser viciado em adrenalina, alterou drasticamente a sua visão quanto à vida que levava.

Nomeações a Golden Globe, Emmy, BAFTAS e outros prémios eram o que não faltavam na sua carreira televisiva. Contudo,a sua prestação no pequeno ecrã atingiu o auge com a série Sherlock, na qual o actor interpreta o celebre detective vitoriano imaginado pelo autor Arthur Conan Doyle, ao lado de Martin Freeman, como seu sidekick Watson (a dupla voltaria a reunir no grande ecrã com a trilogia The Hobbit, mas já lá vamos). Para além de bastante elogiado,com o seu desempenho nesta série contou com a terceira nomeação aos BAFTA, Benedict tornou-se parte da star system televisiva, graças ao sucesso desta produção da BBC. Prova disso é que a terceira temporada vem a caminho.

"Sherlock in action"
“Sherlock in action”

Foi também em derivação com o mediatismo de Sherlock que o actor, que havia também apostado no Cinema, alcançou papéis mais relevantes em produções refinadas e pomposas. Iniciou nesta plataforma em 2006, com Amazing Grace, de Michael Apted, ao lado de Ioan Gruffudd, onde desempenhava o papel de William Pitt, um político britânico que tentaria eliminar o comércio de escravos na sua Nação, durante o século XIX. A partir daí, Benedict expandiu-se na arte, através de vários papéis secundários em filmes como The Other Boleygn Girl, de Justin Chadwick, ou Atonement, de Joe Wright. Um ano depois de Sherlock ter “abatido” as televisões, o actor conheceu um dos seus melhores anos. As suas participações em War Horse, de Steven Spielberg, e até mesmo em Tinker Tailor Soldier Spy, de Tomas Alfredson, foram elogiados e mais, ambos os filmes marcaram presença nos Óscares, o que lhe auferiu um certo prestígio.

Em 2012, integrou o elenco de The Hobbit, a prequela de O Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien, que mais uma vez foi levado ao grande ecrã pelas mãos do neozelandês Peter Jackson. Este seria o início de uma jornada que ainda hoje perdura. Benedict começou a dar “vida” ao Necromante, através do processo tecnológico “motion capture“,mais tarde, o actor seria requisitado para representar o grande antagonista da trilogia, o dragão Smaug, e tinha como rival o pequeno hobbit, Bilbo Bagins, interpretado por Martin Freeman, o seu parceiro na mencionada e badalada série Sherlock.

Antes de Smaug ter surgido nos cinemas, Benedict Cumberbatch foi outro imponente vilão, o terror da U.S. Starship Enterprise da nova saga de Star Trek, “ressuscitada” por J.J. Abrams (actualmente com a difícil tarefa de reavivar Star Wars). Ele foi Khan Noonien Singh (conhecido simplesmente por Khan), na explosiva sequela Into Darkness, papel anteriormente desempenhado por Ricardo Montalban, na bem recebida versão de 1982 (The Wrath of Khan, dirigido por Nicholas Meyer). Para além dos épicos na Terra Média e as aventuras além galáxias, Benedict apostou maioritariamente no drama na sua carreira cinematográfica. Teve um papel bastante particular no consagrado filme 12 Years a Slave, ao lado de Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender e Brad Pitt, e ousou em “vestir” um personagem mais frágil que o habitual em August: Osage County, onde contracenou com Meryl Streep e Julia Roberts.

star trek
Benedict Cumberbatch é o “nemesis” de Chris Pine em Star Trek: Into Darkness

Apesar de prestação elogiada, Benedict acrescentou um fiasco ao seu currículo, The Fifth Estate, de Bill Condon, onde foi Julian Assange, um dos fundadores do polémico site especializado em fugas de informação, Wikileaks. O filme obteve péssimas críticas e, para além disso, foi constantemente acusado de ser uma manobra ofensiva aos feitos levados a cabo por Assange. A polémica em volta de The Fifth Estate reflectiu no seu box-office – custou 28 milhões de dólares e só rendeu 8 milhões em todo o Mundo. Contudo, a má experiência poderá ser “ofuscada” pela gradual aclamação de The Imitation Game, de Morten Tyldum, que cada vez mais aponta Benedict Cumberbatch na mira do Óscar. A obra é baseada no livro de Andrew Hodges, que, por sua vez, é inspirado numa história verídica, a do matemático e criptoanalista inglês, Alan Turing, que, através da sua genialidade contribuiu para que a Inteligência Britânica conseguisse quebrar os códigos alemães, durante a Segunda Guerra Mundial. No elenco, podemos ainda contar com Keira Knightley, Matthew Goode e Mark Strong. O filme estreia entre nós em Janeiro de 2015.

O actor ainda dará a voz a um dos personagens animados em Penguins of Madagascar, o spin-off do êxito de animação da Dreamworks, Madagascar, onde apenas são focadas as aventuras dos pinguins psicóticos que angariaram fãs por todo o mundo. Recentemente foi divulgado a entrada de Benedict ao universo da Marvel, sendo que irá desempenhar Doctor Strange, num filme a solo, em 2016. Para além disso, são vários os projectos aos quais o actor está anexado, adivinhando uma agenda exaustivamente cheia, visto que Benedict é cada vez mais requisitado na indústria cinematográfica.

Aliás, o mediatismo que havia adquirido, resultante das suas presenças televisivas, ou nos elogiados trabalhos no grande ecrã, transformaram-no numa personalidade relevante até mesmo no mundo socialité. Prova disso, é o noivado deste com a directora dramaturga, Sophie Hunter, que fez correr tinta na imprensa cor-de-rosa, durante os últimos dias. O actor anunciou o casamento nos classificados da TIMES, medida insólita que por si captou a atenção do mundo, mas não só. Todo o seu percurso artístico, o perfeccionismo que sempre o motivou a procurar a sua essência inerente como actor, mesmo que o redor deste tentasse contrariar, são provas suficientes e justificáveis para os holofotes apontados a Benedict, a sua criação mais envolvente, acima de qualquer prestação que havia concretizado até então. Veremos o que o futuro aguarda a este “camaleão”.

Tags

Hugo Gomes

Jornalista freelancer e crítico de cinema registado na Online Film Critics Society, dos EUA. Começou o seu percurso ao escrever no blog "Cinematograficamente Falando", acabando por colaborar nos sites C7nema, Kerodicas e Repórter Sombra, e ainda na Nisimazine, a publicação oficial da NISI MASA - European Network of Young Cinema. Nesse âmbito ainda frequentou o workshop de crítica de cinema em San Sebastian, também cedido pela NISI Masa, e completou o curso livre de "Ensaio Audiovisual e a Crítica de Cinema como Prática Criativa" da Faculdade de Ciências Sociais e Humana das Universidade Nova de Lisboa. Foi um dos programadores da edição de 2015 do FEST: Festival de Novos Realizadores de Espinho, e actualmente cobre uma vasta gama de festivais, quer nacionais, quer internacionais (Cannes, San Sebastian).

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Check Also

Close
Back to top button

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker
%d bloggers like this: